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Ritmo Melodia |
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Maurício Nunes |
Que a sorte comece aos 40 anos Novembro - 2011
Os sonhos não envelhecem
também, é o que dizem, mas se tornam reprises dubladas de uma sessão da
tarde, vazia e sem muito sentido. Você começa a perceber tardiamente que
investiu seu tempo, sua pouca grana e acima de tudo boa parte da sua
vida em algo que talvez não tenha valido a pena. Às vezes nem sempre é
bom escutar o coração, pois ele pode ser débil mental não diagnosticado.
Algo que por mais força e fé que você tenha depositado, pode não
ocorrer, pois não depende infelizmente apenas de você. Mas até aí, tudo
bem, afinal a vida nunca foi muito justa e nem vai ser, por mais que os
religiosos de plantão criem suas teorias. Por mais que faça, que prove talento, força, carisma, simpatia e outros atributos, parece que a sorte não quer muito papo contigo. Quando você nasce com DNA famoso ou rico, tudo se torna mais fácil, caso contrário, você depende de duas coisas: talento e sorte. Lamento informar que a segunda tem peso 9 e a primeira 1. Até mesmo um estúpido, pretensioso e grosseiro pode fazer muito mais sucesso do que você se tiver sorte. Com 40 anos você começa a perceber que todos seus amigos de grande coração, estão sempre duros e mesmo assim, generosos e que todo canalha está bem de vida e doido para levar ainda o pouco que você tem. Há uma lição aí, que talvez nós a não aprendemos ou fingimos de conta que não, de que a fama pode ser vapor, a popularidade um acidente e a riqueza ter asas. Eterno mesmo, só o caráter. Aos dez, a melhor fase, eu não fazia idéia do que era ganhar, perder, ter ou não ter, e era feliz. Aos 20 ganhei dinheiro, comprei coisas, mas não era feliz no que fazia. Aos 30, decidi fazer o que gostava, e não fui feliz e nem ganhei dinheiro algum. Aos 40, espero que seja chegada a hora das três coisas se colidirem e eu poder ser feliz, ter dinheiro e me realizar. Dona sorte, não sei pra onde a senhora foi, mas prometo que se voltar, eu lavo, passo, cozinho e ainda faço amor contigo todos os dias, desde que prometa nunca mais me abandonar. E que possamos seguir juntos pela estrada de tijolos amarelos, pois como diria Guimarães Rosa, a felicidade não esta na partida e nem na chegada, mas na travessia. E eu pretendo fazer mais uns 50.000.000 kms de nado livre neste oceano de tubarões, repleto de sereias que me conduzem com seu mágico canto para um lugar que nunca fui, mas que sempre almejei.
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