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Ritmo Melodia |
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Alexandre Terreri |
Gracias, Mercedes Sosa. Outubro - 2009 “Há homens que lutam um dia, e são bons. Há outros que lutam muitos dias, e são melhores. Há aqueles que lutam um ano, e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida. Esses são os imprescindíveis” Bertold Brecht. Lembro-me de ter ouvido pela primeira vez essas palavras na voz de Mercedes Sosa (9 de julho de 1935 a 4 de outubro de 2009), quando eu ainda era criança e jamais o esqueci. Procurei saber mais sobre a cantora e sobre Brecht. Ao ouvir as canções de “La Negra”, como era conhecida, apaixonei-me pelo seu modo de cantar, pela sua voz e pela sua postura frente aos problemas da Argentina e da América Latina. Sempre quis assistir a um show da cantora ao vivo, o que consegui em 2008. Valeu a pena à espera. Ela já estava com a saúde debilitada. Cantou sentada e precisava de ajuda para entrar e sair do palco. Mas com maestria mostrou porque se tornou uma lenda da música latino-americana. Encantou a todos com suas canções, sua voz e seu carisma. Impossível não se emocionar com sua presença no palco e seu entusiasmo com as canções. Em alguns momentos, ficava nítida sua vontade de se levantar para dançar. O movimento dos braços fazia às vezes da dança, cuja saúde não lhe permitia realizar. Ao saber que sua saúde nos últimos dias estava muito abalada. Fui tomado pela tristeza em saber que uma grande artista iria nos deixar. Mas ciente que Mercedes Sosa será sempre lembrada. Seja pelo seu enorme talento, sua coerência em defesa dos seus ideais (democracia, ética, liberdade, direitos humanos...). Ao contrário de artistas que se contradizem, defendendo pessoas e atitudes que antes condenavam quando seus interesses pessoais estão em jogo. Ela era peronista (Juan Domingo Perón), condenava e criticava as atitudes do então presidente da Argentina Carlos Menem quando suas atitudes se desviarem do caminho correto. Cantando músicas folclóricas argentinas ou ao lado de artistas de outras nacionalidades, inclusive brasileiros, Mercedes Sosa transformou-se na “voz da América Latina” ao longo de sua carreira. E assim, eternizou-se na história da música mundial. Deixa-nos como última obra um disco duplo intitulado “Cantora”, ainda em fase de lançamento, e já indicado para o Grammy Latino em três categorias. Costumo homenagear os grandes músicos que nos deixam. Não com choro, orações ou presença nos funerais, mas da forma que considero que todos gostariam de ser lembrados: ouvindo suas obras. E no momento em que escrevo esse texto, ouço Mercedes Sosa. E dou “Gracias a La vida” por ter conhecido sua obra e de tê-la ouvido cantar, ao vivo, mesmo que apenas uma vez. Aqui registro meu muito obrigado por tudo que fez pela música, pela América Latina e por todas as emoções que nos proporcionou. *Alexandre Terreri - Produtor Cultural, Diretor Executivo do Instituto Sociartis de Inclusão Cultural e aluno de jornalismo. E-mail:alexandre@terreriproducoes.com / www.alexandreterreri.blogspot.com |