Adilson Medeiros

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O cantor, compositor e poeta pernambucano Adilson Medeiros fez em 1987 o seu primeiro show no Teatro João Gilberto, em Juazeiro-BA. Seu primeiro espetáculo, “O verde e o verso…” impactou a cena artística São Franciscana e no ano seguinte fez mais show autoral “Pro-vocação, vaticínio violado e liras para um reino quase desencantado”.

Em Petrolina-PE, abandonou definitivamente a carreira de advogado e as atividades de jornalismo radiofônico e professor de História para se dedicar exclusivamente à música. Intensificou seu trabalho de cantor e compositor, tornando-se um dos maiores expoentes culturais do Vale do São Francisco, com shows inovadores, gravações e produções de discos. Há alguns anos Adilson Medeiros reside em João Pessoa-PB, lugar que escolheu para educar os filhos.

Adilson Medeiros conquistou o prêmio de “Melhor Letra” no Festival Canta Nordeste, da Rede Globo, em 1992. A música vencedora, “Fado Xotado”, figurou no disco do Festival que foi lançado pela gravadora Som Livre. Ainda participou do Festival nas edições de 1993, 1994 e 1995.

Devido à conquista no Canta Nordeste, o artista recebeu a Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Petrolina. Foi convidado pela Rede Globo Nordeste, em 2013, para participar do Especial Causos e Cantos. No programa, Adilson Medeiros recitou e cantou “Viola”, poema feito em parceria com Dimas Batista.

Em 1993, lançou seu primeiro disco, intitulado “Adilson Medeiros”. Neste primeiro trabalho, o artista procurou mostrar a diversidade de estilos que havia em seu repertório. A ideia de lançar o disco surgiu de forma inusitada: os próprios fãs e admiradores decidiram financiar coletivamente parte do projeto. Com direção musical do produtor Tovinho, tecladista renomado e músico da banda de Alceu Valença, o disco contou com arranjos do próprio Tovinho, do guitarrista Luciano Magno e de Adilson Medeiros. “Menino Cantador” é o segundo disco de Adilson Medeiros. Lançado em 1996, o disco destaca o forró como estilo principal. Teve participações especiais dos sanfoneiros Duda da Passira e mestre Camarão e produção de Luciano Magno. O xote “Menino Cantador” ficou entre as músicas mais tocadas nas rádios de Petrolina e Juazeiro.

Em 2003, Adilson Medeiros lançou seu terceiro trabalho, chamado “Minha terra, minha gente”. Com muito xote, o disco tem 17 músicas que falam sobre amizade, amor e a saudade da sua gente. Teve participação especial de Maciel Melo na canção “Ai, Juazeiro, diz pra mim”, composta a pedido da TV São Francisco. O convite surgiu para uma homenagem ao 169º aniversário da cidade, que também destacou os juazeirenses Ivete Sangalo, João Gilberto e Targino Gondim.

O CD tem ainda as participações especiais dos sanfoneiros Cezzinha e Gennaro. “Eternos Mourões”, lançado em 2010, é o disco que mais representa Adilson Medeiros, onde ele busca transmitir através da música sua forma de ver o mundo. Nesse quarto trabalho, caprichou na sonoridade das cordas, dos violões e violas, com a maestria de Luciano Magno. Contou com a participação especial de Cezzinha em “Serenata na calçada”, única faixa do disco com sanfona.

Foi com essa música, de Lis Albuquerque e Orlando Tejo, que Adilson Medeiros experimentou gravar pela primeira vez uma canção que não é de sua autoria.

Em fevereiro de 2014 venceu o 3º Festival de Músicas Carnavalescas da Paraíba com a música “Depois da Copa”, em parceria com Marcelo Piancó. Apresentou o Programa “Criador & Cia” da TV Tambaú – SBT entre 2013 e 2014, onde recebia e entrevistava artistas do cenário musical nordestino e de outros gêneros, como humor, teatro e dança.

Seu mais recente trabalho, lançado em 2015, é o álbum “Nosso forró made in PB”. Nesse trabalho, Adilson Medeiros buscou trazer para o estúdio toda a energia que há no palco, em uma captação ao vivo dos instrumentos. Tem produção do próprio artista e do sanfoneiro Mô Lima. O disco transmite o jeito único e paraibano de tocar forró e contou com várias parcerias autorais, todas paraibanas.

Além dos discos lançados, Adilson Medeiros possui diversas músicas gravadas por outros artistas, como Maciel Melo, Genival Lacerda, Adelmário Coelho, Luciano Magno, Israel Filho, Cristina Amaral, Nádia Maia, Marcia Porto, Sônia Melo entre outros.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Adilson Medeiros para a www.ritmomelodia.mus.br  , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 14.08.2017:

01) Ritmo Melodia : Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Adilson Medeiros : Nasci no dia em 23.07.1963 em Sertânia – PE.

02) RM : Fale do seu primeiro contato com a música?

Adilson Medeiros : Imaginei inicialmente meu contato durante a infância, e depois o contato profissional. Eu recém nascido, conta a minha mãe, que foi passar uns tempos na fazenda do meu avô e quando os passarinhos pousavam na aroeira do oitão, não havia quem me segurasse, eu emitia sons como quem tentava acompanhar o canto das aves.

03) RM : Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

 Adilson Medeiros : Não tenho formação musical, sou “analfa-musical”. Meu pai rasgou o caderninho de música quando tentei estudar, eu tinha quase 15 anos de idade; um ano depois, comprei e paguei em seis vezes, pedindo ajuda aos tios, um Violão – “Rei dos Violões” na Casa Império de Sertânia – PE.

Meu pai disse que não ia quebrar o Violão, mas que eu só deveria sair com ele depois de passar no vestibular. Passei, e cantei muito naqueles dias, na rua Velha de Sertânia. Fora da área musical, minha formação acadêmica foi no Direito. Eu pensava em me tornar advogado e político.

04) RM : Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Adilson Medeiros : Na infância, eu achava a coisa mais linda do mundo os ensaios do Super Conjunto Marajoara de Sertânia, que rivalizava com Ogírio Cavalcante de Campina Grande – PB, a primazia dos bailes do nordeste dos anos 70. Achava linda a voz de Maria da Paz (e ainda acho) ou Jairo de Francisquinho cantando carnaval. Acredito que tenho um pouco deles.

Tenho influências diversas no passado. Primeiramente, Raul Seixas, Ednardo, Fagner, Alceu Valença e Zé Ramalho. Comecei a entender melhor Caetano Veloso, Gilberto Gil. E Chico Buarque e Luiz Gonzaga são meus mestres.

Aos dez anos de idade me apaixonei pela música “Ouro de Tolo”, depois, todas do Raul Seixas, quase todas, porque, a música “Maluco Beleza” não me fazia a cabeça, achava a música tolinha. Então, pra piorar, durante a Universidade assisti a um dos últimos shows do Raul totalmente decadente, numa performance lamentável. Fiquei muito triste por ele naqueles dias. É um estágio que não desejo para nenhum artista.

05) RM : Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Adilson Medeiros : Em Juazeiro-BA, Teatro João Gilberto, julho de 1987. Profissionalmente, não passei por canjas, nem outro tipo de experiência. Já havia decidido seguir a música, mas nunca havia feito uma apresentação em lugar algum, do tipo uma caixa de som com um microfone. Cantava nas farras com amigos, casa do estudante do curso de Direito em Caruaru – PE, campus universitário e nas repúblicas femininas. Fazia alguns covers, ao mesmo tempo em que manifestava empolgação em cantar minhas primeiras composições, com agradável aceitação por conta dos companheiros.

Em Juazeiro da Bahia, fui ver um show de um artista iniciante e, antes do show, estive com ele no camarim e cantei algumas canções pra ele, que me surpreendeu durante o espetáculo, com o convite para subir ao palco do Teatro João Gilberto.

Saí daquele ambiente totalmente extasiado, porque, recebi ali mesmo, o convite de Galvão (dos Novos Baianos) diretor do Centro de Cultura, do qual fazia parte o teatro, para realizar meu próprio show; dois meses depois, estreei em julho de 1987.

06) RM : Quantos CDs lançados, quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que entraram no gosto do seu público?

Adilson Medeiros : São seis discos lançados. Outros dois foram gravados, mas não tiveram continuidade, cumpriram a sina dos projetos descartados, embora algumas canções tenham sido regravadas em outros discos. Houve também uma participação em coletânea: Poucos meses antes do lançamento do primeiro disco, saiu minha primeira gravação, “Fado Xotado”, melhor letra e 4º lugar no Festival Canta Nordeste – Rede Globo, um LP coletânea da Som Livre. O primeiro, lançado em vinil. O segundo, em vinil e CD, distribuído pelo selo RBS do grupo Comdil /Aky Discos, Recife-PE.

Nunca tive uma obra super tocada, mas o público que conhece o me relaciona a ele, curtiu e curte desde o início, “Fado Xotado”, “Menino Cantador”, “Eternos Mourões”, “Reina Sofia”, “Fotografias” e “Azulão”, esta última, tem sido meu cartão de apresentação.

1º disco (LP) 1993 – “Adilson Medeiros” – Gravado em Estação do Som –Recife Prod. por Tovinho. Perfil “coletânea”. Músicos: Tovinho, Teclados / Luciano Magno, Guitarras e violões / Mongol, Baixo / Carlinhos, Bateria / Cabral, Percussão / Vocais, Nena Queiroga, Kelly Benevides e Marrom Brasileiro.

2º disco (LP/CD) 1996 – “Menino Cantador” – Gravado em: Estação do Som –

Recife – Prod. por Luciano Magno. Perfil: Forró. Músicos: Tovinho, Teclados / Luciano Magno, Guitarras / Bráulio Araújo, Baixo / Pupilo, Bateria / Vocais, Maraial e Ângela Luz.

3º disco (CD) 2003 – “Minha Terra, Minha Gente” Gravado em: Gusdel – Recife Prod. por Adilson Medeiros e Luciano Magno. Perfil: Forró. Músicos: Cezzinha e Genaro, Acordeões / Luciano Magno, Guitarras / Nando Barreto, Baixo / Hito, Bateria / Raminho, Zabumba, Triangulo, Agogô e Pandeiro / Vocais, Genaro e Walkyria.

 4º disco (CD) 2010 – “Eternos Mourões” – Gravado em: Firma – Recife – Prod. por Adilson Medeiros e Luciano Magno. Perfil: MPB de influência nordestina.

Músicos: Favio Valois, Teclados / Luciano Magno, Guitarra e violões / Nando Barreto e Jonhn Bass, Baixos / Cezzinha e Moisés Lima, Acordeões / Ivan do Espírito Santo, Flautas / Hito, Bateria e Percussão / Adilson Medeiros, programação de Samplers Vocais, Lêda, Kiko e Ricardo Alegria.

5º disco (EP 6 faixas) 2015 – “Meu Forró Made In PB” – Gravado em: Sérgio Gallo SG Studio – João Pessoa – PB- Prod. por Adilson Medeiros e Moisés Lima. Perfil: Forró Músicos: Valber Amorim, Teclados / Rafael Mororó, Guitarra / David Martins, Baixo / Moisés Lima, Acordeom / Gilson Machado, Bateria / Plínio Maguila, Zabumba / Tiziu da Paraíba, Triangulo / Vocais, Grazzi Vilanueva e Igo Wendell.

07) RM : Como você define o seu estilo musical?

Adilson Medeiros : Diversificado, eclético, pop nordestino, “forrozado”, “Baiãozado”. Na verdade gostaria de ser conhecido como um cara que faz música, ou então, caso necessite de uma definição a todo custo, “MPB de Influência Nordestina.

08) RM : Você estudou técnica vocal?

Adilson Medeiros : Nunca.

09) RM : Qual a importância do estudo de técnica vocal e o cuidado com a voz?

Adilson Medeiros : Sempre tive consciência da importância do estudo. Durante muito tempo não estudei porque não tinha curso em Petrolina-PE. Aqui em João Pessoa – PB tem, mas está me faltando aquele empurrãozinho de dentro. Mas sinto que está bem próximo. Já tive conversas a respeito. Estou bem perto desse sonho.

10) RM : Quais as cantoras (es) que você admira?

Adilson Medeiros : Tem uma constelação para nominar. Citarei Alguns: Maria Bethânia, Marisa Monte, Maria Rita, Vanessa da Matta, Ângela Rorô, Elba Ramalho, Zaz, Maria Moura, Alceu Valença, Zé Ramalho, Almir Satter, Luiz Gonzaga, Gilberto Gil, João Gilberto, João Bosco, Caetano Veloso e Zach Condon (Banda Beirut).

11) RM : Como é o seu processo de compor?

Adilson Medeiros : De todo jeito. Não tenho manias, mas percebi que, ao longo do tempo, a maioria das canções nasceu no período da manhã. Faço a letra e a música juntas, ou letra, e melodia depois, ou faço a melodia, depois ponho a letra. Este mesmo processo também ocorreu com as parcerias. Algumas canções nascem rapidinhas; outras demoram um pouco, mas se estiver precisando, sai na hora. Também existem canções que gosto e não consigo terminar, ou termino, termino. E acaba ganhando tantas versões. Certamente, estas me maltratam muito. Algumas eu abandonei, outras não.

12) RM : Quais são os seus principais parceiros de composição?

Adilson Medeiros : O principal parceiro foi Luciano Magno, guitarrista maravilhoso, que já gravou e tocou com muita gente de peso. É um cara que está comigo desde meu primeiro show. Nos últimos anos não temos feito muita coisa, mas podemos voltar, é só encomendarem. Aqui na Paraíba tenho experimentado algumas parcerias. No último trabalho, “Meu Forró Made In PB”, fiz questão de apresentá-los, colocando cinco canções em parceria, das seis que compõem o EP. Onaldo Queiroga, parceria em “Onde Está Meu Sabiá?”; Gilmar Gonçalves, parceria em “Forrozin Pé de Parede”; Ricardo Athayde, parceria em “Açude Velho”; Moisés Lima, parceria em “A Fila Andou” e Marcello Piancó, parceria em “Na Penumbra da Saudade”.

13) RM : Quais os cantores (as) já gravaram as suas músicas?

Adilson Medeiros : Primeira música gravada foi por uma banda de forró dos anos 90, Feijão Com Arroz, que gravou “Quero Todo Seu Amor” e “Vem Comigo”, foi uma das músicas mais tocadas em 1995 em todo o nordeste. Uma curiosidade sobre ela: Quando passei para o produtor, o CD saiu pela Sony, improvisei um assovio no estúdio, para fazer a introdução do meio. Não sabia que aquilo havia agradado tanto ao produtor, que gravou com assovio e colocou a música para puxar o disco. Ainda hoje é sucesso quando canto nos meus shows em praça pública.

Na mesma época, década de 1990, fui gravado por Cristina Amaral, Israel Filho, Adelmário Coelho, Maciel Melo, Genival Lacerda, Nadia Maia, João Lacerda, Luciano Magno e uma porção de bandas de forró, que nem lembro direito, nem os nomes, nem as músicas. Creio que a maioria dessas bandas nem existem mais. Mas foi um período interessante, fazer música por encomenda. Há quatro anos, nos sessenta anos de carreira de Genival Lacerda, fui o único compositor com duas músicas no disco: “O Velho tá Carente” e “Se Não Fosse o Forró”, esta última, vem me representando bem, tem sido considerada como uma bela obra.

14) RM : Com quais músicos você atuou na função de produtor?

Adilson Medeiros : Luciano Magno, Hito Pereira, Nando Barreto, Fabio Valois, Moisés Lima, Gilson Machado, David Martins, Valber Amorim.

15) RM : Você já atuou como produtor\ativista cultural?

Adilson Medeiros : Como ativista, nos moldes que entendo convencionais, não. Mas considero o meu trabalho e maneira como enfrento as adversidades, como sendo um tipo de ativismo cultural.

16) RM : Qual a sua relação pessoal e profissional com Bráulio Tavares?

Adilson Medeiros : Profissional, não tenho. Gostaria muito de ter. Só estive em dois momentos com ele, num curso de cordel e no centenário de Louro do Pajeú, e nos vemos diariamente, ao menos eu o vejo diariamente no Facebook. É um cara que admiro muito.

17) RM : Qual a sua relação pessoal e profissional com Pedro Osmar?

Adilson Medeiros : Nenhuma. Só o conheço de alguns esbarrões na cena cultural de João Pessoa.

18) RM : Qual a sua relação pessoal e profissional com Jarbas Mariz?

Adilson Medeiros : Sei que ele daqui de João Pessoa, que tenho muitos amigos em comum, que toca com Tom Zé. Tenho curiosidade em saber mais dele.

19) RM : Qual a sua relação pessoal e profissional com Alex Madureira?

Adilson Medeiros : Só de esbarrões culturais em João Pessoa. E das histórias engraçadas que envolvem seu nome. Figuraça!

20) RM : Qual a sua relação pessoal e profissional com Fuba?

Adilson Medeiros : Posso até dizer que somos amigos. Nós saudamos com mútuo respeito, conversamos muito. Já me convidou para me filiar ao partido dele. Mas nunca trabalhamos juntos, nem sei qual a noção que ele tem sobre meu trabalho. Gostaria muito de vê-lo olhando para mim. Acho um cara interessante e autor de músicas que eu cantei muito sem saber que era dele. Isso é muito bom.

21) RM : Qual a sua relação pessoal e profissional com Paulo Ró?

Adilson Medeiros : De muito respeito. Sempre que nos encontrávamos conversávamos muito, mas nunca atuamos juntos.

22) RM : Qual a sua relação pessoal e profissional com Paulo Di Tarsso?

Adilson Medeiros : O conheci em Festivais de Música. Cantei algumas canções pra ele, que disse que eu fazia um som moderno – não esqueci o elogio – sempre nos cumprimentamos alegremente. Ele vive muito fora do país. Nunca trabalhamos juntos.

23) RM : Qual a sua relação pessoal e profissional com Cátia de França?

Adilson Medeiros : Só de fã. Sou muito fã da “negona”.

24) RM : Qual a sua relação pessoal e profissional com Carlos Aranha?

Adilson Medeiros : Já bebi com ele nos quiosques do Mercado Central de João Pessoa, apresentado pelo amigo em comum, o jornalista Antônio Vicente.

25) RM : Qual a sua relação pessoal e profissional com o Chico César?

Adilson Medeiros – Só de ações culturais pela cidade, tenho um apreço muito grande pela sua atividade artística.

26) RM : Qual a sua relação pessoal e profissional com o Zé Ramalho?

Adilson Medeiros : De fã. E bote fã. Já estive com ele em algumas ocasiões. No início da minha carreira, em Petrolina – PE. Ao ser informado pelo empresário que o meu trabalho era sério, ele simplesmente disse assim: – Então vá simbora! Aqui no nordeste as coisas não funcionam. Quem tem trabalho bom, tem que ir pro sul (sudeste).

27) RM : Qual a sua relação pessoal e profissional com Elba Ramalho?

Adilson Medeiros : Só de fã. Já abri show pra ela, dividimos camarim, hotel, tenho fotos com ela, nada mais. Gostaria muito que ela conhecesse minha obra, muita gente aposta que sairia muita coisa boa dessa parceria.

28) RM : Qual a sua relação pessoal e profissional com o Beto Brito?

Adilson Medeiros : Somos amigos. Estamos na batalha. Já o convidei para um evento que produzi em João Pessoa. Cantamos juntos em 2015 com os Gonzagas. É um cara, que a qualquer hora a gente pode fazer um rolo musical.

29) RM : Quais os prós e contras de ter deixado a carreira de radialista, professor e advogado para seguir exclusivamente a carreira musical?

Adilson Medeiros : Só vejo os prós. Foi uma decisão difícil, num momento importante da minha vida. Tenho plena convicção que tomei a decisão certa em ficar com a música.

30) RM : Quais as estratégias de planejamento da sua carreira musical dentro e fora do palco?

Adilson Medeiros : Acho que não sou muito bom de planejamento. Trabalho com muita honestidade, e respeito muito o público, mas defendo a minha obra com toda garra. Sei que o que tenho a oferecer é importante, não é passageiro. Sou autoconfiante.

31) RM : Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Adilson Medeiros : Produzo meu próprio trabalho com recursos próprios. Se não tenho, procuro apoio. Nunca participei de edital.

32) RM : O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?

Adilson Medeiros : Acho que só ajuda. O rádio não funciona mais pra gente. No interior ainda rola uma atenção especial com nosso trabalho. A internet é o caminho. Preciso aprender a tirar o melhor proveito.

 33) RM : Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Adilson Medeiros : As vantagens são muitas se levarmos em conta o exercício contínuo da criação. Isto é maravilhoso. Mesmo que o artista não tenha para quem mostrar a sua produção, ele conseguirá, certamente, aprimorar-se pelo fato de estar criando quase que diariamente. Mas como não há caminhada sem tropeço, o fácil acesso à tecnologia do “home” quebrou a hegemonia da indústria musical, que era toda certinha, e trouxe um produto mais espontâneo e também coisa ruim.

34) RM : No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Adilson Medeiros : Acho que meu trabalho é diferenciado. E entendo tudo que está acontecendo, todas as dificuldades, mas percebo que para a maioria, não consigo me diferenciar. E sofro muito quando sou anunciado de maneira inadequada.

35) RM : Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

 Adilson Medeiros : O cenário musical brasileiro está igualzinho ao que acontece pelo mundo. É caótico e maravilhoso. A indústria continua produzindo coisas boas e ruins. Os alternativos, cada um à sua maneira e condições técnicas, fazem o mesmo. Tudo caminha para os nichos, ou bolhas. Nesse item, vai acontecer uma espécie de isolamento, em que um mundo vai separar-se do outro tal qual uma galáxia distancia-se das demais.

Vamos ter um choque cultural no futuro jamais imaginado, algo que levará a humanidade a rever sua caminhada. Se considerarmos como “últimas décadas” 90, 2000 e esta que está em curso, os nomes que me marcaram mais foram Chico Science, Zeca Baleiro, Chico César, Lenine, Maria Rita, Ana Carolina, Luiza Possi e Vanessa da Matta, que ganha meu coração cada vez mais. Acho que todos esses são consistentes. A maioria permanecerá por toda vida e depois dela.

Tenho enorme esperança que Mestrinho se torne popular à medida que se mostre mais; acho que ele tem muito a oferecer. Sim, quem regrediu? Ana Carolina e Luiza Possi. Principalmente a Ana Carolina, que piorou o repertório. Repertório é tudo para a consolidação de uma carreira.

36) RM : Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Adilson Medeiros : Maria Bethânia, Lenine, Zeca Baleiro, Chico Buarque, Chico César, Vanessa da Matta. E todos que citei anteriormente são o que são por apresentarem profissionalismo e qualidade artística.

37) RM : Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Adilson Medeiros – Isso é o que mais acontece. Já fiz Voz e Violão sem pedestal nem lapela. Amarramos um barbante numa viga do teto. O único incômodo era o vento, então eu tentava acompanhar o balanço do microfone.

Já pluguei microfone e violão num som grande, que não tinha mesa de som. Havia um “tape deck” com duas entradas de “microfone” pluguei microfone e Violão e apertei o botão de gravar. Cantei com um cachê gordo nos bolsos. Fiquei sem dar meus pulos por medo do dinheiro voar pra cima do público.

Noutro show recebi um cachê no momento em que meu nome foi anunciado, e entrei no palco arrastando o “Case – Capa o Violão” e deixei-o bem pertinho, não o perdia de vista. O cachê estava dentro.

Já esqueci nome de prefeito em shows pelo interior. Já sofri enfarte no meio do show. Cantei para plateia indiferente ao meu trabalho, mas nunca levei vaia. Só não recebi o cachê uma única vez. Foi em Petrolina – PE, no São João me pagaram 50% e só. Um ano antes, também em Petrolina, num show que abri para uma dupla sertaneja, fiquei preso no meu camarim porque cercaram tudo para a passagem da dupla famosa. Como os seguranças não me conheciam, tive que esperar o diretor de palco me salvar. Ele mandou abrir uma brecha e atravessei a área de segurança com todo o meu pessoal. A gente sofre.

38) RM : O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Adilson Medeiros : O momento em que estou compondo; montando um show; ensaiando, quando o ensaio fica bom. Se não ficar bom eu sofro muito até o próximo encontro, que muitas vezes vai ser no palco. Quando tenho meu trabalho reconhecido na medida em que eu entendo que vale. Não curto elogio exagerados. Minha tristeza na carreira musical se dá pela inconstância de eventos. Eu vivo da minha arte.

39) RM : Você acredita que sem o pagamento do Jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

 Adilson Medeiros : Nunca paguei jabá e já toquei muito em rádios e TVs. Em Recife – PE é terrível tocar em rádio sem pagar o jabá, principalmente em rádios de grande audiência. Aliás, até nas pequenas rádios do interior, cujo sinal mal cobre a minúscula área urbana, também cobram e muito. Uma vez, tem uns vinte anos, estava no escritório de um empresário artístico, que lamentava a dificuldade em tocar os seus contratados nas rádios da capital pernambucana. Ele me dizia que eu deveria permanecer pelo interior, onde é mais fácil tocar. É verdade, no interior é mais fácil. Só que naquele momento, um radinho que ele mantinha sintonizado na líder de audiência, começa a tocar uma música minha. Luciano Magno estava comigo, nos olhamos e começamos a rir. E pedimos que aumentasse o volume do radinho. Perguntei se ele gostou daquela música, etc. Então, ele tomou um susto quando informei que aquela música era minha. Expliquei pra ele que não foi jabá e que havíamos conhecido o diretor de programação no dia anterior num bar no bairro de Boa Viagem em Recife. Às vezes milagres acontecem.

40) RM : O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Adilson Medeiros : Seja honesto em todos os departamentos. Respeite muito seu público sem, no entanto, fazer-lhe concessões. Seja, de fato, dono da sua obra. Não curto o artista que só procura fazer o que o povo gosta. Acredito que o artista deve gostar da sua música, e procurar que tenha sintonia com ele. Esse pra mim é um artista.

41) RM : Quais os seus projetos futuros?

Adilson Medeiros : Penso em criar ainda este ano um evento itinerante, tendo como motivação o forró e sua importância na MPB.

42) RM : Quais seus contatos para show e para os fãs?

Adilson Medeiros : (83) 9.9978 – 3565 (WhatsApp) | 3221-0270 | [email protected] | You Tube Adilson Medeiros – Oficial: http://zip.net/bstDxP | www.facebook.com/adilsonmedeiros.mus | Palco MP3: www.palcomp3.com/adilsonmedeiros

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.