Israel Filho

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O cantor e compositor pernambucano Israel Filho em 1979 recebeu um convite para cantar ao lado de Luiz Lua Gonzaga, no primeiro forró existente em Recife (PE), o “Forró Cheiro do Povo”, mais especificamente na cidade de Olinda, por onde cantou por aproximadamente um ano.

Em 1980 foi para São Paulo e continuou trilhando o caminho da nos shows e pelos muitos Festivais de Música pelo Brasil. Em 1984 após tornar-se campeão do 1º FEMÚSICA na cidade de Apucarana (PR), partiu definitivamente para o caminho da música e entrou na gravadora Copacabana, onde gravou seu primeiro LP “Origens”. Em 1985 gravou pela PolyGram o LP “Sabor de Framboesa” e em 1987 gravou o LP “Gosto Bom”, um disco com muito xote, baião e arrasta-pé.

Mas, em 1990 que Israel começou a mudar a sua carreira, gravando seu quarto LP ”Sonho Vadio”, o qual trazia uma música que seria o seu grande sucesso: “Ai Que Saudade D’ocê” e daí em diante ele começou a despontar para o Brasil como uma das grandes revelações da Musica Regional. Em 1990 ganhou o Prêmio Sharp de Música. Em 1991, ganhou o Festival “Canta Nordeste” promovido pela Rede Globo. Em 1992 ganhou dois prêmios no Novo Festival da Record, como revelação e melhor letrista. Em 1992 lançou seu primeiro CD – “Saudades de Gonzagão”, em homenagem ao eterno Rei do Baião e novamente foi classificado para o mais um Prêmio Sharp de Música como melhor cantor regional. Em 1994 lançou seu novo disco “Amigos Pro Que Der e Vier”. Em 1996 lançou seu CD “O Barqueiro”. De lá pra cá Israel foi aperfeiçoando o seu trabalho e mostrando um estilo bem peculiar, misturando o som da sanfona com a viola, a zabumba com os violinos, o triângulo com o violão, e fazendo o seu trabalho bem diferenciado do que normalmente é feito em sua região, mostrando assim um leque mais aberto dentro de seu estilo , para que pudesse através de sua versatilidade cantar em outras regiões do Brasil.

Em 1996 teve a sua uma linda canção “O Sol da Manhã” gravada por Roberta Miranda. Em 1999 lançou o CD – “Pose de Valente”, onde foi cantar em New York, num grande show em homenagem a Luiz “Lua” Gonzaga, fazendo brasileiros e americanos cantarem juntos as coisas regionais de nosso Brasil. Em 2000 lançou uma coletânea “Canto Regional Brasileiro”, onde trouxe um xote arretado que compôs quando esteve em New York, “Forró em Nova York” homenageando este ritmo bem pernambucano. Em 2003 lançou o CD “Farra e Forró” e teve como destaque o baião “Na sombra do Juazeiro”. Em 2004 lançou um CD especial em homenagem à cidade de Caruaru, chamado de “Caruaru Festança” e em seguida lança sua segunda coletânea “Muitos Brasis”, reeditando musicas que marcaram em sua carreira e também com a participação do saudoso Luiz Lua Gonzaga quando apresentou Israel ao povo brasileiro como um de seus seguidores, e ainda faz uma linda homenagem aos eternos ídolos brasileiros Ayton Senna, Pelé e Gonzagão na faixa título “Muitos Brasis”.

Em seguida lançou o CD “Atalhos do Coração” e mesmo dentro de sua regionalidade brasileríssima, trouxe neste trabalho uma linguagem muito romântica em forma de xote, baião e toada, abrindo o leque de possibilidades para continuação do trabalho além de épocas e fronteiras, onde se destacam: “Atalhos do coração”, “Solidão nunca mais” e “Casinha ao pé da serra” de sua autoria, além de composições de autores consagrados como Accioly Neto nas faixas “A natureza das coisas” e “Saudade da Boa”, e também Flávio Leandro, o poeta do sertão assinando as faixas “Fuxico”, “Tempo” e “Feliz da vida”, trazendo, porém uma grande surpresa no romantismo exótico da faixa “Ponto G” de autoria dos Nonatos, os poetas da Paraíba.

Em 2012 fez uma homenagem a Luiz Lua Gonzaga e compôs “Saudades de Gonzagão”, que abre o seu CD em homenagem ao saudoso Rei do Baião, para ser divulgado em todo Brasil, tendo inclusive participado de uma grande homenagem ao Rei do Baião no programa Sr. Brasil em 08/12/2012, apresentado pelo seu amigo Rolando Boldrin. Em 2013/2014 lançou o CD “O Cantador do Mundo”, com muito xote, baião e até ritmos caribenhos, um CD recheado de muita alegria, com destaque para as faixas “De Liverpool ao Maranhão”, “Miami Beach” a música título do CD “O Cantador do Mundo”.

Lançou agora uma coletânea de vários sucessos de trabalhos anteriores e que objetiva difundir ainda mais o forró Gonzagueano pelo Brasil afora. Tem se apresentado em espetáculos abertos para grande público em shows dançantes, com músicos e bailarinos, como também tem um trabalho voltado para um show mais intimista quando se apresenta em teatros e com um número menor de músicos, exibindo um repertório eclético que vai da toada à MPB.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Israel Filho para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 22.12.2017:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Israel Filho: Nasci no dia 27.05.1953 em Caruaru (PE).

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Israel Filho: Mascote da Banda de Músicos em Surubim (PE).

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Israel Filho: Músico e cantor por intuição – Curso Superior de Informática. Analista de Sistemas.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Israel Filho: Influências no passado e atuais: Roberto Carlos, Renato e Seus Blue Caps, Beatles, Gonzagão, Rolando Boldrin, Almir Sáter, Jair Rodrigues e Belchior.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Israel Filho: Em 1984 ao lançar o primeiro LP – “Origens” pela gravadora Copacabana.

06) RM: Quantos CDs lançados, quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que entraram no gosto do seu público?

Israel Filho: O primeiro LP – “Origens” em 1984 (Copacabana). O segundo LP – “Sabor de Framboesa” (PolyGram). O terceiro LP – “Gosto Bom” (PolyGram). O quarto LP – “Sonho Vadio” (Continental). O quinto LP e primeiro CD – “Saudades de Gonzagão” (Sony Music). O sexto LP e segundo CD – “Amigos pro que der e vier” (Jaboticana). O terceiro CD – “Canto Regional Brasileiro”. O quarto CD – “Pose de Valente” (Jaboticana). O quinto CD – “Caruaru Festança” (Jaboticana). O sexto CD – “Muitos Brasis” (Jaboticana). O sétimo CD – “Atalhos do Coração” (Jaboticana). O oitavo CD – “O Intérprete”. O nono CD – “Saudades de Gonzagão”, relançamento (Jaboticana). O décimo CD – “O Cantador do Mundo” (Jaboticana). O décimo primeiro CD – “Eternas Canções” (Jaboticana). Décimo segundo CD – “São João em Caruaru ao vivo”.

 07) RM: Como você define o seu estilo musical?

Israel Filho: Estilo musical: Brasileiríssimo com características regionais da MPB.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Israel Filho: Não estudei técnica vocal, aprendi a cantar por intuição artística.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Israel Filho: Técnica vocal e cuidado com a voz são de suma importância para todo artista.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Israel Filho: Marisa Monte e Luiz Gonzaga.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Israel Filho: Não existe preparação, simplesmente acontece o fato, uma saudade etc.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Israel Filho: Não tenho parcerias fixas.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Israel Filho: Roberta Miranda, Flávio José, Adelmário Coelho, Fabí Morena e outros mais.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

 Israel Filho: Prós: Liberdade de cantar o que nos vem na alma. Contra: O Jabá oficializado (pagamento para tocar uma música sistematicamente na programação diária de uma Rádio).

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Israel Filho: Bom relacionamento com músicos e ser atencioso para com os fãs em geral.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Israel Filho: O contato corpo a corpo com os contratantes, amostragem do material de trabalho.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Israel Filho: A internet só ajuda em nossa carreira, pois é um veículo livre para divulgação.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Israel Filho: A vantagem é a independência total das gravadoras em que sempre havia em algumas, muita gente sentada no lugar errado sem nenhuma especialidade técnica ou conhecimento musical.

19) RM : No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Israel Filho: Procuro não ser escravo do modismo e procuro estar sempre atualizando o meu trabalho para o meu público e geralmente resgatando músicas que não se ouvem mais com tanta frequência tocando nas emissoras que são escravas do modismo.

20) RM : Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Israel Filho: O forró na verdade sofreu uma grande inversão de valores, assim como grande parte da música regional e da MPB, revelações é difícil citar assim como também não seria ético dizer quem regrediu, mas prefiro dizer artistas que se renderam ao modismo.

21) RM: Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Israel Filho: Oswaldinho do Acordeon, Niltinho Rodrigues (Trumpetista), Paulo Rafael (Guitarra).

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Israel Filho: Receber uma declaração de amor de uma fã na cidade de Carpina (PE), escrita em mais de 10 metros de papel nos anos 90 quando cantava no palco do São João, o que me deixou emocionado pela sua emoção, pureza e simplicidade.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Israel Filho: O que me deixa mais feliz é sentir o verdadeiro carinho do público exaltando um grande respeito e admiração pelo nosso trabalho. O que me deixa triste é vê pessoas que nada têm a ver com a nossa cultura brasileira gerindo a administração junto a muitos falsos empresários e atravessadores que até nos distancia um pouco do público.

24) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Israel Filho: Moro em Recife (PE), conhecida como a terra do frevo, porém que já deixou de ser a muito tempo, pois não existe a devida valorização para com a sua cultura verdadeira. O que desmotiva muitos cantores de frevo a não mais lançarem músicas carnavalescas pela grande dificuldade de execução ao longo do ano e muito pouco durante o carnaval.

25) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora, que você indica como uma boa opção?

Israel Filho: Bia Villa Chan (Cantora e Instrumentista), João Neto (Guitarrista e cantor), Fabí Morena (Cantora), Rosana Simpson (Cantora), Luciano Magno (Guitarrista e arranjador), Quartinha (Zabumbeiro – O Bitcho), Ednaldo MoraesO Mago (Baixista e Guitarrista), Ito (Baterista), Edson Ganso (Percussionista)  André Leal (Sanfoneiro) e Hugo Rafa CastroMamulengo (Tecladista).

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Israel Filho: Minha música toca em emissoras decentes e que não cobram cachê, mas sim pela dignidade do reconhecimento ao nosso trabalho, abrindo espaço para mostrarmos a nossa arte em prol da nossa cultura brasileira. Nas que cobram o “jabá”, eu nem vou.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Israel Filho: Abraçar com amor a carreira a seguir, mas com certeza ter muito autocrítica.

 28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Israel Filho: Os Festivais de Música sempre foram a minha estrada e através deles consegui ganhar o Prêmio Sharp de Música em 1990, considerado o Óscar da Música Brasileira. E em seguida fui Campeão do Primeiro Canta Nordeste produzido pela Rede Globo em 1991 e em 1992 ganhei os prêmios de Revelação e Melhor Letrista do Novo Festival da Record.

29) RM: Na sua opinião, hoje os Festivais de Música ainda é relevante para revelar novos talentos?

 Israel Filho: Com certeza o Festival de Música se levado a sério será uma grande vitrine para revelar novos valores.

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Israel Filho: De um modo geral a grande mídia é muito repetitiva, ou seja, muitas emissoras já pegam o trem andando e não têm a capacidade e intenção de fazer o trem andar, abrindo espaços para quem tem uma estrada construída com muito suor e dignidade.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Israel Filho: Ainda não participei destes projetos, mas tenho certeza absoluta que são necessários demais para que se ofereçam espetáculos simples e belos, onde existe com certeza uma valorização cultural real, principalmente pelo público tão especial.

32) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizado?

Israel Filho: Em muitas bandas hoje não existe o compromisso de manter a tradição, porém procuro me ater ao forró Gonzagueano, pois foi a través de Luiz Gonzaga que se criou uma nação de forrozeiros que literalmente cantam a alma de seu povo.

33) RM: Quais os seus projetos futuros?

Israel Filho: Meus projetos futuros e atuais consistem em levar a canção em forma de poesia através da toda, do xote, do baião, enfim, buscando difundir a verdadeira linguagem de um povo através da musica regional brasileira, junto à viola, à sanfona e a zabumba.

34) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Israel Filho: (81) 9.0764 – 2428 | 9. 8111 – 0481 | 9.9227 – 2772 | [email protected]

Israel Filho - cateogry

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Criada e editada desde 2001 pelo jornalista, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa. A revista divulga a música (popular, regional, instrumental e erudita) e os músicos brasileiros. Sejam bem-vindos!