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 Alexandre Terreri

 

Carmen Miranda

A notável e centenária brasileira

Fevereiro 2009

Carmen Miranda nasceu em Portugal por um mero acaso, como bem lembra o seu biógrafo Ruy Castro. Já que a sua família estava de mudança para o Brasil quando foi surpreendida pela gravidez inesperada de sua mãe e pelo atraso nos documentos necessários à imigração. Fazendo com que seus pais, temerosos de que a criança nascesse no navio, em condições insalubres, adiassem a viagem e aguardasse o nascimento da criança em Várzea de Ovelha, pequena cidade lusitana, no dia 09 de fevereiro de 1909. Com pouco mais de 10 meses de idade, a pequena Carmen chegou ao Brasil. Ela se tornou, por opção, talento, temperamento, uma brasileiríssima! 

Ao longo de sua carreira, revolucionou a música brasileira, não só pelo seu modo de cantar, mas também de vestir-se e comportar-se. Seus trajes, seus gestos, seu talento e sua alegria contagiante chamavam a atenção de todos. Por todos os cantos, inclusive no exterior. Não demorou e a sua fama extrapolou os limites geográficos de nosso país levando-a aos Estados Unidos. E de lá, via holywood, para o mundo... Ao sair do país para colher os frutos de seu trabalho, ela tornou-se a artista mais bem remunerada de Holywood e levou a cultura e o nome do Brasil para todos os cantos do mundo. Foi acusada de abandonar sua origem e de voltar “americanizada”. Nada mais errado... Tão brasileira era Carmen, que era impossível dissociar sua imagem de nosso país. Problemas cardíacos, agravados pelo uso excessivo e descontrolado de medicamentos, dos quais se tornou dependente, levaram a genial artista à morte prematura em 1955, causando grande comoção no Brasil e no exterior. 

Passados 100 anos de seu nascimento, muito se tem falado sobre a artista, muitas homenagens tem sido e serão (merecidamente) prestadas ao longo do ano. E finalmente, parece que sua importância na cultura nacional é lembrada e reconhecida. Espera-se que esse reconhecimento de seu talento e da importância da preservação de suas obras e de sua memória não volte a ser esquecido. Tão logo cessem as comemorações de seu centenário, como muitas vezes aconteceram com outros grandes artistas.

*Alexandre Terreri - Produtor Cultural, Diretor Executivo do Instituto Sociartis de Inclusão Cultural e aluno de jornalismo.

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