Pedro Osmar

 

A emoção de ouvir a música do mundo.

Abril - 2009

Vocês imaginam o que é estar no Brasil, na sua região, em seu estado, na sua casa e poder ouvir a música de outros países, principalmente países que nunca tem suas culturas divulgadas no rádio e que raramente aparecem nas TVs? Pois eu fiz este passeio pela música mundial em meu computador, sem sair de casa, pesquisando no youtube e myspace os artistas de continentes e países como Espanha (música flamenca), Índia, Paquistão, África, Oriente Médio, Andinos, Indígenas, Aborígenes, Japão, China, Tibete, Bulgária, entre outros (deixando claro que minha busca é meramente profissional, é uma pessoal, busca de todo dia, por necessidade).

Fico pensando no crime que é um povo não conhecer a música e a cultura de outros povos, e até mesmo a cultura de seu próprio país, por uma questão de censura estética e política, mantida equivocadamente pelos poderes do país, atrasados que estão pelo domínio e pré-domínio da cultura norte-americana que chega por todos os lados, e manda e desmanda nos forçando a engolir goela abaixo coisas de baixo nível de informação e de grande poder de inutilidade. As rádios brasileiras ficam fechadas e proibidas de tocar a música do mundo pelo poderio econômico desses grupos estrangeiros que atrasam a vida do país em décadas e séculos de ignorância, por uma questão meramente comercial, de atender a ganância de grupos econômicos atrasados, de garantir o retorno de seus investimentos, mesmo que isso provoque a morte das culturas locais e nativas. Mas que medo irracional é esse?

Na minha busca pelo conhecimento da música do mundo, comecei pela música flamenca, a música espanhola, que já conhecia através dos filmes de Carlos Saura (Carmen, Sevilhana, Flamenca etc). E bastou um clic: lá estava Lole e Manuel, Camaron de La Islã, Paco de Lucía, Tina Pavon, Susi, Tomatito, entre tantos outros, em toda a força e energia da música cigana que este simples clic coloca ao nosso alcance! Linda e exuberante música flamenca! Depois lembrei do nome de uma cantora indiana que o meu amigo Diógenes Chaves havia me indicado para ouvir ao voltar de uma viagem à França: Sheila Chandra! E lá estava Sheila Chandra cantando um “konacol” lindíssimo, numa participação dela no evento LATER WORLD (with jools holland). De cara já me lembrei de outras cantoras indianas que já havia escutado em meus estudos: Meeta Ravindra, Ramamani e dos mestres Ravi Shankar (sitar) e Ala Raka (tabla).

E fui seguindo na minha viagem ao redor do mundo clicando o nome de Marlui Miranda, para revê-la em seu projeto de defesa e envolvimento com a música indígena brasileira, e lá estava ela, cantando e dançando com os índios de diversas nações, assustadoramente belos em tudo o que fazem e dizem, para filósofo nenhum botar defeito. Aí me pergunto: que política é essa que nos nega o direito de ter uma educação que nos forme para o mundo? Que nos dê condições de entender a sua globalização de uma maneira mais completa e didática? Que política é essa tão limitada e limitante, que faz com que nossos meios de comunicação no país não passem de meros papagaios de potencias estrangeiras ligadas aos estados unidos e Inglaterra?  Na verdade, o acesso ao conhecimento deste “mundo novo” da cultura mundial só está sendo possível graças ao advento e conquista da computação e da informática, que nos permite ver e ouvir o que há de mais avançado nos sotaques de cada cultura dos países que foram criminosamente marginalizados pela grande mídia.

O nosso grito de independência é uma questão de honra! Conhecer o que a cultura de cada país produz para poder trocar idéias com os artistas dessas culturas terceiro-mundistas é uma questão de direitos humanos! O direito à informação e a uma formação mais humanista e aberta, politizadamente mais aberta, é uma questão de luta e conquista política, até mesmo com arma na mão, para que esse direito seja garantido e fique sob nosso controle. E de uma coisa eu tenho certeza: essa abertura para o “novo” de cada país aqui no Brasil, começa com a democratização dos meios de comunicação. Uma das primeiras providências da família real portuguesa ao chegar no país no início da colonização foi a abertura dos portos para  as nações estrangeiras. Na atualidade, a necessidade é a mesma: o governo brasileiro e as demais forças políticas que o sustentam precisam, por uma questão de lucidez e razão política, abrir a cultura do país para a cultura de outros países e continentes, enriquecendo a vida nacional e todas as suas relações de poder através de uma educação mais libertária.

A democratização dos meios de comunicação no Brasil é uma questão de maturidade dos parlamentos e poderosos! O país certamente terá o seu merecido espaço entre as potencias que verá o seu futuro ser conquistado pelo povo que se educou para a vida livre. Arte, cultura, educação e cidadania a partir de um projeto social que dará ao seu povo a possibilidade de um crescimento político mais objetivo. Quem não quer esse avanço?

*Pedro Osmar - Cantor, compositor, Produtor Cultural e artista multimídia paraibano. Idealizador do grupo musical e de estudo Jaguaribe Carne.

E-mail: pedroosmar@gmail.com / www.myspace.com/pedroosmar