Emerson Uray

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O cantor, compositor e violonista paraibanos Emerson Uray lançou quatro CDs e é um músico conhecido nas noites paraibanas e em várias capitais da região nordeste e Festivais de no sul do país e no exterior.

Estudou música no DART- UFPB e cursou Licenciatura em Geografia Universidade Estadual da Paraíba – UEPB e Direito pela Faculdade de Ciências Sociais e Aplicadas- FACISA. Aprendeu tocar violão logo cedo e já na adolescência agitava a vida cultural de Campina Grande se apresentando nos bares nos anos 80. Ele foi deixando na memória do público a suavidade de sua voz e a firmeza do seu ritmo. Emerson se apresentou várias vezes no Festival de Inverno de Campina Grande, participou de grupos musicais e com eles se apresentou em várias capitais nordestinas mostrando sua perfomance vocal. Fez a abertura de shows dos cantores Chico César, Nando Cordel, Jorge Vercillo, entre outros. Lançou em 1999, seu primeiro CD – “Boas Novas”, uma produção independente, rendeu prêmios, críticas favoráveis e o convite para participar do Festival de Jazz de Montreaux, na Suíça.

Em 2004, lançou o segundo o CD – “Trilogia Negra” que traz várias composições próprias e em parceria com compositores e músicos da Paraíba, faz uma mistura entre os ritmos africano e americano, indo do reggae ao soul, das baladas pop ao blues, buscando transmitir ao público uma ideia de liberdade e amplitude.

Em 2009, lançou o terceiro CD – “Colar de Pérolas”, que faz uma releitura de algumas músicas dos CDs – “Boas Novas” e “Trilogia Negra”, e trazendo músicas inéditas, como “Borborema” e “Colar de Pérolas”. O CD traz ainda regravações, como a música “Cores Vivas”, de Gilberto Gil, que ganhou um toque regional.

Lançou em 2017 o CD – “NEGUIM DE URAY E GUIA, IMBIRAS 252”. O atual trabalho exalta a minha origem, e resistência aos preconceitos trazendo uma mensagem de amor incondicional a natureza e as pessoas. No CD homenageio aos seus pais Urai e Guia e a cidade de Campina Grande.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Emerson Uray para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 15/01/2017:

 01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Emerson Uray: Nasci no dia 26 de dezembro de 1963 em Campina (PB).

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Emerson Uray: Foi quando criança na rua com colegas que tocavam em escolas de samba Noel Rosa, Bamba do Ritmo. Eu cantava, mas sem o compromisso de integrante das escolas de minha cidade. E em casa com meu pai (Uray) nas festas da família. Meu pai tocava pandeiro, ele dividiu apartamento com Jackson do Pandeiro em Recife (PE) quando jogava no time do América e Jackson trabalhava em uma das rádios. Ele contava histórias desse tempo e gostava de cantar sambas.

03) RM: Qual a sua formação e formação acadêmica fora da área musical?

Emerson Uray: Eu estudei harmonia musical no DART (Departamento de Arte da UFPB). E sou formado em Licenciatura em Geografia e Direito. A princípio, aprendi tocar Violão sozinho. Mas depois fui buscar informações com alguns mestres como Mazinho do Violão (músico de baile de bandas da minha cidade), Letinho (músico de João Pessoa) foi outro professor de violão. E fui ao DART conhecer mais sobre teoria musical e harmonia. Depois tocando na noite, e os livros a respeito de técnicas musicais me aperfeiçoei. Há dois anos tenho estudado muito harmonia e improvisação de violão e guitarra parte prática e teórica, violão midiado e tecnologias de equipamentos eletrônicos. Faço o curso em João Pessoa, com o professor Leo Porto.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Emerson Uray: Influência na MPB, Gilberto Gil, Caetano Veloso e etc. E com a música internacional, com a música Negra americana e africana. Todas essas influências continuam presentes e importantes na minha carreira musical. Cantei durante muito tempo o repertório de Gilberto Gil, imitando ele e tendo nele o principal dos artistas no primeiro momento. A técnica do canto e os detalhes na presença no palco. Depois a própria labuta e limitações me fizeram encontrar o meu próprio caminho. Todos continuam com a mesma importância, mesma valoração, agora, acrescentou-se mais, como Chico Science o projeto mangue beat foi uma coisa muito bacana, tem uma influência muito grande, tem também Luiz Gonzaga, Djavan, Luiz Melodia, Maicon Jackson, Bob Marley, Stivie Wonder, o próprio rei Roberto Carlos. São muitas as influências. Eu sempre vivo escutando. Tem figuras que são atemporais. Não existe vanguarda maior e nada mais moderno que Gilberto Gil, uma figura que transcende o tempo. E vivo escutando também sempre o novo que aparece, como por exemplo, Jorge Vercillo.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Emerson Uray: Cantando na Igreja, em casamento com amigos. Mais precisamente na família Florêncio, Dona Lourdes e seus filhos. Esta família que falo, ainda hoje tem Ricardo que toca e canta. E Fábio e João marido de Inaudete Amorim (cantora e Diretora Comercial da Rádio Campina Grande FM). Passado esse primeiro momento, eu formei uma banda de nome “Metamorfose” com Gera, Fábio Florêncio e Joel. Tocávamos no Bar Gamação (próximo ao Teatro Municipal Severino Cabral). Depois que a banda acabou, passei a tocar mais o Violão e estudar e fiz um repertório para cantar acompanhado do Violão. Um ano depois fui tocar nos Bares Barroco, Aplauso, a partir daí, não parei mais.

06) RM: Quantos CDs lançados (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que se destacaram?

Emerson Uray: CD – “Boas Novas” em 1999. Uma produção independente lançado no 24º Festival de Inverno de Campina Grande (PB). O CD rendeu prêmios, críticas favoráveis e o convite para participar do Festival de Jazz de Montreaux, na Suíça. Participação dos músicos Sérgio Gallo, Glauco Andreza, Carlinhos Moreira, Helinho, Guegué, Moisés Freire, Carlinhos Coco, Ithamar, Geraldo Pinto, Costinha, Azeitona e Ednaldo. As músicas são composições da Cassandra Veras, Gera Brito, Jorge Castor, Emerson Uray, Ferreirinha, Luciano, Tininha da Timbalada, Silvestre Almeida, Ivo Daera, Capilé e Genésio Tocantins. Neste CD a música mais tocada nas rádios foi: “Boas Novas”.

CD – “Trilogia Negra” em 2004 traz várias composições próprias novas e em parceria com compositores e músicos da Paraíba. E faz uma mistura entre os ritmos africanos e americanos. Indo do reggae ao soul, das baladas pop ao blues, buscando transmitir ao público uma ideia de liberdade e amplitude. Participação dos músicos Geraldo Pinto, Beto Piller, Geovani Leão, La Ilton, Sergio Gallo, Glauco Andrezza, Carlinhos Moreira, Paulinho Pelli, Janaí, Costinha e Helinho. Como compositor e produtor, o saudoso Silvestre Almeida. Tendo a música: “Quem mandou Mandela Amar?” sendo o destaque deste trabalho.

CD – “Colar de Pérolas” foi lançado em 2009. Traz uma releitura dos trabalhos apresentados nos CDs: “Boas Novas” e “Trilogia Negra”. Trazendo também trabalhos inéditos, como por exemplo: “Borborema” e “Colar de Pérolas”. Considero este trabalho, um filho da maturidade. “Colar de Pérolas” reúne músicas que já integravam a minha trajetória artística, em coletâneas musicais gravadas com parceiros e no repertório dos meus shows. Fui buscar no baú da carreira de 24 anos, tesouros que pudessem ser relidos com a lente da maturidade musical, somados aos talentos perolados dos amigos cúmplices na paixão pela música. O trabalho traz elementos novos para o meu perfil musical, acho que representa a identificação cultural de Nordestino e de Paraibano. Eu coloquei a sanfona, a rabeca e o pandeiro, e dei uma conotação toda especial ao trabalho. Logo na abertura, antes da primeira música, há uma saudação feita por Geraldo da Rabeca ao som do violino e do pandeiro, uma junção que mostra bem o ecletismo do CD. Em que é possível escutar o Samba, o Xote e a Bossa Nova. Este último estilo marcando a homenagem aos 50 anos da Bossa Nova, com a música “Bossinha”, de Marcelo Meira Leite. Buscando sintonia com a cultura e a política contemporânea, no momento em que os Estados Unidos elegem o primeiro presidente negro de sua história. No “CD – Colar de Pérolas” duas canções com a temática da negritude: “Quem mandou Mandela amar?” em parceria de Silvestre Almeida e Geraldo Pinto e as inéditas: “Axé” de Gera Brito; “Clara Filha”, de minha autoria e Fábio Dantas; “Colar de Pérolas” de Cassandra Veras e “Borborema” de Gera Brito. “Borborema” é uma das canções especiais, que rendeu, inclusive, duas ilustrações no CD. Uma delas a foto da rua Maciel Pinheiro. Para mim ela é o coração de Campina Grande. O CD – “Colar de Pérolas” traz ainda regravações, como a música “Cores Vivas”, de Gilberto Gil, que ganhou um toque regional. A inclusão do trabalho de Gil é uma marca da reverência minha ao cantor baiano, alimentada desde quando o eu cantava nos bares da Rainha da Borborema.

Considero o CD – “Colar de Pérolas” o trabalho mais coletivo, com músicos de Campina Grande e de João Pessoa. Talentos jovens e talentos amadurecidos. E com profissionais de formação erudita unidos aos formados no bojo da cultura popular. É um conjunto de conhecimentos e diversidade que consegui reunir. Ao todo são 22 músicos e 19 instrumentos musicais que se revezam ao longo das 11 músicas do CD produzido por mim. A música destaque nas rádios foi “Borborema”. Da rabeca ao piano, da sanfona ao cavaquinho. Uma mistura instrumental e de estilos que somada às letras sutis resultaram em “Colar de Pérolas”.

Participei do trabalho coletivo, que resultou no CD – “Conexão 200”, coletânea que reúne trabalhos de doze cantores da MPB. E de shows realizados durante O Maior São João do Mundo e Micarande. Além de ter ampla participação no cenário cultural local, colaborando para uma maior visibilidade de seus artistas e profissionais.

Lancei em 2017 CD – “NEGUIM DE URAY E GUIA, IMBIRAS 252”. O atual trabalho exalta a minha origem, e resistência aos preconceitos trazendo uma mensagem de amor incondicional a natureza e as pessoas. No CD homenageio aos seus pais Urai e Guia e a cidade de Campina Grande. O novo trabalho tem uma simbologia importante no resgate da história, dos valores culturais, étnico e religiosos.  As letras, os ritmos mostram a riqueza da nossa multiculturalidade, do sincretismo religioso e cultural e traz uma mensagem de amorosidade e respeito à diversidade.

07) RM: Como é o seu processo de compor canção?

Emerson Uray: De muitas formas, às vezes a música e a letra vem juntas de uma vez; outra vez eu escrevo a letra e passo para alguém colocar a melodia. Outras vezes, eu faço a melodia e peço para alguém pra colocar a letra. Enfim, de diversas formas. Ás vezes algumas coisas encomendadas, eu pego alguns pontos principais como, por exemplo, música para político, e componho a letra e a música.

08) RM: Quais são seus principais parceiros musicais em composição?

Emerson Uray: Eu componho sempre que estou só. E os parceiros são: Geraldo Pinto, Silvestre Almeida (in-memorian), Ferrerinha, Luciano Monteiro, Ivo Daera, Carlinhos Moreira , Paulo Aquino, Wellington Regadas, Gelda Moura, Fábio Dantas.

09) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Emerson Uray: São muitas as dificuldades. Não poder apresentar todo tempo nossa música. Ter que passar a maior parte do tempo cantando as músicas dos autores consagrados para manter a vida financeira. É matar um leão todo dia para continuar fazendo o que gosta. Cantar e ser feliz cantando, é um dom de Deus que tem que ser aproveitado em benefício de todos. É muito grande esse benefício.

10) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Emerson Uray: Eu procuro fazer o melhor do que faço usando a tecnologia que hoje trabalha a favor. E continuo compondo as músicas no estilo que eu escolhi para fazer arte usando os meios de comunicação que existe que são variados. Em verdade o mercado tá mais concorrido, mas qualidade a gente não encontra muito, as coisas são muito diversificas, e algumas tem qualidade e outras não. Então, sempre faço um trabalho de qualidade seguindo a mesma lógica do início, não tem outra forma de fazer um bom trabalho a não acreditando naquilo que sempre fez, claro com modificações tecnológicas como eu disse como bandas e grupos de pessoas que sempre trabalharam comigo há mais tempo, que conhece a minha linha de raciocínio musical.  Então na verdade é isso, é usar a tecnologia a favor num trabalho com qualidade poética, melódica e harmônica e assim seguir em frente. A disputa é grande, mas, se seu trabalho tem qualidade vai encontrar espaço para aparecer. O sucesso depende muito daquilo que você acredita, e eu acredito no que faço.

11) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Emerson Uray: A vantagem é a qualidade do que você tem no processo, a qualidade do trabalho que você tem. A desvantagem é que é caro, é uma coisa que ainda é cara. A tecnologia é cara, tanto para você se ter pra você, quanto pra você locar, pra fazer um trabalho num estúdio locado. As duas formas são caras. A vantagem é que se tem qualidade, rapidez, hoje é tudo mais rápido, mais eficiente. Mas é caro das duas formas.

12) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Emerson Uray: A internet ajuda porque é um meio de comunicação, um meio de mostrar um trabalho de forma rápida pra muita gente. Atrapalha por que essa informação não só é a minha, é muita gente lá informando, mostrando muita coisa ao mesmo tempo, muita coisa de qualidade e muita coisa que não tem qualidade nenhuma, mas que tá lá ocupando o espaço. Enfim, tem um lado bom e um lado ruim. É um espaço de divulgar, onde não existe a grande mídia pra divulgar trabalho da gente, e a internet favorece a divulgação. A internet é um fator preponderante para divulgar, e atrapalha nesse sentido que não só sou eu ocupando esse espaço, tem muita gente lá, é uma disputa muito grande que tem muita coisa boa, mas, tem muita coisa ruim dentro desse processo.

13) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Emerson Uray: Eu estou produzindo clipes. Eu mesmo escolhendo as músicas que eu acho que podem virar hits, fazendo os meus clips e colocando na internet pra divulgar. Além de parcerias com supermercados, casa de shows, enfim em espaços possíveis que possam sem feitas parcerias par que as coisas aconteçam.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Emerson Uray: Até chegar ao palco, a escolha de músicos pra acompanhar, a gravação do disco, a escolha de repertório, a própria composição de músicas, a parceria entre os artistas próximos, que tem a mesma linha de pensamento musical. E depois de tudo isso a questão administrativa, buscar parceiros pra juntos chegar até ao palco. Não tem outra forma de chegar até o palco senão captando seu próprio projeto, através de parcerias, enfim, a parte burocrática buscar gente que possa trabalhar junto também e buscar os caminhos legais. Lei de incentivo a Cultura já fui atrás, mas hoje não vou mais. Prefiro buscar parceiros próximos, os amigos, pessoas conhecidas que acreditam no que eu faço e seguir em frente.

15) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Emerson Uray: Jorge Vercillo, Os filhos de Simonal, Jair Oliveira, Luciana Mello, apareceram algumas as grandes cantoras como Roberta Sá e outras mais. Estas estão aí e estão crescendo. Regressão, eu não gosto de falar desse tipo coisa não, a regressão não. Não da pra fazer este tipo de comentário à distância não. Até porque tem que tá perto pra saber o que tá acontecendo com o artista, pra falar se ele declinou, se ele andou pra traz. À distância, eu prefiro não fazer este tipo de comentário.  E a música brasileira, o cenário da música brasileira é um caos. Nós vivemos um verdadeiro caos. Uma indústria musical que quer vender um produto como se fosse sabonete e consegue. Com essa música sertaneja que a gente vê ai, que de sertaneja não tem nada, misturando os ritmos, enfim, vivemos uma decadência muito grande, não por falta de artistas e de artistas competentes e capazes, mas porque quer se vender cultura como se vende sabonete na prateleira de supermercado. Qualidade de artistas, grandes músicos, grandes compositores temos. O que falta é esta diversificação que não existe na grande mídia. A grande mídia vende durante um determinado período um estilo, depois deixa este estilo de lado e vende outro. Saímos da música sertaneja masculina e agora estamos entrando agora no “feminejo” que não passa de uma verdadeira falta de capacidade de querer mostrar o que é bom, até porque, agora eu vou citar Zé Ramalho ”Êh, ô, ô, vida de gado povo marcado êh…”. Na política, na sociedade  na cultura também não é diferente

16) RM: Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Emerson Uray: Ed Mota, Jorge Vercillo, Gilberto Gil, Paulinho da Viola, João Bosco dos que me vem à mente agora, são estes.

17) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

 Emerson Uray: Cantar e não receber, produção que eu cheguei na casa e tinha três mesas. Ser convidado para show coletivo e quando chega lá, tem uma artista que tem mais nome e essa artista começa, faz o show antes de você. Deveria ser o contrario, né. Como é mais conhecida “segura o publico”, então eu deveria começar fazer o show, a preliminar, né. Mais de uma vez aconteceu isto, e você termina indo cantar para dez gatos pingados, por que você foi tocar, foi cantar depois da atração principal da noite.

18) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Emerson Uray: Feliz em saber que faço a coisa certa e que existe gente que quer me escutar, que vai para os lugares para me escutar, inclusive as minhas músicas, isso me deixa muito feliz. Ter plateia e ser cumprimentado pelo que faço e que gosto de fazer.  E triste porque o espaço na grande mídia pra que todo mundo tenha conhecimento do que você faz é quase nenhum, é pouco. Melhorou muito, mas a cena ainda precisa de muito mais espaço, porque nós temos muita coisa boa e aí eu me coloco entra essas coisas boas. Então a minha tristeza é não ter mais espaço pra mostrar o que eu faço.

19) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Emerson Uray: No rock: Moisés freire, na MPB: Robert Gonçalves, no samba: Gitana Pimentel, Eloisa Olinto: samba e MPB, no reggae: Gabriel Caminha, na MPB grandes artistas como: Adília Uchoa, Fabio Dantas, Kátia Virginia, Janine, Tony Dumond e Mano Marques, outra estrela. No chorinho: Marcelo Meira, Duduta e Vaguinho. São estes nomes que me vem à mente agora. São essas figuras que fazem a cena musical em Campina Grande.

20) RM: Quais os músicos e bandas locais que você recomenda ouvir?

Emerson Uray: Choro Novo, Duduta e seu regional, Albatroz, Adília Uchoa, Mano Marques, Jorge Ribbas, Giordano Fragoso, Gabriel Caminha, Kátia Virginia, tem mais gente, mas esses são os que me vem na mente agora.

21) RM: Quais os fatores que faltam para uma cidade Universitária e de forte comércio como Campina Grande, ter um mercado musical melhor?

Emerson Uray: Reconhecimento por parte da administração municipal de que os músicos existem, e que o ano inteiro em Campina Grande toca todos os estilos de músicas nos bares, nas casas noturnas que e isso tudo faz com que o dinheiro circule na cidade. Que o investimento não seja só no São João. Mas que seja durante o ano inteiro, através de leis de incentivo a cultura através de projetos dentro do Teatro Municipal e Teatro Rosil Cavalcante, Teatro Elba Ramalho, levando música pra dentro desses espaços a rede municipal, pra formar novas plateias, estou falando em música, mas pode se pensar em cordel, teatro, dança enfim, na cultura como um todo. Deve ser feito com todos os campos das artes. Na hora em que a gestão do município entender que isto é importante as coisas caminha. Lembro-me de bem que, na época da gestão da prefeita Cozete Barbosa foi feito um movimento dessa natureza e foi um sucesso e não se gastou muito não, pelo contrário, se ganhou muito.

22) RM: Campina Grande que realiza o Maior São João do Mundo gera de fato um mercado profissional para os músicos locais nesse período?

Emerson Uray: Não. Em Campina Grande, não existe na prefeitura nenhum projeto, que incentive e que valorize os artistas. Existe uma secretaria que tem sido usada só para dar cargo a político que perdeu a campanha, e para seus apadrinhados. A lei de incentivo a cultura não funciona. Não existe política pública de cultura, não existe incentivo de ordem nenhuma. A gestão (do prefeito Romero Rodrigues) municipal atual é uma das piores pra cultura de Campina Grande.

23) RM: O que falta para o Festival de Inverno ter o mesmo destaque que o Maior São João do Mundo?

Emerson Uray: Falta tudo, tudo, tudo, tudo, tudo.

24) RM: Campina Grande que faz o Maior São João Mundo, tem espaços para dançar forró fora do mesmo de junho?

Emerson Uray: Tem. Hoje existem alguns espaços, porque existem empresários, que estão interessados em ganhar dinheiro. E aqui, ali, tem alguma coisa. Mas, o que é imperativo o ano todo em Campina não é só forró. Forró só acontece no mês de junho, Campina não é só forro é muito mais que isso. Só que os Governos e os demais gestores não querem ver isso.

25) RM: Quais os outros gêneros musicais que é forte em Campina Grande?

Emerson Uray: A MPB é o ano inteiro, mas não tem a mesma força que já teve há tempos atrás, mas o ano inteiro está na vitrine. Hoje o rock tem uma função muito importante, a música regional só no São João mesmo, agora vem sendo tocado um pouco. E a “febre“, é o sertanejo e “forró de plástico”. Se você tocar em um Bar tem que tocar músicas Sertanejas e o “forró de plástico”, porque é o que toca nas rádios.

26) RM: Quais os principais espaço de música ao vivo em Campina Grande?

Emerson Uray: O Bar do Cuscuz é o que tem uma estrutura maior e envolve um maior número de artistas e toca todos os estilos. O Restaurante Picanha 200 também está na cena. O Campina Grill, o Bar do seu Manuel,  Casa Galioto, o Saloon Bar, o Banana Beer, etc.

27) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Emerson Uray: Atualmente toca sim. Não como eu gostaria, mas que toca, toca. Algumas rádios tocam. Não em todas. Deveria tocar mais, mas infelizmente eu não tenho dinheiro para bancar.

28) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Emerson Uray: Que é muito difícil, complicado, concorrido e às vezes desigual entre os seus pares, mas se o faz feliz, é sua paixão, é o que gosta de fazer e que não existe nada mais importante e que estimule mais, que siga em frente. Agora a disputa por um cachê, faz com que as atitudes não sejam coerentes, mas é lindo ser artista para mim. No meu caso, é a melhor coisa que existir no mundo é ser artista, poder tocar um instrumento, cantar, criar, fazer uma música. Isso pra mim é muito especial. Todos os dias eu agradeço a Deus por isso.

29) RM: Você estudou técnica vocal?

Emerson Uray: Há muito tempo quando ensaie participar do coral da FACMA. Eu estudei técnica de canto, impostação de voz. Mas a minha técnica é muito particular, muito pessoal, vai além dessa técnica que a mim foi demonstrada. É uma coisa meio que intuitiva que deu certo. E que por ter dado certo, e os cuidados naturais que eu tenho com a voz me permite cantar com uma extensão vocal bem interessante.

30) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal para a saúde vocal?

Emerson Uray: É muito importante. Estudando técnica vocal você usa a respiração no tempo certo para cantar as frases da música por inteiro. É uma questão de saúde vocal. Quem estuda técnica vocal, tem o professor para mostrar a necessidade de você não tomar água gelada, de evitar ar condicionado e determinadas coisas que é importante saber para manter a voz boa. Aquecer a voz antes de cantar, uma porção de coisas necessárias para ter uma vida útil da voz. É muito interessante. Na FACMA foi muito importante fazer e adquiri outros conhecimentos, além da técnica, sobre a importância da voz e os cuidados a serem tomados.

31) RM: Quais os prós e contras de ter uma carreira profissional paralela a carreira musical?

Emerson Uray: Prós, é que você vai ter sempre a segurança de ter uma grana fixa. E na hora que a música não tiver dando grana você vai ter como pagar suas contas.  O ruim é não se dedicar totalmente a música ou a qualquer carreira artística, isso diminui as suas possibilidades de ter repercussão nacional. É importante ser só artista, caso tenha o sonho de uma carreira com repercussão no cenário nacional e mundial. Mas se quer garantir o seu futuro com mais segurança tenha um trabalho paralelo, pois, a arte é uma carreira de insegurança financeira. O artista ou compositor pode estourar nacionalmente, ser muito rico ou pode não acontecer nada. E o comum é o artista ou um compositor ter pouco espaço para trabalhar e pouca visibilidade local e a batalha diária para ganhar pouco.

32) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com João Gonçalves?

Emerson Uray: Não existe relação nenhuma. É um grande compositor e tem muita coisa bacana, um grande representante da música regional, um artista de verdade. Conheço e admiro o trabalho dele.

33) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com Amazan?

Emerson Uray: Relação de fã.

34) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional Júnior Cordeiro?

Emerson Uray: Conheço. É uma artista bacana. Tem um trabalho legal. Tenho muito respeito.

35) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com Socorro Lira?

Emerson Uray: Conheço através do trabalho dela, bastante representativo pra cultura popular nordestina. Tenho uma relação social. Não sou muito próximo dela.

36) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com Gabmar Cavalcanti e Kátia Virginia?

Emerson Uray: Já gravei com Gabi no disco de Fábio Dantas – “Conquista”. Ele já foi músico nos espetáculos: Vias abertas e Eu e outros artistas e Fabio Dantas e ele tocava piano na época. Ele tocou no show ”Sol e Lua”, que foi um show meu e da Kétia. Foi um grande espetáculo em que eu representava o sol e Kátia a lua. Fui próximo deles, tivemos em alguns momentos muito perto um do outro, mais do Gabimar do que da Kátia. De Kátia mais profissionalmente e tenho um maio respeito. Gabi, saudosa memória. E Kátia, para mim é a maior cantora do Brasil. Eu ter participado de shows com eles é um motivo de orgulho e satisfação de ter conhecido tão de perto um extraordinário músico, um maestro genial, um gênio. E a Kátia também.

37) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com Tann?

Emerson Uray: Não tenho nenhuma relação pessoal nem profissional. Vejo notícias que ele canta. É um seresteiro né, está fazendo uma seresta aqui, outra ali. Só isso mesmo. Em alguns eventos coletivos que participei, ele também participou, mas a relação é só isso mesmo, bem informal.

38) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com Tony Dumond?

Emerson Uray: Conheço de muito tempo. É um artista que vem crescendo, desenvolvendo um trabalho regional agora. Ele enveredou a princípio pela MPB, mas depois ele se encontrou no forró, no xote, nessas coisas assim. Muito esforçado. Ele tem me dado um apoio, por eu está morando em João Pessoa, e ele lá em Campina Grande e por ser bem alinhado com o pessoal da mídia local. Eu sempre consigo, através dos contatos dele, umas entrevistas nos meios de comunicação local. Ele sempre está com parceria com esse pessoal, e aí favorece ao artista que ele ache que é importante botar na cena e isso é muito bacana.

39) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com Alquimedes Daera?

Emerson Uray: Um dos maiores compositores da Paraíba, infelizmente ainda não foi reconhecido. Extraordinário músico jazzista. Uma pessoa fácil de arranjar parceria e é meu parceiro musical. Eu acho  ele uma pessoa extraordinária como artista e tenho uma relação muito próxima e íntima de amizade.

40) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com Biliu de Campina?

Emerson Uray: Super original. E canta as coisas Jackson do Pandeiro, mas tem uma característica muito particular de fazer música. Sou fã, admirador. Agora teve uma participação numa música que eu fiz: “O prestígio é meu”. Eu o chamei para fazer essa participação e ele, gentilmente e de forma magnífica colocou a voz dele. E só enriquecendo a música e valorizando o meu trabalho.

41) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com Eloísa Olinto?

Emerson Uray: É uma das artistas que eu tenho o maio respeito, que está chegando com muita força, que tem um trabalho consistente e não é do “oba, oba” da música da hora. É uma pessoa que tem as bases solidificadas no Choro. Casada com Vaguinho, um grande músico, que tem um estúdio muito bacana. Eu acredito muito, acho que é o presente e o futuro da nossa música.

42) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com Gintana Pimentel?

Emerson Uray: Conheço-a, mas não tenho nenhum tipo de relação.  Escuto, Vejo na net, já vi cantando pessoalmente. É uma artista nova também que está chegando, está aí se mostrando, está na cena da música de Campina Grande e João Pessoa. É uma pessoa que está aí, está na cena e espero que  se dê bem. Ela tem uma voz legal e uma presença bacana no palco.

43) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com Jorge Ribbas?

Emerson Uray: Somos amigos, contemporâneo de um tempo. E Jorge tem um trabalho muito bacana. Além de professor Universitário na área de música, é um cara que ensinou muita gente a ler e escrever música. Ele tem a escola MUSIDOM para formar bons músicos. Então, tenho todo respeito do mundo por ele. Já participamos de Festivais de Música juntos, e fui o melhor intérprete e a minha música foi a terceira colocada. Tocamos em outros shows, um raro prazer tocamos  duas vezes juntos. Está com um programa online, o POEMUS, em parceria com a UEPB – Universidade Estadual da Paraíba. É muito bacana, está fazendo um resgate e um registro de todos os artistas do compartimento da Borborema e porque não dizer da Paraíba.

44) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com Capilé?

Emerson Uray: Relação muito boa. Já cantamos em espetáculo, eles participou dos meus dois recentes lançamentos de CDs. No primeiro CD, tem uma música dele e de Genésio Tocantins, “Pé de bambu”, que ele me cedeu carinhosamente para eu colocar uma música muito legal no CD. Enfim, é uma relação de amizade, amizade distante, por que cada um tem as suas atividades.  Ele é sempre muito respeitoso e carinhoso. Pra mim é um dos grandes artistas de Campina Grande e da Paraíba.

45) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com Pepysho Neto?

Emerson Uray: Nenhuma. Conheço dos bares, da noite, só isso.

46) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com Fábio Dantas?

Emerson Uray: Amigo irmão, parceiro. A primeira vez que subimos ao palco Teatro Municipal Severino Cabral, fomos nós dois juntos. Temos parceria numa música chamada “Clara Filha”, que eu fiz a letra e ele compôs a melodia. Participamos de muitos eventos juntos: eu, ele e Fábio Viana (in-memoriam). Amigo, tenho verdadeira paixão por ele. É uma das melhores pessoas que eu conheço no meio e fora do meio musical. É uma amizade pessoal.

47) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com Fidélia Cassandra?

Emerson Uray: Tenho amizade por Fidélia. Participamos de shows juntos, somos contemporâneos. É uma pessoa que eu mantenho uma relação de amizade, carinho, respeito. Ela já cantou uma música minha, cantei uma música dela. Essa música “Sol e Lua” é uma composição dela.  Uma pessoa que admiro demais, poetisa, escritora, intelectual.

48) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com Sócrates Gonçalves?

Emerson Uray: É um jovem talento que desponta. Está mostrando trabalho aí. Tenho profunda admiração pelo trabalho dele. Tá na cena. Correndo atrás.

49) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com Tina Dias?

Emerson Uray: É uma grande artista e tenho profunda admiração. É muito competente. Foi backing vocal no meu recente CD e  em algumas músicas que eu compus agora há pouco. Muito competente, muito capaz, saber fazer as coisas. Tenho alguma amizade, nos conhecemos há algum tempo.

50) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com Lucy Alves?

Emerson Uray: Só de fã mesmo. Conheço-a de passagem, de falar um oi, tudo bem? Fã. É uma grande artista, multi-instrumentista e merece estar onde está. Que está crescendo. Está aparecendo na cena nacional. Fico feliz, mais uma paraibana se destacando.

51) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com Nino?

Emerson Uray: Relação só de fã mesmo. Conheço o grande compositor de grandes sucessos. É outro que orgulha muito os paraibanos.

52) RM: Quais os projetos futuros?

Emerson Uray: Os projetos futuros já são presentes, estou compondo muito, fazendo muita música, já tenho músicas novas para entrar no estúdio. E continuar trabalhando, compondo o maior número de músicas possíveis, arranjando, estudando muito guitarra, estudando violão, aprendendo a tocar melhor, a cantar melhor. Estou num momento de muita inspiração de muita felicidade artística. É o meu momento e o que eu tenho para o futuro é o meu presente produtivo.

53) RM : Quais os seus contatos para show e para seus fãs?

Emerson Uray: (83) 9.9149 -1821 | [email protected] | Emerson Uray

Instagram:  Emersonuray

Emerson Uray - cateogry

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Criada e editada desde 2001 pelo jornalista, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa. A revista divulga a música (popular, regional, instrumental e erudita) e os músicos brasileiros. Sejam bem-vindos!