Adelson Viana

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O acordeonista, tecladista, compositor, arranjador e produtor musical cearense Adelson Viana vindo de uma família de músicos, teve como primeiro instrumento o acordeon, e como mestre o seu pai José Viana.

Adelson passou um longo período tocando em bailes e, posteriormente, começou a trabalhar em estúdios de gravação, shows, jingles e trilhas sonoras. Atuou por 12 anos de sua carreira ao lado do renomado cearense Raimundo Fagner e se apresentando também em shows de Zeca Baleiro, Dominguinhos, Ednardo, Lenine, Naná Vasconcelos, Paulo Moura, Fausto Nilo, Nonato Luiz, Waldonys, Manassés, dentre outros artistas. Em 2004 esteve na França (Brest 2004), onde participou de shows no espaço Brasil, levando a música brasileira a um grande público presente. Em 2008, participou do VI Prêmio Tim de música homenageando o mestre Dominguinhos em que tocou ao lado dos maiores sanfoneiros do Brasil.

Em 2009 lançou pela gravadora “Biscoito Fino”, o álbum “Acordeon Brasileiro”, no Rio de Janeiro, com shows na Modern Sound e Rio Scenarium, mostrando através da sanfona um rico repertório com composições de Jacob do Bandolim, Dominguinhos, Astor Piazzolla, Richard Galliano, João Lyra e Adelson Viana. Neste mesmo ano lançou o álbum “dobrado” um duo com o extraordinário violonista Nonato Luiz, um encontro de talentos em um trabalho inédito e autoral, unindo o som das cordas do violão aos acordes da sanfona, em caminhos harmônicos e melódicos que vão do erudito ao popular.

O álbum “Da cidade ao sertão”, cantado tem um rico repertório de música nordestina, traz pela primeira vez a voz do sanfoneiro Adelson Viana, já reconhecido no palco pela maestria e promete mexer com os forrozeiros o time de parcerias no CD também não poderia economizar em qualidade de Xico Bizerra, na canção “riso de canto a canto”, a Maciel Melo, em “daquele jeito”, passando pelo próprio Dominguinhos em “querer” (participação especial) e “a saudade mata”, composições de Ednardo, Felipe Cordeiro, o primo Paulo Viana e o pai José Viana. O mais recente álbum é o CD – “Música popular nordestina” um passeio pela MPB nordestina com participação especial de Fagner e composições de Maciel Melo, Xico Bizerra, Ozi dos Palmares, Nonato Luiz, Fausto Nilo, Jotta Amaral, Tarcísio Sardinha, Moacir Maia, Adelson Viana, Paulo Viana e José Viana. O show de Adelson Viana tem um caráter acústico e passeia pela sonoridade brasileira através do Forró, Xote, Choro, Baião e até mesmo do Frevo, favorecendo a riqueza de timbres e de possibilidades da sanfona nordestina universal.

Segue abaixo entrevista exclusiva com para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 25.02.1971:

01) RitmoMelodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Adelson Viana: Nasci no dia 25 de fevereiro de 1971, em Fortaleza (Ceará).

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Adelson Viana: Nasci e cresci numa família de músicos, os Vianas. Meu pai, meu avô, meus tios avós e parentes todos foram e são músicos. Aprendi música aos 12 anos de idade tendo como mestre meu pai, que me ensinou com muita sabedoria me envolvendo com ótimas histórias da família e composições próprias.

03) RM: Qual a sua formação musical e formação acadêmica fora da área musical?

Adelson Viana: Estudei teoria musical com meu pai, solfejo e arranjo com o maestro Cleóbulo Maia, aulas de piano no Conservatório Alberto Nepomuceno e de forma autodidata através de livros e métodos adquiridos na minha adolescência. Não posso também deixar de falar o convívio com maravilhosos músicos em estúdios, jingles, trilhas e shows. Conclui meus estudos primário e secundário, mas não cursei em nenhuma Faculdade, a música e arte me envolveram demais, não sobrando tempo para mais nada.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Adelson Viana: Sempre ouvi e pesquisei os grandes acordeonistas como: Dominguinhos, Sivuca, Orlando Silveira, Chiquinho do Acordeon, Luiz Gonzaga, Oswaldinho do Acordeon. Em uma fase da minha juventude estudei e toquei um pouco jazz e outros gêneros musicais, mas hoje tenho como foco principal a música brasileira e nordestina.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Adelson Viana: Iniciei minha carreira musical aos 15 anos em uma banda de baile no bairro aonde nasci. Nesse período toquei muito em festas de clubes, bailes e eventos no estado do Ceará. Nessa mesma época participei de um concurso de Acordeon na cidade de Quixadá, sertão central do Ceará que me deu muita visibilidade recebendo convites para outros grupos, programas de TV, gravações e shows.

06) RM: Quantos CDs lançados (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que se destacaram?

Adelson Viana: No total gravei até momento oito CDs com participações de grandes músicos como: Dominguinhos, João Lyra, Cristovão Bastos, Jamil Joanes, Adriano Giffone, Maestro Spok, Luizinho Duarte, Tarcísio Sardinha, Lauro César Viana. As músicas que mais tiveram visibilidade foram: “Do mestre ao discípulo”, “Disfarçado”, “Querer”, “Subindo as nuvens”, “Nem doeu”, “Baião cigano”, “Sanfona branca”, “Dos 40 aos 50”, “Vai dar certo”.

07) RM: Como é o seu processo de compor canção?

Adelson Viana: Gosto sempre de pensar em alguma música já existente, às vezes vem uma ideia inédita, também já aconteceu de desenvolver a partir de uma trilha (trabalho de estúdio) até mesmo de improvisos durante apresentações.

08) RM: Quais são seus principais parceiros musicais em composição?

Adelson Viana: João Lyra, Paulo Viana (primo), Felipe Cordeiro, Maciel Melo, Tarcísio Sardinha.

09) RM: Quem gravou as suas músicas?                                                      

Adelson Viana: Dominguinhos, Danilo Caymmi, Spok Frevo, João Lyra, Maciel Melo.

10) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Adelson Viana: Prós: Liberdade no repertório e na interpretação, arranjos criativos. Contra: dificuldade na divulgação e lançamento, investimentos sem patrocinador.

11) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Adelson Viana: Procuro fazer aquilo que acredito e faço melhor, não penso em curto prazo e procuro ser verdadeiro escolhendo bem aquilo que gravo e toco.

12) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia de gravação (home estúdio)?

Adelson Viana: Conforto, praticidade e também a oportunidade de poder previamente ouvir uma canção, arranjo e interpretação antes de chamar os músicos.

13) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Adelson Viana: Acho que o grande problema do nosso “forró” é a apropriação do nome para um estilo musical que não tem a essência e a atuação forte dos elementos (sanfona, zabumba e triangulo) que compõem e dão vida a esse gênero musical. Por outro lado, a falta de união dos forrozeiros em projetos, divulgação e de acompanhar a produção atual dos shows nos deixou para trás. Cruzamos os braços e deixamos tudo acontecer! As bandas que tocam forró sugiram com muita força no início desse movimento, depois aconteceu a mistura da música baiana e o sertanejo com o forró, mas apesar disso, sempre surgem jovens sanfoneiros tocando muito bem, forrozeiros se dedicando e trazendo a cena músicas que estavam esquecidas.

14) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Adelson Viana: Passamos por muitos problemas técnicos, máfias de som, local e horário errado para nosso show, divulgação pífia e equivocada, tocar e não receber todo o cachê etc.

15) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Adelson Viana: Fico muito feliz quando subo no palco e vejo o povo cantando, dançando alegre e feliz com nossas músicas. Fico triste pela dificuldade que temos por tocarmos uma música mais cultural e não termos o reconhecimento dos gestores públicos. A “música” tem o poder de transformar as pessoas e elevar o sentimento humano!

18) RM: Você acredita que sem o pagamento do Jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Adelson Viana: Não. As rádios comerciais dificilmente divulgam sem um acerto financeiro. E pasme, já passei por uma situação de mesmo pagando a rádio não quer tocar por se tratar de uma música cultural diferente do padrão musical da emissora.

19) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Adelson Viana: Estudar bastante, ser humilde e verdadeiro. Acreditar no seu trabalho, respeitar seu público e não desistir nunca.

20) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Adelson Viana: Festival quase sempre tem injustiças, mas é uma oportunidade importante para os surgimentos de novos talentos.

21) RM: Na sua opinião, hoje os Festivais de Música ainda revela novos talentos?

Adelson Viana: Sim, com certeza e nos mostra que a nossa boa cultura permanece viva!

23) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Adelson Viana: Houve uma troca da “arte” pelo “entretenimento” e uma ambição pelo dinheiro que destrói e encandeia a visão e os ouvidos.

24) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Adelson Viana: Acho maravilhoso e importante para a manutenção e divulgação de artistas e shows.

25) RM: O circuito de Forró na sua cidade?

Adelson Viana: Acho muito fraco pela forte atuação do outro forró e também da música sertaneja, mas apesar disso temos uma tribo se fortalecendo e gostando do nosso autêntico forró.

26) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com Dominguinhos?

Adelson Viana: Foi muito próximo, sou grande fã e amigo dele. Toquei e gravei muito com o mestre Dominguinhos que sempre dizia nos shows: ô serviço bom!

27) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com Luiz Gonzaga?

Adelson Viana: Com Luiz Gonzaga só estive uma vez mais próximo e pude sentir e ver a grandiosidade artista dele. Será sempre o nosso rei do Baião!

28) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com Fagner?

Adelson Viana: Trabalhei 12 anos com esse grande cearense participando como músico e diretor musical de seus shows, CDs, DVDs e especiais de TV. Lembro-me do momento mais emocionante com Fagner que foi acompanhar na sanfona o seu cantar do Nino Nacional Brasileiro em New York no Brasilian Day!

29) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com Marcus Lucenna?

Adelson Viana: Tive a honra e alegria de ajudar a produzir o seu mais novo álbum musical. Grande artista e estimado amigo!

30) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com Oswaldinho do Acordeon?

Adelson Viana: Já tocamos juntos algumas vezes e tenho uma grande admiração e respeito por esse extraordinário instrumentista.

31) RM: Quais os projetos futuros?

Adelson Viana: Pretendo lançar em breve um álbum instrumental filmado no estúdio, um trabalho de Música Nordestina com composições próprias e de parceiros, e um álbum do último registro em estudo do mestre Dominguinhos junto com um livro didático contando a sua bela história.

32) RM: Quais os seus contatos para show e para seus fãs?

Adelson Viana: (85) 99911 – 1298 | 99909 – 7202 | 3261 – 6960 | [email protected] | Facebook e Instagram:

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.