Elmo Oliveira

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Elmo Oliveira
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O cantor, e sanfoneiro pernambucano Elmo Oliveira é filho do sanfoneiro, acompanhou o pai desde cedo nos “forrós de latada” das redondezas.

Como influência – além do pai – cresceu ouvindo a obra de Luiz Gonzaga e seus seguidores, no rádio de pilha. Quando mudou para Ouricuri, cidade vizinha ao seu torrão natal, o universo musical foi se apresentando de forma mais acessível. Depois de várias passagens por várias bandas de baile, cria junto aos irmãos um grupo novo: “Os quatro irmãos”. Em 2008 os irmãos juntos, formam o grupo de “Baião mais Eu”, com a matriz do forró: Elmo (sanfona), Nenem (zabumba), Cyellda (triângulo) e Neudo (violão e voz). Em 2008 lançam o primeiro álbum – “Matutando”. No mesmo ano, 2008, Elmo Oliveira torna-se compositor da nordestina quando em parceria com Flávio Leandro faz a canção “Duvideodó” gravada no mesmo ano por Flávio Leandro e, também pelo grupo “Baião mais EU”. O grupo, em sua formação original, gravou dois discos e um EP, além de vídeo clipes. Em 2018 o grupo lançará um novo álbum em comemoração aos 10 anos.

Dois anos depois, Flávio Leandro gravou em seu segundo DVD, mais uma parceria dos dois: “MSN”, com participação de “Os Nonatos”. A música “MSN” cai no gosto dos forrozeiros (as) e entra em seguida no repertório do disco “Xoteamar” de Santanna, O cantador, juntamente com outra cantiga: “Tem pareia não”, parceria de Elmo Oliveira e Neudo Oliveira. Em 2013, Adelmário Coelho gravou a canção “Farpas e alfinetes” que esteve entre as dez mais tocadas das rádios do Nordeste. Hoje vários forrozeiros cantam a poesia de Elmo Oliveira como: Adelmário Coelho, Flávio Lenandro, Santanna ‘O cantador’, Alcymar Monteiro, Ana Paula Nogueira, Baião mais Eu, Sotaque Nordestino, Neto Andrade, Tácyo Carvalho, Danilo pernambucano, Leninho de Bodocó, entre outros. Graças à força das suas canções gravadas por grandes nomes da cena musical do nordeste, Elmo segue a sua caminhada paralela ao grupo, com shows, recitais. Bem como o seu irmão, Neudo Oliveira (também compositor) que lançou um disco – “Desafio”. Elmo além de compositor, sanfoneiro; é também poeta, declamador, e estará lançando este ano, 2018, o disco intitulado – “O frasquinho de fotoxope” (poesia matuta).

Segue abaixo entrevista exclusiva com Elmo para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01.05.2018:

 01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Elmo Oliveira: Nasci no dia 05 de setembro de 1973 no sítio Gernol, zona rural de Bodocó, no interior de Pernambuco.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

 Elmo Oliveira: Por ser filho de sanfoneiro, no interior do nordeste, cresci vendo meu pai tocar nos forrós de latada das redondezas. “Pirritotim”, já tocava zabumba pra ele, e aí, foi um pulo pra começar “bulinar” na sanfona do “véi”.

03) RM: Qual a sua formação musical e formação acadêmica fora da área musical?

 Elmo Oliveira: Na música, um autodidata. Fora da música, o ensino médio completo – Curso de técnico contábil.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Elmo Oliveira: Do passado – e ao mesmo tempo muito presentes: Luiz Gonzaga, Marinês, Jackson do pandeiro… No presente, sou admirador de quem se mantém fiel à sua proposta musical, sem arredar pé pro modismo.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

 Elmo Oliveira: Em 2008, quando fundamos – meus irmãos e eu – o grupo de forró “Baião mais Eu” e, lançamos o disco – “Matutando”, onde se destacou a canção “duvideodó”, que no mesmo ano foi regravada por Flávio Leandro e que foi minha porta de entrada para a cena musical do nordeste, como compositor. Ah! A cantiga é uma parceria minha com Flávio Leandro.

06) RM: Quantos CDs lançados (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que se destacaram?

Elmo Oliveira: Enquanto grupo, são 02 CDs e 01 EP, Ambos de forró. No “forno”, disco solo para 2018 mais um disco de poesia matuta. O primeiro disco foi gravado no “sonido record”, em Ouricuri – PE, com participações de amigos músicos da cidade. Destacaria as canções: “Duvideodó” e “Matutando”. Os outros dois e o terceiro foram gravados no “Áudio Brasil Estúdio”, em Monteiro – PB, com participações de músicos paraibanos. Destaques: “Te amo e três pontinhos”, “MSN” e “Cavaleiro solitário”.

 07) RM: Como é o seu processo de compor canção?

Elmo Oliveira: Não há uma regra. Às vezes a canção vem em momentos de concentração; outrora, em lugares povoados, como a feira livre, por exemplo.

08) RM: Quais são seus principais parceiros musicais em composição?

Elmo Oliveira: Não diria principais, mas, vou citar dois com quem tenho feito algumas canções emblemáticas: Flávio Leandro e meu irmão/parceiro, Neudo Oliveira.

 09) RM: Quem gravou as suas músicas?

Elmo Oliveira: Adelmario Coelho;  Santanna, O cantador; Flávio Leandro; Alcymar Monteiro; As Severinas; Tácyo Carvalho; Baião mais Eu, claro (riso)…Ufa! Muita gente boa! Todos da linha Gonzaguiana!

10) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Elmo Oliveira: Prós: A liberdade de poder fazer o que gosta; Dirigir seu próprio trabalho com o seu tempero sem ter que se sujeitar às amarras das linhas de um contrato; e, não acabar tendo que tocar, cantar, dançar o que não gosta. Contras: As barreiras impostas por um sistema que o tempo todo inverte os valores. Parece que, a música tem que ser ruim, para “prestar”!? Pra “eles”, claro!

11) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

 Elmo Oliveira: No passado, gravar um disco era meio caminho andado. Hoje, gravar é o ponto de partida, literalmente. Mas, hoje em dia sopram ao nosso favor os ventos das mídias sociais, e aí, tenho procurado, com as minhas verdades, coerência – no que faço e no que digo (nas canções) – cativar um público fiel, nas minhas “redes”.

12) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

 Elmo Oliveira: Vantagens: É de fácil acesso às bandas iniciantes que não têm recursos para pagar grandes estúdios. Produção a um baixo custo, comparado aos grandes estúdios de gravação. Desvantagens: Há uma demanda muito grande, sem se preocupar com o conteúdo, com o mais importante: A música.

13) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Elmo Oliveira: O que nós entendemos por forró é aquele que conserva a tríade sagrada: Sanfona, triângulo e zabumba – ainda que sejam agregados quantos elementos/instrumentos quiserem. Outra preocupação de um forrozeiro, sobretudo os compositores, é o zelo empregado em suas letras. Infelizmente, invertem-se os valores; a grande massa entende que é forró o que a grande mídia diz que é; Sendo assim, destacaram-se quem pouco se preocupou com os valores… Permaneceram, com obras consistentes, artistas do naipe de Flávio José, o próprio Luiz Gonzaga (imortal) e tantos outros que se preocuparam, e que se preocupam, em manter a sua proposta, ainda que muitas vezes com a faca nos dentes.

14) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Elmo Oliveira: “Todas as opções citadas na pergunta estão corretas!” (risos). Uma cena um tanto atípica – quando músico de uma banda – foi a seguinte: Por não disporem da energia necessária (110 w) para o Teclado, no palco, tive que tocar “chiqueirado” da banda, há mais ou menos 30 metros de distância do palco aonde estava a banda, e próximo da mesa de som. Horrível!

15) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Elmo Oliveira: Feliz: Saber que o que fiz o que faço é por ter uma base, um alicerce (a cultura do nordeste), poderei deixar de herança sem me envergonhar de nada. Triste: Ver toda essa inversão de valores que assola a nossa música brasileira.

16) RM : Quais os fatores que faltam para uma cidade universitária e de forte comércio como Campina Grande, ter um mercado melhor para a profissão de músico?

 Elmo Oliveira: “Nordestamente” falando… No geral – com raríssimas exceções – faltam gestores que saibam de fato o que representa a cultura do nordeste para o mundo. Gestores que deixem de tratar seus artistas como “artista da terra” – detesto esse termo! – e os tratem como artistas, de fato.

17) RM: Campina Grande que realiza o Maior São João do Mundo já deu oportunidade para você apresentar seu trabalho musical?

Elmo Oliveira – Não estive ainda no grande São João de Campina Grande. Espero em breve poder participar, por se tratar de uma das maiores vitrines, principalmente para a música do nordeste.

18) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com João Gonçalves?

Elmo Oliveira: Não o conheço pessoalmente. Acompanho seu trabalho, principalmente através das mídias sociais.

19) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com Amazan?

Elmo Oliveira: Amazan é uma das grandes personalidades da nossa música, destacando – se a irreverência… E ainda, um grande empreendedor com sua fábrica de acorden/sanfona “Leticce”.

20) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional Marinês?

Elmo Oliveira: Não a conheci pessoalmente. Mas a obra, claro, é espetacular!

21) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com Luiz Gonzaga?

 Elmo Oliveira: Não o conheci pessoalmente. Infelizmente! Luiz Gonzaga é a nossa luz guia… Salve seu Luiz!

22) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com Dominguinhos?

 Elmo Oliveira: O retrato da simplicidade do povo nordestino, apesar do seu tamanho perante o mundo.

23) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com Flávio Leandro?

 Elmo Oliveira: Um grande amigo. Um grande parceiro de música. O cabra que me abriu as portas para que eu me tornasse compositor da música nordestina.

24) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com Flávio José? 

Elmo Oliveira: Um dos maiores nomes da nossa música. Espero ver/ouvir canções minhas gravadas por ele. Ainda não tenho (risos).

25) RM: Fale da sua relação pessoal e profissional com Ademario Coelho:

 Elmo Oliveira: Já tive a honra de ter a minha música gravada por esse camarada. Adelmario é um dos maiores forrozeiros do Brasil. E, quando eu falo “forrozeiro”, é forrozeiro “mermo”!

26) RM: Fale da sua relação pessoal e profissional com Biliu de Campina:

Elmo Oliveira: Biliu é uma das grandes referências da nossa música – do coco, principalmente!  – Salve o irreverente, Biliu!

27) RM: Fale da sua relação pessoal e profissional com Zé Calixto?

Elmo Oliveira: A família Calixto, representada por , é a manutenção da Sanfona de 8 Baixos / Pé de bode. Quando criança, já ouvia Zé Calixto na radiola (com um fone na tampa), vendo meu pai “apontar” alguns dos seus instrumentais.

28) RM: Fale da sua relação pessoal e profissional com Jorge de Altinho?

 Elmo Oliveira: Uma figura excepcional! Como artista, como compositor. É uma das nossas maiores referências. Salve Jorge!

30) RM : Fale da sua relação pessoal e profissional com Alcymar Monteiro?

 Elmo Oliveira – É do mesmo time dos outros! Recentemente gravou uma canção minha em parceria com Flávio Leandro: “MSN”.

33) RM: Você acredita que sem o pagamento do Jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

 Elmo Oliveira: “Aqui e aculá”!

34) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

 Elmo Oliveira: A caminhada é árdua… Mas, fazendo o que gosta, imprimindo a sua personalidade, vale!

35) RM: Quais os projetos futuros?

Elmo Oliveira: Para 2018: Um disco autoral com releituras de músicas minhas gravadas por grandes nomes mais músicas inéditas. Um EP de poesia matuta, que já está no forno. Além de outros projetos que irão depender do andar da carruagem.

36) RM: Quais os seus contatos para show e para seus fãs?

Elmo Oliveira: (87) 99988 – 9305 | 99101 – 4903 |

[email protected]| www.facebook.com/elmooliveira.compositor | www.instagram.com/poetaelmooliveira | www.youtube.com/user/elmocompositor

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.