Fernando Atallaia

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Fernando Atallaia
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O cantor, compositor, poeta e jornalista maranhense Fernando Atallaia é autor de mais de trezentas canções, tendo participado de vários festivais de Música Popular e de Poesia.

Foi um dos vencedores no 21º Festival Maranhense de Poesia. Pertence a Geração 90 da Música e da Poesia maranhenses. Ao lado de Mauro Ciro, Bioque Mesito, Dyl Pires, Ana Teixeira, Ciro Falcão, Paulo Melo Sousa e Samarone Marinho, foi responsável pelos movimentos literários ocorridos a partir de 1996 em São Luís-MA como integrante do Grupo Carranca de Poesia. Atualmente, alterna-se entre o jornalismo cultural e político e a recente produção cultural maranhense.

Como produtor, reuniu artistas representativos da música maranhense de hoje no Projeto Festiveiros (Plano de Apoio à Produção Fonográfica da Secretaria de Estado da Cultura – 2004). Tem cinco livros de Poesia inéditos e é o Editor-Chefe do Blog ANB Online, um dos mais acessados da Grande Ilha de São Luís.

Ativista cultural com atuação permanente no contexto cultural do Maranhão, é fundador de movimentos como “A Vida é uma Festa”, “O Canto da Ema” e Movimento Social e Cultural Baluarte-MSCB. Este último inspirou o movimento “Sebo no Chão” que congrega nos dias atuais a nova safra de bandas da capital maranhense e artistas da nova geração.

“Com a Ode Triste para Amores Inacabados se firma no horizonte da nova geração de compositores e poetas, e torna-se, indubitavelmente, a voz mais habilitada para verter as nossas angústias e reflexões através da música, motivo pelo qual ele já conta com o respeito e a admiração daqueles que são coevos e co-geracionais. Que outros trabalhos surjam para confirmar todas as grandes expectativas que surgem em torno do Atallaia, outra voz poderosa a se somar ao coro dos grandes talentos do Maranhão e do Brasil neste presente momento” – Ricardo Leão (Poeta e ensaísta, é também Professor-Doutor da Universidade de São Carlos-SP).

Segue abaixo entrevista exclusiva de Fernando Atallaia para a em 06.06.2016:

01-) Ritmo Melodia – Qual sua data de nascimento e sua cidade natal?

Fernando Atallaia – Eu nasci em abril, dia 20, em São Luís – MA, mas vivo desde então em São José de Ribamar – MA.

02-) RM – Conte como foi o seu primeiro contato com a música?

Fernando Atallaia – Eu sempre ouvi e ouço muita Música. Sou um ouvinte nato. E aos 12, 13 anos de idade ganhei um violão e a partir dai comecei a tocar também. Depois disso, retornando às minhas reminiscências, lembro desse momento inicial. Dai nunca mais parei de compor, cantar, tocar, produzir.

03-) RM – Qual a sua formação musical e acadêmica fora música?

Fernando Atallaia – Eu trabalho com Música, Literatura e Jornalismo. Além de músico, sou jornalista e escritor. Dizem que um dos melhores da minha geração, mas nunca acreditei, quando você acredita, fica preguiçoso.

04-) RM – Quais as suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Fernando Atallaia – É difícil estreitar e pontuar as referencias, porque sou um artista que pertenço ao mesmo tempo a duas gerações de Arte aqui do maranhão. Sou um dos poetas ali da década de 1990 e também sou um compositor da mesma década. Eu admiro muito o trabalho que é feito pela minha própria geração e divulgo ao máximo o trabalho dos caras dessa década que também é a minha. Mas no meu som, particularmente, você percebe uma carga muito forte de um romantismo em libelo, de um desespero incontido e de uma poesia em alta voltagem tanto no campo romântico propriamente dito como no Protesto Social.

Já no campo sonoro, é inegável as influencias de John Lee Hooker, Waldick Soriano, Eric Clapton, Bob Marley, Etta James, Joe Higgs, Cartola, Freddy King, Cristóvão Alô Brasil (que é maranhense), Fausto Fawcett, só para citar alguns.

 05-) RM – Quando, como e onde você começou sua carreira profissional?

Fernando Atallaia – Comecei em São Luís – MA lá pelos idos de 1994 e de lá não parei mais. Fundei alguns movimentos musicais e ajudei a criar outros literários. Sempre foi muito isso: Poesia e Música na mesma gradação.

06-) RM – Quantos discos lançados e quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram das gravações)? Qual o perfil musical de cada álbum? E quais as músicas que você acha que caíram no gosto do seu público?

Fernando Atallaia – Eu tenho um disco gravado ao vivo em Pedreiras – MA e produzi duas coletâneas que reúnem grande parte dos músicos e compositores da década de 90. Há várias músicas minhas que caíram no gosto musical de muita gente. ‘Manhãs Ardentes’, ‘Nossa Cena’, ‘Bandeira 2’, ‘A Donzela e O Escravo’. Essas canções estão Youtube.

07-) RM – Como você define seu estilo musical?

Fernando Atallaia – Eu faço uma música que se enquadraria dentro da nomenclatura da Word Music. Eu chamo de MPU (Música Popular Universal). É uma mistura de Samba com Blues, de Jazz com Reggae, de protesto com Poesia. O resultado é a Música que faço.

08-) RM – Como você se define como cantor/intérprete?

Fernando Atallaia – Eu sou mais intérprete que cantor. Eu interpreto as dores do mundo, que, aliás, é o nome de uma canção de minha autoria.

09-) RM – Quais os cantores e cantoras que você admira?

Fernando Atallaia – Eu admiro todas as cantoras brasileiras, latinas, hispano e afro-americanas que conseguiram traduzir a existência na voz: Nina Simone, Beth Carvalho, Célia Maria (que é maranhense) e tantas outras.  Isso serve também para os cantores.

10-) RM – Você compõe? Quem são seus parceiros musicais?

Fernando Atallaia – Sou autor de mais de 300 canções. Geralmente componho sozinho, mas tenho uma única parceria com Rogeryo du Maranhão e algumas 3, 4 com Riba Salgueiro, um compositor da minha geração.

11-) RM – Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Fernando Atallaia – Não há contras quando se é independente. Acredito que todo artista deveria ser independente. O problema é quando o artista se auto escraviza em função de uma estrutura de dependência. E há até aqueles que preferem inclusive, lutam, batalham para estarem inseridos em determinadas engrenagens de dependência como círculos de gravadoras, panelinhas de secretarias de cultura, TV, Rádio, etc. Desses eu até desconfio se são, de fato, artistas.

12-) RM – Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Fernando Atallaia – Minha estratégia é muito simples. Eu tento deixar acessível minha música a todas as pessoas, sem distinção. Sucesso para mim, fama, essas baboseiras todas são consequências. Meu compromisso sempre será com a Arte e com as pessoas. O resto é realmente consequência.

13-) RM – Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver sua carreira?

Fernando Atallaia – Eu tenho uma produtora, meu escritório e o meu trabalho. Tudo que é desenvolvido nasce dessa tríade que funciona de forma coesa e com direcionamentos nas áreas de marketing estratégico, promoção e produção cultural e ações pragmáticas, dentro, é claro, de um conceito formulado por mim quando lancei em 2010 o Manifesto do Movimento Cultural Baluarte.

14-) RM – O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Fernando Atallaia – A internet só ajuda. Não atrapalha em nada.

15-) RM – Quais as vantagens e desvantagens do fácil acesso a tecnologia de gravação (home estúdio)?

Fernando Atallaia – É maravilhoso saber que todos podem ter seu próprio estúdio. Já era hora do centralismo e do monopólio das gravadoras caírem por terra. Essa possibilidade é uma dádiva de Deus.

 16-) RM – No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Fernando Atallaia – A originalidade não se compra por aí. Eu tenho o meu trabalho, o meu som e acredito que as letras que faço apenas eu faço. Eu tenho uma proposta musical que nasceu há 23 anos. Nunca ouve mudança nisso, eu nunca me rendi a nenhum modismo, nunca me deixei seduzir pelo mercado e nem na vida por nada. Sou um cara que pensa a vida, a existência e isso reflete na minha Música, então o meu trabalho musical é um desdobramento da minha visão do Real. No que diz respeito ao meu som, eu faço uma música que atinge a todos, popular, pode tocar aqui em São Luís – MA e na Coreia do Norte, todo mundo gosta curte, sem exceção.

17-) RM – Como você analisa o cenário musical brasileiro? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Fernando Atallaia – O cenário musical brasileiro está em plena e evolutiva decadência. A grande maioria das cantoras canta com a mesma voz; a grande maioria dos cantores tem o mesmo timbre e pensam iguais quando da coisa de trabalhar a carreira. Acredito que mais de 80 por cento do que apareceu dos anos 2000 para cá como MPB não tenha nenhuma qualidade. São repetições pasteurizadas de algo que ”deu certo” por dois, quatro meses, o mesmo refrão e afora que o cantor brasileiro hoje não tem proposta, não tem um conceito. Depois disso, vem o outro lado que é um pouco pior que este, só para completar o corpo decadência: é aquela merda que estão fazendo para vender carro, whisky através da música.

Músicas que não considero música, aquela que faz o cara beber, que promove automóveis, que manda a menininha descer até o chão, essa aberração toda.

18-) RM – Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Fernando Atallaia – Eu penso que todos os músicos que conseguiram até hoje aparar as arestas, os extravios, os excessos merecem ser respeitados. Levar uma carreira artística no Brasil por 30, 40 anos não é para qualquer um: Cauby Peixoto, Roberto Carlos.

19-) RM – Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Fernando Atallaia – Uma vez em Paço do Lumiar – MA, fomos tocar eu e a minha primeira banda, eu era vocal e violão naquela ocasião e a caixa, uma única caixa pegou fogo quando fazíamos uma canção. Senti a fumaça, olhei para trás o baixista estava apagando o fogo com a camisa e dizendo para mim: ”não para, não para, continua levando o som”. Aquilo provocou uma manifestação de risos, geral. Eu não consegui continuar.

20-) RM – O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Fernando Atallaia – Tudo na carreira musical me deixa feliz com exceção da inveja de caras que ao invés de reconhecer o amigo, o parceiro, o artista se este tem algum valor, o gênio criativo mesmo, começam a querer diminuir o cara que é bom no que faz. A inveja é algo muito perigoso nesse meio e na vida, também.

21-) RM – Nos apresente a cena musical na cidade que você mora?

 Fernando Atallaia – A Grande Ilha de São Luís é cheia, repleta de grandes e notáveis artistas. A cena só não acontece porque a politicalha que impera nas Secretarias de Cultura da Capital e do Estado não permite. Querem manter o artista sob as rédeas, sob as migalhas e infelizmente muitos desses artistas obedecem a esse sistema. Essa é a cena a ser apresentada, infelizmente.

22-) RM – Quais os músicos ou/e bandas que você recomenda ouvir?

Fernando Atallaia – Recomendo sempre às pessoas que ouçam a música produzida pelo Terceiro Mundo, pelos povos negros, indígenas, pelos desvalidos e músicos pobres, injustiçados, amaldiçoados propositalmente, excluídos. A Música que sai desse estrato social é a melhor, possível.

23-) RM – Quais os cantores e cantoras que gravaram as suas canções?

Fernando Atallaia – Tem muita gente querendo gravar em São Luís – MA. ‘Bandeira 2’, uma música minha de 2001, gravada por mim em 2004 já tem vários intérpretes. Nos próximos meses, estaremos divulgando as novas regravações. Vamos aguardar um pouco.

24-) RM – Você inscreve as suas músicas em Festivais?

Fernando Atallaia – Já participei de vários festivais de música no maranhão, mas quando tem apadrinhamento é difícil. A tendência é você nunca ganhar. Outros artistas já interpretaram músicas minhas em festivais que anteriormente eu havia participado. Quando a isenção e a imparcialidade são ausentes, a qualidade fica em segundo, terceiro, último plano. Não tenho participado mais, só torço pelos artistas amigos da minha geração.

25-) RM – O que acha da importância dos Festivais de Música para lançar novos talentos para um grande público?

Fernando Atallaia – Os festivais de música popular são uma tradição cultural no contexto cultural brasileiro. São necessários à continuidade do fenômeno cultural como um todo. Se eles não existem ficará uma lacuna irreparável para as próximas gerações. O que é bem interessante para os governos. Aqui no Maranhão, os festivais, por falta de compromisso com a Cultura por parte dos governos passados e o atual, foram extintos.

26-) RM – Você acredita que as suas músicas tocarão nas rádios sem pagar o jabá?

Fernando Atallaia – Eu não tenho preocupação alguma em tocar nas rádios. Quero que minha música toque nas ruas e nas casas das pessoas. Hoje a programação das rádios em geral está tão de péssima qualidade que acho até que seria desonroso tocar nas rádios. Mas como quero que a minha música toque em todos lugares, se as rádios tocarem eu aceito, eu topo.

27-) RM – O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Fernando Atallaia – Faça o seu acorde. Siga a sua história. Seja perceptivo. Não se renda a nada. Não se venda a ninguém. Seja no seu trabalho o que você é na vida, no dia a dia.

28-) RM – Quais as suas principais críticas a mídia?

Fernando Atallaia – A Mídia não existe mais. Se deteriorou. Se esfacelou no momento em que por grana vendeu seu poder de mídia, de formadora de opinião. Hoje em dia se faz divulgação grosseira, qualquer coisa. Mídia enquanto fomentadora, prestadora de serviço social, como equilíbrio, como voz não existe mais. Qualquer coisa pode ser mídia, porque a Mídia enquanto pensamento e reflexão comunicacional já foi pelos ares.

29-) RM – Quais os seus projetos futuros?

Fernando Atallaia – Continuar a lançar os meus trabalhos e nunca me afastar do Espírito Santo. Estar sob a coordenação dele, sempre. Os meus planos são apenas esses.

30-) RM – Quais os seus contatos para show e para os fãs?

Fernando Atallaia – Eu gostaria que os fãs pesquisassem nas redes sociais por Fernando Atallaia e ouvissem minhas músicas e lessem meus poemas. Que acompanhassem minha carreira na Música, na Poesia e no Jornalismo que faço. Creio que não se arrependerão. Podem também adicionar o WhatsApp da minha produção e falar comigo por lá: (98) 9.8864 – 7099 ou acessar meu blog pessoal no seguinte link: http://blogdofernandoatallaia.blogspot.com.br

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.