Adelmario Coelho

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Adelmario Coelho
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O cantor Adelmario Coelho com mais de anos de carreira, é um dos ícones da cultura nordestina e uma das referências do autêntico forró tradicional.

Ele é conhecido como “Forrozeiro do Brasil”, já teve o seu show assistido por milhares de pessoas durante as turnês apresentadas por todo o Brasil, além de apresentações realizadas no exterior, representando a cultura brasileira e nordestina. Durante a trajetória artística, o forrozeiro, reúne a experiência de ter lançado 21 CDs,  2 DVDs e 2 LPs que marcaram o início da carreira.  Com um timbre de voz inconfundível, emplacou grandes sucessos, que estão entre as canções mais pedidas nos seus shows, nas mais diversas regiões do país, a exemplo de “Não Fale Mal do Meu País”, “Bahia, Forró e Folia”, “O neném”, “Anjo Querubim” e “Amor não faz mal a ninguém”.

Em 2016, Adelmario apostou na canção: “A gente sabe que é amor”, do compositor Samir Trindade.  Com ritmo bastante contagiante e dançante, a música que fala sobre amor e relacionamento, foi uma das músicas mais executadas das rádios, virando hino no São João 2016, caindo no gosto dos fãs e admiradores do forrozeiro.  Em 2015 lançou as canções “Dono do Seu Coração” e “Lápis de Cor” consideradas as mais tocadas nas rádios do Estado da Bahia, garantindo o mesmo resultado de 2014 quando o cantor manteve quatro canções entre as dez mais executadas nas rádios baianas. Além de celebrar um São João de muito sucesso, o forrozeiro que foi atração nas principais cidades do nordeste, a exemplo de Caruaru (PE), Campina Grande (PB), Brasília (DF) e Cruz das Almas (BA), Amargosa (BA) e Salvador (BA), experimentou uma nova experiência com o projeto intimista “Eu & Tu”, idealizado pelo Grupo Coelho, produtora que administra a sua carreira. Realizado em três edições, o evento teve uma proposta intimista, contando com a presença de artistas renomados como Geraldo Azevedo, Vander Lee e Benito di Paula.

A trajetória de Adelmario Coelho resultou em uma sucedida carreira internacional, que levou o forró da Bahia para duas turnês realizadas pela Europa nos anos de 2011 e 2013. No segundo ano, a turnê se estendeu para os Estados Unidos, na Lavagem da Rua 46, em Nova Iorque, com o objetivo de criar um ambiente de celebração da cultura brasileira. Em 2015, mais uma acontecimento reforça a sua importância para o âmbito do forró no exterior: ele foi o representante da cultura nordestina na Expo Milão, na Itália, quando foi convidado para se apresentar no evento e levar toda a história e a força do Nordeste brasileiro.

Em 2012, ele deu um salto na carreira quando lançou o livro “Adelmario Coelho e a Cultura Nordestina”, que relata a trajetória do cantor a partir de sua experiência de vida, propondo fortalecer a imagem do povo nordestino, além de dar visibilidade à cultura da região.

Adelmario Coelho é um dos autênticos forrozeiros do Brasil por conservar o verdadeiro forró pé-de-serra. Ele se transformou numa planta viçosa que demorou de crescer, mas que virou um imponente mandacaru: destemido e firme na conquista de seu lugar ao sol, também capaz de gerar belas flores e de matar a sede de referências e de alegrias. E às suas raízes é o seu forró.

Segue abaixo entrevista exclusiva como Adelmario Coelho para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 03.12.2018:

01) RitmoMelodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Adelmario Coelho: Nasci no dia 19 de agosto, em Barro Vermelho, que é um distrito de Curaça (BA).

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Adelmario Coelho: Desde a infância, a música sempre esteve em meu coração, em especial o Forró. Ouvindo as emissoras da região, o ritmo sempre me contagiou.

03) RM: Qual a sua formação musical e formação acadêmica fora da área musical?

Adelmario Coelho: Sou autodidata. Aprendi observando, prestando atenção aos grandes mestres. Não necessariamente aos famosos, embora alguns desses tenham sido muito importantes, mas gente que sabia tocar instrumentos e cantar.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Adelmario Coelho: Todos os grandes forrozeiros que fizeram história na música popular brasileira me influenciaram bastante, principalmente Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Trio Nordestino, Jackson do Pandeiro e alguns outros forrozeiros identificados com a cultura nordestina de raiz. Tudo o que podemos classificar como música nordestina, de modo geral, me interessa bastante. Dentro desse segmento, não me ocorre nada que tenha deixado de ter importância para mim.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical e quantos discos lançados?

Adelmario Coelho: Profissionalmente, em meados dos anos 90, mais precisamente em 1994, numa fase em que eu ainda tentava conciliar a música com um emprego numa grande empresa do Polo Petroquímico de Camaçari (BA). Em férias na cidade de Caruaru (PE), decidir gravar minha música de composição “Barro Vermelho e Sua Realidade”, em um estúdio da mesma cidade. Essa música falava da realidade da região, com a seca, com o gado, além da vida diária do sertanejo. O que era para ser apenas uma música acabou virando um LP com 10 músicas, inclusive com canções do grande poeta Onildo Almeida, compositor de Luiz Gonzaga, Marinês, Trio Nordestino, Dominguinhos e de vários outros artistas. Faço um destaque a generosidade do poeta Onildo Almeida, que ao ser chamado pelo dono do estúdio, Sr. Edson, veio prontamente e me ofereceu 5 músicas.  Além disso, gravou comigo fazendo backing vocal e consegui finalizar um vinil, o primeiro com 10 músicas. Cheguei a minha região e comecei a divulgá-lo tendo uma boa receptividade. Daí, a música foi ganhando cada vez mais espaço em minha vida! No ano seguinte, voltei a Caruaru (PE) e gravei um CD, bem pensado, mesmo com o pouco tempo disponível, pois, usava as folgas da empresa para poder fazer. Com o meu primeiro CD – “Não Fale Mal do Meu País” gravado em 1995, mandei prensar 3.000 cópias. O caminhão que transportava os CDs tombou em Porto Seguro (BA) e a carga foi saqueada, inclusive as minhas 3.000 cópias.  Mas foi justamente por causa disso, que aconteceu meu primeiro sucesso, pois um dos CDs foi parar nas mãos do radialista Charles Sena na Rádio Porto Seguro (trabalha na rádio até hoje). Assim, “Não Fale Mal do Meu País” começou a tocar primeiro em Porto Seguro até ganhar várias cidades da Bahia e do Nordeste. A resposta foi tão positiva, que me encorajou a encarar esse novo desafio na vida! São 21 CDs, 2 LPs, 02 DVDs, além de vários EPs e singles.

06) RM: Como é o seu processo de compor canção?

Adelmario Coelho: Na verdade no início da carreira comecei a exercitar esse lado de criador, mas depois com várias ofertas de músicas que recebia deixei um pouco de lado e foquei mais na interpretação de cantar músicas de outros compositores.

07) RM: Quais são seus principais parceiros musicais em composição?

Adelmario Coelho: Posso citar, principalmente, João Caetano e Feu do Acordeon.

08) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Adelmario Coelho: Minha opção artística é sempre fazer o que toca meu coração. Como nem sempre essa opção se concilia com as exigências do mercado extremamente competitivo, isso causa alguma frustração. Mas está justamente aí, o lado positivo de uma carreira independente: a liberdade de fazer o que gosta e como gosta! Depois de tantos anos, eu me sinto feliz por ter construído uma carreira sólida e por ter um público fiel. E isso compensa qualquer frustração!

09) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Adelmario Coelho: Ao mesmo tempo em que o mercado está mais competitivo do que nunca, percebo que há espaço para todo mundo. E o que é verdadeiro, permanece intocável! Quem gosta de um determinado ritmo musical continuará gostando dele, independente das novidades que o mercado revele. Então, minha opção é ser fiel às minhas raízes, que é o legítimo forró. E tudo indica que deu certo, pois estou prestes a completar 25 anos de carreira musical.

10) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Adelmario Coelho: A liberdade de poder realizar o trabalho dentro do meu próprio tempo.

11) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Adelmario Coelho: Quem regrediu não vejo como construtivo mencionar mesmo porque, compreendo as dificuldades de construção de uma carreira musical. Há muita gente boa no cenário e, com certeza, se eu for citar fatalmente esquecerei alguém. Não quero correr o risco de cometer esses erros.

12) RM : Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Adelmario Coelho: Tudo isso já ocorreu um pouco. Eu mesmo era quem dirigia o meu primeiro transporte (uma kombi) tudo era feito por  mim, por minha esposa e por filhos. Desde colocar as fitas no correio para as rádios às gravações.

13) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Adelmario Coelho: Ter construído tudo o que construí, sem ter subvertido a minha essência me traz muito orgulho. Não há nenhuma tristeza que me ocorra ou que seja relevante, pois, qualquer dissabor será sempre menor do que a sensação de dever cumprido.

14) RM: Você acredita que sem o pagamento do Jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Adelmario Coelho: Não! Ainda bem que por conta da internet, os artistas estão livres de antigas práticas viciosas de mercado na grande mídia (pagar para ter uma música tocando na programação da rádio). Tenho conseguido bons retornos investindo em outras estratégias de divulgação de minhas músicas.

15) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Adelmario Coelho: Identificar qual é a sua essência musical e ser fiel a ela. A partir daí, acreditar no seu sonho e seguir em frente.

16) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Adelmario Coelho: Entre os prós, a possibilidade que os Festivais de Música proporcionam para novas oportunidades. Entre os contra, não vejo nada de relevante.

17) RM: Na sua opinião, hoje os Festivais de Música ainda revela novos talentos?

Adelmario Coelho: Com certeza. Muitos artistas que hoje são revelações, dos mais diversos segmentos, foram frutos também, dos festivais de Música.

18) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Adelmario Coelho: A internet tem feito às pessoas buscarem novas formas de consumir entretenimento. Atualmente, ouvimos músicas de maneira diferente de como fazíamos. Não precisamos mais assistir aos programas de TV ou ouvir rádios de grande audiência para saber o que está acontecendo na música. As redes sociais são a realidade do mercado, felizmente!

19) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Adelmario Coelho: Acho uma grande oportunidade para difusão da  nossa  cultura e, atitudes como  essa,  criam  espaços para a sua sobrevivência!

20) RM: O circuito de Forró na sua cidade?

Adelmario Coelho: Por tradição, Salvador (BA) abraça vários gêneros musicais e o Forró é muito apreciado aqui. Embora ainda muito localizado no período junino, percebemos um grande avanço no interesse pelo Forró na capital baiana.

21) RM: Quais os projetos futuros?

Adelmario Coelho: A partir de agora, eu e minha equipe estamos nos preparando para as comemorações dos meus 25 anos de carreira musical.

22) RM: Quais os seus contatos para show e para seus fãs?

Adelmario Coelho: Grupo Coelho Produções: (71) 3341.5588 e 71 99121-5983 | www.adelmariocoelho.com.br | http://www.adelmariocoelho.com.br/blog/home-2 | Facebook: AdelmarioCoelhoOficial | Twitter: @AdelmarioCoelho; Instagram:

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.