Ritmo Melodia

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 Pedro Osmar

 

Fórum permanente de Música de João Pessoa.

Junho - 2009

                         

Documento inicial com propostas dos participantes: 

MÚSICA PARA A CIDADE:

A música não será mais a mesma. Desde o Musiclube da Paraíba que a música não foi mais a mesma, pois tiramos coelhos da cartola para assar na frigideira do fogaréu das ousadias! Você sabe qual é a onda? A onda é uma nova luz no fim do túnel da música na cidade de João Pessoa: a onda é a ativação do Fórum Permanente de Música de João Pessoa para ajudar a revelar as teias e tramas do processo cultural da música feita na Paraíba, cidade de João Pessoa. Quem vem lá? Músico, cantor, compositor interessado em descobrir qual é a dos entraves e mistérios de nossa profissionalização! Trevas e travas que deverão ser marretadas com a força de nossas idéias de união e respeito.

Você vive de música na cidade? Consegue esse feito? Pois fique sabendo que tem um pessoal se reunindo toda segunda feira para fazer o levantamento inicial de “tudo” o que nos aflige e dificulta. Esta é a notícia da hora: o Fórum Permanente de Música está recebendo colaborações para compor um “documento inicial” que irá servir de trilho para uma melhor compreensão profissional da música na cidade de João Pessoa partir de agora; a partir desses questionamentos básicos os artistas de música foram chegando e dando suas opiniões. A idéia é elaborar um texto que seja à base de um possível movimento pessoense de debate dos “Novos Rumos” que a música possa tomar...   

O que reivindicar? A quem reivindicar? Precisamos de soluções concretas quando o assunto é mercado de trabalho e suas relações com a cadeia produtiva da música. E o músico, onde é que fica no meio disso? Quem pode definir o valor de nossos cachês? Eles ou nós? A Ordem dos Músicos ou o Sindicato dos Músicos? Ou os patrões e os trabalhadores em livre negociação?

A questão é: somos força trabalhadora suficiente para dialogar com as autoridades municipais, estaduais e federais de maneira que sejamos pelo menos ouvidos em nossos interesses? Ou vamos continuar indo no rolo compressor ignorante dos poderosos em suas vaidades tempestivas e irracionais?

Falta-nos ainda ser um “Coletivo de Música” com força política suficiente para impor o respeito que merecemos! Às vezes, em nome da pouca verba e de prioridades equivocadas somos levados pelo bolo do contra-interesse político, que nada tem de artístico ou cultural, e dançamos. Ou pior, nem tocamos para dançar, e dançamos!

Concretamente, o que nós trabalhadores do estado fazemos para garantir a maturidade da formação de um público novo para nossa música, imersa nesse universo de mediocridades do tal do mercado?

Concretamente, o que nós trabalhadores do estado fazemos para atingir um nível mais politizado da necessária e montanhosa consciência de classe? Isso tem a ver com o sindicato? Isso tem a ver com a Ordem dos Músicos? Isso tem a ver com o patronato que nos paga seus míseros cachês? Ou essa coisa de consciência de classe é coisa pra boi dormir? (muuuuuuuuuuuuuuuu...)

Com certeza falta-nos uma combatividade profissional mais politizada para que nosso discurso “brabo” de artista e trabalhador produtivo possa se viabilizar no cotidiano das relações de poder e trabalho! Afinal, para que serve mesmo essa combatividade se somos sempre taxados de xiitas e radicais e marginalizados em pleno exercício profissional de nossa produção criativa? Com certeza, temos muitos desafios pela frente.  

*Pedro Osmar - Cantor, compositor, Produtor Cultural e artista multimídia paraibano. Idealizador do grupo musical e de estudo Jaguaribe Carne.

E-mail: pedroosmar@gmail.com / www.myspace.com/pedroosmar