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Ritmo Melodia |
O Fim do Forró * Por Bráulio Tavares Maio - 01/2011
O forró está sendo
esmagado pelo chamado “forró de plástico”, que é uma musiquinha alegre,
sacudida, boa de dançar, com letras bobas ou ruins com-força. É uma
variedade da lambada; recorre ao palavrão e a dançarinas seminuas, o que
em princípio não é pecado, a não ser quando se torna (como é o caso) uma
receita obrigatória e a principal atração. É duro assistir um show de
uma hora onde a melhor coisa do show são as pernas das dançarinas, e as
frases que fazem vibrar a platéia são apenas as que dizem palavrões (em
geral insultando parte da platéia). Uma ou duas músicas assim... Vá lá
que seja. O show inteiro? Quem ouve isso, e gosta, merece o que está
escutando.
O forró de plástico está
criando a monocultura da produção de uma coisa única, repetida,
uniforme. Monocultura é o contrário de cultura. Cultura é o reino da
diversidade, das manifestações livres dos indivíduos e dos pequenos
grupos. A monocultura é uma imposição de-cima-para-baixo, feita por um
grupo que fabrica e vende uma música igual até que o povo não suporte
mais a música igual mas não saiba mais como fazer a música diferente, e
com isso as duas morrerão juntas. O forró de plástico destrói o forró e
destruirá a si mesmo no futuro. Sua repetitividade e mau gosto esgotam
em seu próprio público o prazer e o significado de ouvir música. Texto -
29/04/2011 *Bráulio Tavares - Jornalista, escritor e compositor paraibano. Este texto foi editado em 29/04/2011 na sua coluna diária no Jornal da Paraíba - Campina Grande - PB (http://jornaldaparaiba.globo.com). Contatos: E-mail: btavares13@terra.com.br / http://mundofantasmo.blogspot.com |