O Músico usando mal as Redes Sociais!

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O Músico usando mal as Redes Sociais!
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Nos anos 2000 o uso das redes sociais começou a se popularizar no Brasil. E os músicos começaram a tatear esse novo meio divulgando seu trabalho musical.

Ter um e-mail e um site era o primeiro passo. Os músicos famosos tinham um em provedor pago. Mas a grande maioria dos músicos hospedava o site em provedores gratuitos. O preço anual de um site arrojado, mais o serviço do provedor podiam ultrapassar cindo mil reais. Ter um site passou a ser sinônimo de status. Nessa época entraram para a galeria de músico independente os músicos dispensados das gravadoras e que criaram seu próprio Selo para se diferenciarem dos Sem Selo. Os sem gravadoras passaram a disputar o espaço nas redes sociais já que não tinham como pagar o “jabá” para manter as suas músicas novas tocando na programação das rádios. A internet permitiu o nivelamento de todos.

Mas quem não tinha um site em provedor pago passou a ser visto como músico amador. Já que o ponto em comum era não serem contratados por gravadora. Os que se mantinham em gravadoras, elas continuavam administrando a carreira deles. Enquanto quem não tinha gravadora tinha que aprender a fazer todo o processo dentro e fora do estúdio e palco. Ser empreendedor era a palavra chave. A carreira musical passou a ser um trabalho liberal e quem não se adaptou a nova realidade perdeu o rumo da história. Alguns passaram a ter a internet como o canto da Sereia. Foram dez anos (2000 a 2010) de supervalorização das redes sociais até a internet se tornar terra de ninguém. É um marketing negativo o músico que tem vários perfis sem tempo para administrá-los. A vida online é em tempo real.

O Orkut, Facebook, YouTube, Skype, MSN e WhatsApp surgem como ferramentas para usuários comuns se relacionarem com parentes distantes, encontrar novas amizades e até relacionamento amoroso (já que tem sites com este foco). Os músicos começaram a usar essas ferramentas como usuários comuns. E logo perceberam que podia usá-las como ferramentas de autodivulgação. Mesmo os criadores de Orkut e Facebook não criando para esse fim. Algo novo, erros e acertos eram naturais.  O erro mais recorrente era misturar postagens pessoais com profissionais.  Pela primeira vez o fã tinha como bater papo em tempo real com seu ídolo e saber do seu cotidiano pessoal e profissional. O distanciamento que o palco permitia entre artista e público acabou. A idealização do artista perdeu a força com o contato dos fãs com o lado comum do ídolo. Alguns artistas colocaram alguém para responder por eles nas redes sociais. Agora a frustração dos fãs é em não ter contato direto com o ídolo, mas com assessoria online. Outro erro comum é a rede social cemitério, o artista com status online, só que não responde no bate papo. Ele só aparece para divulgar suas postagens, esquecendo que em redes sociais, gentileza gera gentileza. Redes sociais como criadouro de celebridade instantânea já não funciona mais. Redes Sociais não levam público a show. Redes Sociais como balcão de vendas só funciona para empresas que pagam para ter seus banners expostos. O nivelamento da música como produto com outros produtos de mercado causa a banalização do seu valor artístico. Música é Arte antes de ser um Produto.

O músico que usa as redes sociais como um relacionamento superficial se nivela ao mau gosto. As redes sociais não eliminaram outras formas de relacionamentos como os fãs e com os meus de comunicações. Alguns músicos se comportam nas redes sociais como modelo fotográfico e apresentador de TV perdendo o foco de ser músico. Quando o músico quer chamar mais atenção que a música que faz trabalha contra a sua carreira musical. As redes sociais após a sua maior idade podem ser sufocadas pela banalização das relações pessoais e sociais. O pescoço do Facebook está na guilhotina.

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.