Ritmo Melodia

 ritmomelodia@hotmail.com

 Sonekka 

 

Se for o fim da canção? Cantemos para nós mesmos!

Julho - 2009

Recentemente houve mais um bombardeio da velha da teoria do fim da canção. Dessa vez foi José Miguel Wisnik com o artigo "Canto para quem? Ele questiona o "fim da canção", mas diz que gênero perdeu atenção e centralidade no país". Como sempre, ele pega o bonde andando.

Em 2004 o Chico Buarque, José Tinhorão e mais uma dúzia de "profetas" (que entendem de música e não entendem de platéia, entendem de harmonias intrincadas e não entendem de mercado, entendem de poesia psicotécnica e não sabem nada de sentimentos populares puros, simples e lineares) já tinham causado barulho com o mesmo assunto.

Na verdade eles lamentam não o fim da canção, mas o fim da canção enquanto fenômeno lucrativo e perene, ou seja, o que o Zé Rodrix chamava "perpetuadores de dogmas". Eles querem convencer todo mundo de que o que eles fazem é muito bom e tudo o mais é lixo. Até o Nelson Mota entrou nessa linha. Outrora um revelador, agora mais um abafador. Acho engraçado o título "Canto para quem?" do Wisnik. Ele nunca cantou pra ninguém, então, está reclamando do quê? Mesmo o Chico, que foi craque camisa 10 - digo, camisa 9- anda fazendo nada em matéria de canção.Passou para os livros e ainda os vende usando o prestígio de compositor, porém com um quinto do talento deste. Ou seja, pra ele, a canção acabou. Livro ainda vende. Em todas as matérias que vejo sobre o assunto, eles giram sempre em torno de Chico, Gil e Caetano. Ou seja, alguém tem que falar para esse povo que a Terra não é o centro do universo. Nem ao menos o Sol é o centro do universo. Que o universo está em todas as partes e essa verdade parcial que apregoam é apenas relativa, refere-se ao encolhido nicho que eles chamam de mídia.

Do meu lado, afirmo que nunca se fez tantas e tão boas canções. Nunca se amplificou tanto os estilos, gostos e influências por isso mesmo segmentou-se tanto as audições que esses sessentões nem se dão conta do que houve com a tal canção.
Avisem os intérpretes que a canção está muito bem e viva. E que eles não precisam ficar requentando eternamente a geração dos anos 60 achando que estão arrasando. Que culpa tem a canção se a indústria que perdeu o interesse em investir nela? Investem em artistas fáceis. Produção em série sempre foi mais barata que mega produções embasadas em músicos caros e artistas marrentos. Eles não conseguem admitir compositores que são advogados, analistas, porteiros, vendedores, médicos, empresários. Preferem enxergar só os compositores que estão atrelados às gravadoras. Fazer o quê? Lamentar e convidá-los para bater um papo sobre novas formas de produção, arrecadação, composição? Não é isso que eles querem. Eles querem apenas ser eternizados como os "gênios insubstituíveis que a música brasileira nunca mais verá"!Não é por aí.

A geração Wisnik não chegou a lugar nenhum porque ficou justamente aplaudindo os que queriam que eles não chegassem a lugar nenhum.

 

*Sonekka - Cantor, compositor, consultor de tecnologia/Informática e criador da rede social www.clubecaiubi.ning.com .

E-mail: sonekka@sonekka.com.br / www.sonekka.com.br