Alcidéa Miguel

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Alcidéa Miguel
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Alcidéa Miguel é filha de regentes, estudou música desde seus oito anos de idade, nos instrumentos: Violão, Violino e formação teórica e prática em saxofone pela Fundação das Artes em São Caetano do Sul e Canto Popular na Faculdade Fainc.

Com a sua formação superior em Música e Artes, dedicou 25 anos da sua vida a carreira de lecionando musicalização infantil, juvenil e adulto com prática em canto-coral, flauta-doce e violão, ministrando aulas dentro e fora da grade escolar. Ela se  apresenta em inaugurações de bancos, Shoppings do ABC e São Paulo, musicais de Natal, sindicatos,  plenárias e festividades de Prefeituras do Grande ABC, em Hospitais, creches, orfanatos, asilos, eventos, praças, parques (Playcenter), casamentos. Apresentações nos teatros: Teatro de Santo André, São Caetano, São Bernardo, Mauá, São Paulo e nos auditórios de várias cidades e outros Estados como Minas Gerais, Curitiba, Rio de Janeiro.

Tem a sua carreira focada na prática de: Regente de coros graduados, Cantora Solo (Mezzo soprano), Instrumentista solo, Assessorando músicos para o registro de músicas, desde a montagem da partitura da obra inédita até a entrega do certificado, junto a Universidade de Música do Rio de Janeiro, e registro de Marcas e Patentes, Backingvocal em estúdios de gravação. É palestrante em vários assuntos da música e arte ministrado palestras em conferências em Igrejas, Faculdades, escolas de Educação Infantil a Ensino Médio, dentro do Brasil e no Exterior, como Estados Unidos, nos Estados de  Michigan, Kentucky, também em Israel, e estendendo-se até a  Bolívia. É compositora de Jingles e compositora do Hino do Voluntariado da Santo André-SP.

Alcidéa é autora dos livros: “Ainda há tempo para a Esperança” 2012 – 1ª edição 500 exemplares – edição esgotada – Editora Scortecci – SP;  “Eu também chorei na escola” 2013 – 1ª edição 2.000 exemplares – literatura infantil – Editora Giostri – SP. Será lançado “O artista é você”. Tem seus artigos sobre música em jornais, revistas e televisão. É professora de violão, canto e saxofone. Foi candidata a Vereadora em Santo André em 2012 – pelo PDT – Partido Democrático Trabalhista. E modelo publicitário agenciada pela HDA Models. ”Que a música pertença a todos” – Kodaly é a frase que inspira Alcidéa.

Segue abaixo a entrevista exclusiva com Alcidéa Miguel para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01.02.2016:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Alcidéa Miguel: Nasci em Vitória – ES, no dia 27 de maio de 1962.

02) RM:  Qual foi  o seu primeiro contato com a música?

Alcidéa Miguel: Lembro-me aos três anos de idade, sentada na escadaria interna da igreja evangélica cantando com o coral Infantil. Eu já era um dos integrantes do coral.  Na minha lembrança foram os primeiros contatos, lembro-me também eu na mesma faixa etária olhando com atenção o meu pai tocando saxofone.

03) RM: Qual a sua formação musical?

Alcidéa Miguel: Eu estudei Violão desde o oitavo ano de vida, Violino a partir de 22 anos de idade; aos 27 anos de idade estudei Saxofone e regência e na Fundação das Artes em São Caetano do Sul – SP. Estudei teoria e saxofone – fiz especialização com extensão Universitária em Musicalização Infantil nos métodos Kodally e Orff. Formação Universitária – Música e Artes Plásticas – Faculdade FAINC em Santo André – SP.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Alcidéa Miguel: Influências musicais no passado: Os mestres da música, como Beethoven, Bach, Chopin, Mozart, e outros em suas inteligentes Sinfonias…. Caetano Veloso, Djavan, Grupo 14 Bis, Roupa Nova, MPB4, Quarteto em CY, Beatles, Queen, Tim Maia, Gal Costa, entre outros que acompanham esse estilo. No Presente: Marisa Monte, Djavan, Caetano Veloso, Edi Mota, Nenhum deles deixou de ter importância. Todos me influenciaram e continuo ouvindo-os e seguindo-os.

 06) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Alcidéa Miguel: Minha carreira profissional começou no ano de 1989, quando comecei a ministrar aulas de Artes em uma Escola Estadual. E nessa escola iria haver uma Festa para homenagear as mães. Solicitaram-me que eu ensaiasse as crianças e adolescentes a cantarem para os pais, e me desafiaram a fazer um solo da música: “Como é grande o meu amor por você” de Roberto Carlos. Organizei um bonito coral e o Solo. No dia da festa nas apresentações, o sucesso foi tão grande, que já fui convidada para montar um coral num projeto da Prefeitura de Santo André-SP. Na mesma época fui convidada a compor um Hino do Voluntariado da cidade de Santo André, que ficou como Hino Oficial. E assim em todas as festas cantava esse hino e outras canções de MPB, e assim seguiu minha carreira, no Grande ABC, outros estados, países, etc.

07) RM: Fale do seu primeiro CD.    

Alcidéa Miguel: Meu primeiro CD – “MAIS QUE MARAVILHOSO” é um projeto que no final de 2015 saiu do papel e entrou no estúdio. Tem um estilo Pop evangélico, com solos e com louvores, playbacks inclusos. Com cinco canções de minha autoria; uma do meu filho Lucas Vinícius Miguel de Souza (pianista, cantor e compositor); uma do amigo, cantor  e compositor: Gerson Borges; uma do cantor e compositor: Álvaro Tito; duas internacionais: More Than Wonderful (Lanny Wolfe) com versão autorizada “Mais que Maravilhoso” (por  Eduardo Andrade)  e How great is our God (Chris Tomlin) com versão autorizada “Quão grande é meu Deus” (por Marco e Soraya Moraes). As Músicas são ecléticas entrarão no gosto de todas as faixas etárias, mas as músicas que com certeza o publico vai vibrar são: “Eu me alegrarei” (estilo soul), “Quão grande é meu Deus” (adoração), “Vivo Senhor” e “Nada temerei” (rock). O CD tem a participação do Produtor, Maestro e instrumentista: Flávio Calazans e da sua equipe e dos meus filhos com participação especial em uma das músicas.  O lançamento foi em Fevereiro de 2016.

07) RM: Como você define o seu estilo musical?

Alcidéa Miguel: Posso definir meu estilo em: Romântico, POP inspirado na Bossa Nova… Mas sou versátil.  Gosto de vários estilos como: Jazz, Rock Clássico, Erudito, MPB… Acredito que um bom músico é humilde e sempre disposto a valorizar e apreciar o trabalho de outros músicos. Conhecendo assim diversos estilos e seus valores harmônicos, melódicos, rítmicos dentro da capacidade criativa de cada gênio musical.

08) RM: Como é seu processo de compor?

Alcidéa Miguel: Geralmente, primeiro faço a letra, depois a melodia e depois a Harmonia. Mas, já troquei a ordem, isso depende muito do momento da criação da obra. Gosto de está sozinha para compor. Preciso de muita concentração para tal. Preciso viajar na imaginação. Já compus em parceria, e nesse momento estávamos em mais pessoas para compor a poesia. E em todas as vezes que houver parceria, a melodia ficou por minha conta. Tenho cerca de 30 músicas de minha autoria, dentre elas, gospel, secular, jingles.

09) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Alcidéa Miguel: Lucas Vinícius Miguel de Souza, Alexandre Santana, Silmara Rascalha Casadei e prof. José Orlando Jr.

10) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Alcidéa Miguel: PRÓS – O músico independente tem a liberdade de ir e vir para onde quer e abrir a agenda como quiser sem depender do aval de outras pessoas, tem a liberdade de avaliar o Show que pode ampliar a visibilidade da sua carreira com o público que às vezes o produtor não consegue ver. Seu cachê entra integral sem precisar dividir com mais profissionais. Tem total liberdade de escolher o repertório. CONTRA – O resultado para o sucesso caminha mais lento sem um produtor, sem o distribuidor. O músico precisa desse trabalho de equipe de apoio para que tenha espaço para se apresentar, mais propostas e contratos. Sem um empresário, o músico sobe ao palco preocupado com emissão de Nota Fiscal, no recebimento de cachê, nas luzes, na equalização de som, na substituição de equipe, e outros detalhes que atrapalham totalmente o bom andamento da interpretação. O músico não caminha com boa velocidade e produtividade na independência.

11) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco? 

Alcidéa Miguel: Faço contatos pela internet, em congressos, seminários, em apresentações ao vivo, trocando cartões sociais, com pessoas ligadas a arte musical e em geral, para gerar mais datas para shows. Procuro arranjadores experientes e diferentes para arranjar minhas músicas para que apresentem roupagem diversificada. Estou sempre cadastrando contato de instrumentistas, pois sempre precisamos emergencialmente substituir alguém ou acrescentar algum instrumento, de acordo com a encomenda do trabalho musical.

12) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Alcidéa Miguel: Tenho um projeto pronto que envio aos empresários em que busco patrocínio para alguns shows. Mantenho sempre meus instrumentos e acessórios para show bem conservados e materiais de reserva, para que não gaste com reposições inesperadas. Divulgo diariamente meu trabalho nas redes sociais (internet). Faço uso diariamente de Cartão Social, que para mim dá muito resultado. Divulgo meu trabalho em revistas e Jornais como: Folha Sinfônica e outros….

13) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?

Alcidéa Miguel: Para mim, a internet até a presente data tem ajudado muito no resultado benéfico da minha carreira. Isso porque sou cantora e instrumentista. PREJUDICA, é que hoje o público compra menos CDs porque tem acesso a baixar as músicas de sua preferência, o que ajudou muito a pirataria. Resultando em menor consumo de CDs  e DVDs originais. Baixam da internet, deixando os compositores sem muitas vezes ganhar seus direitos autorais. Usam muito PLAY BACK! Antigamente contratavam mais os instrumentistas. Eu tocava muito Violão e Saxofone para cantores, sendo que hoje, os cantores baixam os play backs da internet e cantam sem instrumentistas, sendo que também diminui seus gastos, não precisam dividir o cachê com equipe. O dinheiro entra livre só para o cantor e sonoplasta.

14) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)? 

Alcidéa Miguel: Vantagens: Tem dado a oportunidade as pessoas a realizarem seus sonhos de gravarem suas músicas a baixo custo. Tem se revelado muitos talentos que estavam no casulo. Têm surgido com isso, materiais de Excelentes qualidades sonoras e tecnológicas no mercado. Desvantagens: As portas se abriram para quem não tem dom e quer cantar. A música ficou sem referência, como dizem os “Saltimbancos”: Hoje, todo mundo canta! Muito curioso abriu estúdio no fundo do seu quintal e esta gravando. Mas ainda há tempo de nós, músicos reciclarmos tudo isso e fazermos uma boa música…

15) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar não é mais o grande obstáculo. Mas concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para ser diferencial dentro do seu nicho musical?

Alcidéa Miguel: Tocar o coração das pessoas. Isso é meu diferencial, a INTERPRETAÇÃO. Nessa hora não vai contar a boa voz, a beleza do rosto, do corpo, a bonita roupa, o salto alto, mas o toque do coração. É o que o público esta esperando de mim….

16) RM: Como você analisa o cenário musical gospel brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Alcidéa Miguel: O cenário musical Gospel teve uma ascensão vitoriosa! Evoluiu muito, hoje podemos ouvir em qualquer loja, em qualquer lugar a música gospel sendo cantada por todos. Grandes shows abertos, grandes produções. Isso é fantástico! Bons arranjos, bons cantores. Revelações: Leonardo Gonçalves, Rachel Novaes, Aline Barros, Ana Paula Valadão, Renascer Praise e Vencedores por Cristo. Permaneceram: Leonardo Gonçalves, Rachel Novaes, Aline Barros, Ana Paula Valadão. Regrediu: Renascer Praise e Vencedores por Cristo, dentre outros exemplos, não por falta de qualidade musical. Esses grupos são excelentes! Mas talvez, o que faltou foi investimento de mídia, produção, etc. Eu continuo admirando esses grupos.

17) RM: Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Alcidéa Miguel: Leonardo Gonçalves.

18) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Alcidéa Miguel: Muitas vezes a falta de valorização profissional do contratante. Público inadequado, som e técnico de som inadequado.

19) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Alcidéa Miguel: Mais feliz: o reconhecimento do público. Mais triste: Nosso país Brasil não dar o valor que a arte merece. Temos pouco espaço para apresentá-la e para vivê-la como profissão de forma integral.

20) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Alcidéa Miguel: Em Santo André – SP, têm Teatros e auditórios, alguns ativados, outros desativados. Praças com conchas acústicas. Shows promovidos pela prefeitura, mas com pouca presença de público por falta de divulgação. Grandes espaços abertos para shows somente para admiradores do ROCK. Para outros estilos não há estímulo. Boas apresentações de Orquestras e Coros Eruditos, mas em espaços pequenos que não comportam os moradores da cidade, por isso a maioria não tem acesso a assisti-los. Pouca música nas escolas. Raros corais nas igrejas. Estão extintos. Excelentes profissionais pela cidade procurando espaço e reconhecimento. Cursos ministrados pela Prefeitura em diversos bairros na área instrumental (cordas e sopro) – gratuitos, mas muito pouco divulgados.

21) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora você indica como uma boa opção? 

Alcidéa Miguel: Solista: Eder Palmieri (samba-rock); Instrumental: Robson Miguel (solista violonista); Max Pianura: Piano e Voz (MPB); Lucas Miguel: Piano e Voz (Gospel); Grupo Nuwance: Pagode e Sertanejo: Marcos e Belutti – Sertanejos.

22) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Alcidéa Miguel: Acredito sim. Com muito empenho, divulgação e sem pagar o Jabá.

23) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Alcidéa Miguel: Estudar muito, ouvir muito, ser humilde, ser simpático com os colegas e com o público. E estar na “muvuca”, digo, no meio dos eventos artísticos fazendo contatos.

24) RM: Quais os cantores (as) gospel você admira?

Alcidéa Miguel: Margareth Miguel, Eduardo e Silvana, Leonardo Gonçalves, Rachel Novaes, Aline Barros e Jeanne Mascarenhas.

25) RM: Quais os compositores gospel você admira?

Alcidéa Miguel: Bomilcar, João Alexandre, Álvaro Tito, Ana Paula Valadão, Adhemar de Campos.

26) RM: Quais os prós e contras da sua experiência como professora de música?

Alcidéa Miguel: PRÓS – poder contemplar meus alunos dando frutos hoje na mídia com seus grupos como, por exemplo, o “NUWANCE”, outros no exterior tocando e cantando, outros que seguiram na profissão ou mesmo que partiram para outra área, mas que carregaram dentro de si a sensibilidade e o diferencial que todo músico desenvolve. Vê-los engajados na musicalidade e saber que eu plantei a primeira sementinha. CONTRA: Perceber que às vezes numa classe heterogênea de 30 alunos são somente 15 que gostam de estudar música e que perco grande parte do meu tempo com os outros quinze alunos desinteressados que atrapalham os que têm o dom. Deveríamos trabalhar nas escolas com grupos de interesse, pois assim, nós professores poderíamos estar nos dedicando aos interessados, aos shows, técnicas vocais e instrumentais, tendo nosso tempo melhor aproveitado.

27) RM: Fale do seu estresse como professora de música?

Alcidéa Miguel: Para conseguir manter um padrão financeiro é necessário a fim de completar o sustento de três filhos e ajudar o esposo a mantê-los na Universidade: Medicina, Engenharia e Administração de Empresas, eu sempre tive que dar uma grande carga horária de aulas de música e nos momentos vagos preencherem com Shows. Essa rotina trouxe para mim um grande stresse musical. Teve um momento da minha vida que adoeci de stresse, então meu esposo me levou para viajar para fora de São Paulo para descansar durante um mês e meio. Naquele período, eu estava tão mal que ninguém em minha casa podia ligar o rádio nem o som para ouvir músicas. Eu Não deixava. Música me lembrava “trabalho”. Foi cruel! Mas passou! Amo a música, mas até para trabalhar com música precisa ser de forma equilibrada para não gerar stresse.

28) RM: Nos apresente a sua família musical (irmãos, irmãs, sobrinhos, filhos, cunhados, etc)?

Alcidéa Miguel: Pai Alfredo – regente e saxofonista / Mãe – cantora e regente. IRMÃOS: Regina – Cantora; Cely – Contrabaixista e cantora; Robson Miguel – violonista e Margareth Miguel – Cantora e regente; Rogério – multi-instrumentista (violão, sax, contrabaixo, violino). SOBRINHOS: Nilderson – Cantor; Anderson – Guitarrista; Renata – Cantora e Violinista; Renan – multi instrumentista; Max Pianura – Cantor e Pianista; Tamy – Cantora e Violonista; Jaqueline – Cantora e Viola erudita; Luquinha – Baterista. CUNHADOS: Pimenta (in memorian) Trompetista; Walquer – Violonista; Paula – Cantora; Deise – Cantora. FILHOS: Lucas Vinícius – Cantor, Compositor e Pianista; Daniel – Flauta Transversal; Amanda – Cantora e Pianista. ESPOSOMoacir “Pastor” dos músicos.

29) RM: Quem da sua família musical trabalha exclusivamente com a música?

Alcidéa Miguel: Eu, Margareth Miguel, Robson Miguel e Max Pianura.

30) RM: O que é primordial para trabalhar no mercado gospel

Alcidéa Miguel: Crer nas doutrinas pregadas no Cristianismo, procurar viver as mensagens cantadas, ter conhecimento com as igrejas e agendas das festividades para conseguir espaço para trabalhar. Outro meio é trabalhar com a venda do material gospel que podem serem expostos em feiras, festividades, noites de autógrafos e shows em geral.

31) RM: Quais os prós e contras de trabalhar no mercado gospel?

Alcidéa Miguel: Prós: Levar uma mensagem de esperança para o público e vê-los atingidos e imergidos nesse resultado. Ver a ascensão da música gospel, conhecer como existem valores musicais de qualidade, pessoas que se especializaram até fora do Brasil. Muito bom estar dentro. Contras: a Igreja de um modo geral não vê com bons olhos o músico Cristão que vive da música e toque canções Gospel e Secular. A Igreja quer manipular esse músico, não entendendo que ser músico é uma profissão como as outras profissões, você está inserido em dois lados, só tem que tomar a postura coerente sempre.

32) RM: Quais os vícios do mercado da música secular existem no mercado gospel?

Alcidéa Miguel: Alto valor do cachê para show. Alguns eventos onde a produção é levada ao extremo em matéria de luzes, gelo seco, em detrimento a uma boa palavra e uma boa mensagem de amor. Competição desnecessária entre os músicos

33) RM: Quais as diferenças no mercado gospel da música de louvor para as outras vertentes?

Alcidéa Miguel: A música de louvor vende mais devido as tonalidades acessíveis, letras de fácil compreensão, ritmos que podem ser acompanhados com clareza, dançantes. E suas apresentações são mais envolventes, abrangendo o dia-a-dia do ouvinte, enfim, agradam a maior parte do público.

34) RM: Existe panelinhas no mercado gospel?

Alcidéa Miguel: Infelizmente, sim.

35) RM: Qual as principais diferenças da música gospel no Brasil para a do EUA?

Alcidéa Miguel: Não há muitas diferenças no tocante a melodia, arranjo e harmonia, pois nós brasileiros cantamos muitas versões americanas de músicas gospel, mas as PRINCIPAIS diferenças estão no: Back-in-vocal: os americanos colocam componentes mais maduros para cantar, por se tratar da voz estar mais pronta, encorpada,  enquanto os brasileiros colocam mais os jovens nos grupos. INTERPRETAÇÃO: o louvor brasileiro é mais expressivo e o louvor americano só é mais espontâneo na igreja dos negros. DIFUSÃO: a música gospel americana conquistou um espaço de estarem na trilha sonora de filmes, propagandas, na mídia, enquanto que a brasileira ainda precisa conquistar esse espaço.

40) RM: Existe improvisação de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Alcidéa Miguel: Existe a improvisação sim. Existe músico que tem o dom para improvisar, mas há ainda mais perfeição quando a pessoa se dedica e estuda os fundamentos da improvisação, seus elementos, todo seu conteúdo,  assim soa melhor aos ouvidos.

41) RM: Como atingir a leitura à primeira vista?

Alcidéa Miguel: Muito treino, metodologia.

42) RM: Quais os métodos que você indica para o estudo de leitura à primeira vista?

Alcidéa Miguel: Pozzolli, Solfejo de Alexis Garaudê e Paschoal Bona.

43) RM: Você acredita no Dom musical?

Alcidéa Miguel: Acredito sim. E defendo que mesmo que a pessoa tenha o “DOM”, ela precisa estudar para conhecer os fundamentos, teorias, mais técnicas e ser cada vez melhor.

44) RM: O que é o Dom musical para você?

Alcidéa Miguel: DOM: Significa dádiva, presente. O Dom é uma capacidade especial nata, o indivíduo já nasce com ele. Dom é um potencial para desempenhar com alguma facilidade determinadas tarefas que são complexas para a maioria das pessoas. Este é o fato de certas crianças desenharem bem, outras tocarem um instrumento musical com desenvoltura ou aprender matemática ou artes. Um Dom não é condição suficiente para caracterizar um gênio. Qualquer indivíduo pode ter um Dom. Já um gênio tem, sim, um Dom. Mas na genialidade há algo que a ciência ainda não explica. Quando citamos Mozart, Bach ou Airton Senna como exemplos de pessoas que tiveram um Dom especial, não poderemos excluir o Sr. “João Eletricista” – que em poucos minutos descobre qualquer pane elétrica de uma casa, e  conserta como ninguém. Os nomes citados acima tinham um Dom e também foram gênios. Já o Seu João apenas tem um Dom. Isso para mim é Dom, dádiva, presente de Deus em nossas vidas.

45) RM: Quais os seus projetos futuros?

Alcidéa Miguel: Divulgar cada vez mais meu trabalho dentro e fora do Brasil. Nomear um produtor que trabalhe para mim a fim de abrir espaços para apresentações em programas de televisão, continuar com os shows, gravação e divulgação de CDs.

46) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Alcidéa Miguel – [email protected] | alcid[email protected] |(11) 9.9854-3830 (TIM) | Twitter: Alcidéa Miguel

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.