Alexandre Terreri

 

Música para crianças não é brinquedo, não!

Junho - 2009

A arte feita para crianças, inclusive a música, muitas vezes é tratada como uma arte menor. Que não precisa ter tanta preocupação com a qualidade. Grave engano! A criança, é extremamente sincera e não tem nenhum pudor em dizer, o que gosta ou não gosta.

A impressão de que criança aceita qualquer coisa, independentemente de ter qualidade ou não. Vem da crença de que os pais, por levar os filhos aos espetáculos ou compram discos para eles, podem impor à criança o gosto por uma obra. Daí acredita-se que um espetáculo para criança deve pensar somente na facilidade para se chegar ao local e ter um custo baixo. Outro erro é acreditar que a música para crianças deve ser didática ou ter uma “moral da estória” embutida. Criança é um ser imaturo e de pouca idade, mas de forma alguma é burra! Ela sabe muito bem o que quer – e quer se divertir. Se for possível transmitir uma mensagem “educativa” de forma agradável, melhor, senão é melhor se preocupar apenas com a diversão e deixar a educação para outro momento. Há inúmeros artistas que sabem levar arte ao público infantil, de forma inteligente e divertida. Grandes compositores de todo o mundo se dedicaram a fazer obras para esse exigente público, nem sempre com o mesmo sucesso alcançado com a criação de obras adultas. Como exemplo de obras musicais infantis bem sucedidas, cito os discos “Partinpim” (1 e 2), de Adriana Calcanhoto, “Arca de Noé (1 e 2)”, de Vinícius de Moraes, “Canções da Arca”, de Carlos Navas, “Palavra Cantada” (11 CDs e 4 DVDs), de Sandra Peres e Paulo Tatit, “Furunfumfum no Carnaval”, da Cia. Furunfumfum, “Saltimbancos”, de Chico Buarque para ficar entre os mais recentes. Entre os mais antigos, há os inesquecíveis “Coleção Disquinho”, de Braguinha, as “Cirandas” de Villa-Lobos, entre outros.

Para saber se o trabalho irá agradar às crianças, basta seguir a receita da grande mestra da literatura infantil, Tatiana Belinky: “a criança só gosta daquilo que a faz sentir alguma emoção: alegria, raiva, tristeza... Se não sentir nada, a criança não gostará da obra”.

*Alexandre Terreri - Produtor Cultural, Diretor Executivo do Instituto Sociartis de Inclusão Cultural e aluno de jornalismo.

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