Ritmo Melodia

ritmomelodia@hotmail.com

Alexandre Terreri

 

Mulheres compositoras.

Novembro - 2009

Quando se pergunta a um admirador de música o nome de um artista importante, geralmente os citados são cantores (as) ou bandas. Poucas vezes são citados os instrumentistas e raramente se lembra daqueles se dedicam a criação, que é o compositor.

Ary Barroso, um dos maiores compositores brasileiros, impedia os calouros de se apresentarem em seu programa se não soubessem o nome dos compositores da música. Se muitas vezes esquece-se de citar o compositor, situação ainda pior é a das compositoras. Ao longo da história, muitas mulheres que se dedicaram à composição foram simplesmente esquecidas, por puro preconceito. Muitas até eram obrigadas a usar pseudônimos masculinos para assinar seus trabalhos, pois, além de facilitar a divulgação de sua obra, ser uma artista era motivo de vergonha para as famílias. Tal fato se verifica ainda hoje (e ao longo da história) tanto na música popular quanto na erudita, brasileira ou não, e consiste em um reflexo das dificuldades que a mulher sempre enfrentou (e continua enfrentando) para ser respeitada na sociedade.

Felizmente, algumas pessoas tem se dedicado ao longo do tempo a pesquisar e divulgar o trabalho dessas bravas e talentosas mulheres que desenvolvem essa difícil arte. No Brasil, temos uma pesquisadora que se destaca nessa área há muitos anos. Trata-se da jornalista, musicista e compositora Nilcéia C. S. Baroncelli. Ela dedica-se ao tema desde 1976, tendo publicado um livro chamado “Mulheres Compositoras – Elenco e Repertório”, pelo Instituto Nacional do Livro. Seu trabalho tem servido de fonte de pesquisa para diversos músicos, além de servir de estímulo para que mais pessoas se interessem em conhecer e divulgar essas obras. No livro, encontram-se informações sobre as compositoras, populares e eruditas, brasileiras e estrangeiras. É uma obra de reconhecida importância e frequentemente citada como referência em publicações no Brasil e no exterior, mas que infelizmente não foi reeditada e que raramente é encontrada à venda, mesmo em sebos.

Em recente entrevista, Nilcéia Baroncelli, diante da indagação sobre uma nova edição da obra, declarou que escolhera como suas sucessoras na tarefa de atualizar e dar continuidade à sua pesquisa, duas jovens paulistanas: sua filha Calu Baroncelli (que se encarregaria das compositoras de música popular) e Imyra Santana, violinista que apresentou recentemente seu trabalho de conclusão de curso na USP sobre o tema das mulheres compositoras, a quem caberia a parte da música erudita (http://avozdoviolino.blogspot.com).

De minha parte, deixo um louvor ao importantíssimo trabalho de Nilcéia. E meus votos de que suas sucessoras consigam dar andamento à missão iniciada por ela e a todas as compositoras que leiam esse texto uma dica: entrem em contato com a pesquisadora para fornecer-lhe material e informações (http://mulheres-compositoras.blogspot.com). E a todos os músicos e aos admiradores da música, um lembrete: valorizem os compositores (autores) das músicas e, principalmente, atenção às compositoras! Há muitas e maravilhosas ainda não conhecidas.

*Alexandre Terreri - Produtor Cultural, Diretor Executivo do Instituto Sociartis de Inclusão Cultural e aluno de jornalismo.

E-mail:alexandre@terreriproducoes.com / www.alexandreterreri.blogspot.com