Nilson Chaves

O compositor, cantor e violonista amazônico Nilson Chaves um dos grandes representantes da música da Amazônia com reconhecimento nacional e internacional pelo trabalho desenvolvido buscando sempre uma linguagem poética e musical na sua arte de cantar a região.

09Com 27 discos gravados, sendo 5 vinis, 16 CDs e mais 5 DVDs, Nilson ganhou o Prêmio Sharp de 1994 com o CD – “Não peguei o ita”, o CD – “Waldemar”, em parceria com Vital Lima, foi indicado entre os dez melhores CDs brasileiros do ano 1994 pela crítica do jornal “O Globo”.

Lançou em 1997 o CD – “Amazônia brasileira” com Sebastião Tapajós na Europa, pelo selo Alemão Tupirama Music, quando também foi incluído entre os cincos melhores CDs lançados no mercado europeu daquele ano.

No ano 2000 Nilson foi indicado para Grammy Latino com CD – “25 anos, ao vivo” com as participações da Orquestra Jovem e do coral da Fundação Carlos Gomes (Belém) na categoria de raízes brasileiras. Em 2000 Nilson dirigiu o projeto “Cantorias amazônicas”, realizada no Centro Cultural Banco do Brasil (Rio de Janeiro) com as participações de vários artistas da região amazônica como: Raízes Caboclas e Thiago de Mello (Amazonas), Grupo Roraimeira (Roraima), Lucinnha Bastos, Paulo André Barata, Sebastião Tapajós e Jane Duboc (Pará), Bado (Rondonia), Sergio Souto (Acre) Grupo Zenzala e Verônica do Marabaixo (Amapá).

Em 1997 Nilson Chaves iniciou uma trajetória de apresentações na França e na Alemanha em algumas oportunidades com Sebastião Tapajós e outras apresentações solo mantendo até hoje essas turnês na Europa. em 2004 esteve também na Martinica onde até hoje se apresenta. Nilson comemorou seus 50 anos de vida reunindo 57 artistas brasileiros entre eles: Simone Almeida, Marco André, Grupo Senzala (Macapá), Flávio Venturini, Sá Rodrix e Guarabira, Boca Livre, Zeca Baleiro, Sandra de Sá, Chico César, Paulinho Moska, Sebastião Tapajós, Dércio Marques, Celso Viáfora, Lhuli e Lucina, Eliana Printes, Bado, Sergio Souto, Ivan Lins, Jane Duboc, Vital Lima, Fafá de Belém, Xangai, Zé Renato, Boca Livre. Jean e Paulo Garfunkel, Paulo André Barata, Andrea Pinheiro, Almirzinho Gabriel, Eudes Fraga, Edmar Gonçalves, Edmar da Rocha, Lucinnha Bastos, Mahrco Monteiro, Eliakin Rufino, etc. uma festa de 4 horas inesquecível para um público de 15.000 pessoas. Consolidando de vez sua importância na música nacional. Lançou o CD – “Melhores momentos” comemorativos a esta data.

Em 2002 Nilson coordenou como presidente da ACAM (Associação cultural da Amazônia) o seminário cultural da Amazônia em Belém – PA com a participação de mais 40.000 pessoas entre artistas e público. Em 2004 nasceu o projeto “A força que vem das ruas” com os cantores Mahrco Monteiro e Lucinnha Bastos onde foram lançados três CDs referentes em três shows realizado em dupla e dois DVDs com os três artistas.

Lançou com a co-produção de Zeca Baleiro o CD – “Maniva” num show no Theatro da Paz com a participação de Celso Viáfora, Ivan Cardoso, Ceumar, Flávio Venturini, Edmar da Rocha, Jean Garfunkel, Vital Lima e Paulinho Moska na oportunidade gravou o DVD.

Nilson participa como curador do “acorde brasileiro” que reuni em porto alegre a música regional brasileira evento que acontece anualmente. Gravou o DVD – “Sina de cigano” com Vital Lima / 30 anos de parceria, em Belém no Teatro do Centur em fevereiro de 2009 lançado em janeiro de 2011.

Nilson prepara lançamento do CD – “Avenida musical norte/sul”. Músicas em parceria com o poeta de Jaguarão (Rio Grande Sul), Carlos Di Jaguarão.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Nilson Chaves para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 09.11.2017:

 01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Nilson Chaves: Nasci no dia 8 de novembro de 1951 em Belém – PA.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música?

Nilson Chaves: Meu pai tinha um som que fazia bailes em Belém – PA e através dele comecei a ter contato com a música, principalmente com os disco que ele não levava para os bailes, dessa forma conheci a obra de: Dolores Duram, Maysa, Tito Made, Cauby Peixoto, João Gilberto, Ari Lobo, entre outros. Foi quando me apaixonei pela música.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Nilson Chaves: Aos 17 anos de idade fui pro Rio de Janeiro buscar aprimoramento teórico e também tentar viver de música. Acabei por fazer um curso de teoria e arranjo com o maestro Guerra Peixe durante seis meses. Dali em diante eu passei a estudar de forma mais independente, lendo livros e exercitando teorias dos mesmos. Essa foi a minha formação.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Nilson Chaves: Além dos artistas citados acima, Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Tom Zé, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, tiveram importância na minha formação musical. Além deles antes de ir morar no Rio de Janeiro, onde morei durante 35 anos, a música Caribenha era muito ouvida na região norte do Brasil, e, sem dúvida foi e é muito forte na minha trajetória de compositor. Waldemar Henrique compositor amazônico também foi importante. Nenhum deles deixou de ter importância e continuam vivos.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira profissional?

Nilson Chaves: Comecei em Belém – PA fazendo teatro e compondo pra teatro além de atuar como ator de forma discreta.

06) RM: Quantos CDs lançados, quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que entraram no gosto do seu público?

Nilson Chaves: os músicos que participaram dos seis vinis e dos dezesseis CDs e dos cinco DVDs são vários. Vou citar alguns e como foram muitos, com certeza esquecerei alguns.

 Antonio Adolfo, Fernando Merlino, Fernando Carvalho, Ney Conceição, Helvis Vilela, Mauro Senise, Marcelo Mariano, Pantico, Ivan Machado, Celso Mendes, Chico Julian, Beto Saroldi, Nonato, Adelbert Carneiro, Davi Amorin, Edvaldo Cavalcante, Marcos Amma, Wilson Meireles, Edgar Matos, Marcelo Lima, Trio Manari, Mapyu, Esdras de Souza, Roberto Stevenson, Chico Chagas, Toninho Ferraguti, Idris Boudrioa, Mauricio Einhorn, Sebastião Tapajós.

Tiveram as participações especiais: Moska, Zeca Baleiro, Flavio Venturini, Jean Garfunkel, Rosina Minare, Ana Marins, Chico Cesar, Edma Rocha, Vital Lima, Ceumar, Celso Viáfora, Lucinnha Bastos, Mahrco Monteiro, Marco André, Simone Almeida, Eudes Fraga, Lulhi, Lucina, Claudio Nucci, Xangai entre tantos outros.

Meus CDs sempre foram temáticos, com exceção de dois, Nilson Chaves em dez, 25 anos ao vivo e melhores momentos, todos sempre tiveram um conceito definido. Os CDs que falam da Amazônia, os que abordam temas mais gerais como o CD – “Gaia” que é sobre a mitologia grega. CDs com o perfil Amazônico, mas com o pé no mundo e nas sonoridades universais. Sempre busquei fazer fusões rítmicas um pouco da região Norte com um pouco do Nordeste, Latinos em geral e assim por diante.

DANÇA DE TUDO – VINIL em 1981

INTERIOR – VINIL – EM PARCERIA COM VITAL LIMA em 1984

SABOR – VINIL em 1989

AMAZÔNIA – VINIL em 1990

WALDEMAR – VINIL EM PARCERIA COM VITAL LIMA em 1992

NÃO PEGUEI O ITA – VINIL em 1992

 NILSON CHAVES EM DEZ ANOS – CD em 1992

NÃO PEGUEI O ITA – CD em 1993

NILSON EM DEZ ANOS VOLUME 2 – CD em 1994

WALDEMAR – CD – EM PARCERIA COM VITAL LIMA em 1994

TUDO INDIO – CD em 1996

AMAZÔNIA BRASILEIRA – CD COM SEBASTIÃO TAPAJÓS em 1997

DO LADO DE CÁ – CD COM SEBASTIÃO TAPAJÓS em 1998

TEMPODESTINO, 25 ANOS AO VIVO – CD em 1999

GAIA – CD em 2000

MELHORES MOMENTOS – CD em 2001

A FORÇA QUE VEM DAS RUAS – ÁLBUM COM 3 CDS – COM MAHRCO MONTEIRO, LUCINNHA BASTOS E NILSON CHAVES – CD em 2004

MANIVA – COMPARTICIPAÇÕES DE CHICO CESAR, CEUMAR, FLAVIO VENTURINI, ZECA BALEIRO, PAULINHO MOSKA, VITAL LIMA, CELSO VIÁFORA, JEAN GARFUNKEL, EDMAR ROCHA em  2006

JURUTIAMAR – CD LANÇADO EM MARÇO DE 2008 EM QUE REUNIU COMPOSITORES DA CIDADE DE JURUTI (ESTADO DO PARÁ) INTERPRETADOS POR LUCINNHA BASTOS, NILSON CHAVES E MAHRCO MONTEIRO.

AMORES” SELO JAPONEZ “CT MUSIC”.  LANÇADO EM 29 PAÍSES

 LANÇAMENTOS DVDS

 “A FORÇA QUE VEM DAS RUAS” – NILSON CHAVES. MAHRCO MONTEIRO E LUCINNHA BASTOS – OUTUBRO DE 2005

DVD THIAGO DE MELLO E AMIGOS GRAVADO NO TEATRO AMAZONAS EM MANAUS. MARÇO 2007

 DVD “GENTE DA MESMA FLORESTA” SHOW COM NILSON CHAVES GRAVADO NO CENTRO CULTURAL DO ITAÚ EM SÃO PAULO COM PARTICIPAÇÃO ESPECIAL DOS ARTISTAS ELIAKIN RUFINO (RORAIMA), CÉLIO CRUZ (AMAZONAS), BADO (RONDONIA), GRAÇA GOMES (ACRE) E ZÉ MIGUEL (AMAPÁ).

LANÇADO EM FEVEREIRO DE 2011.

 DVD “SINA DE SIGANO” NILSON CHAVES E VITAL LIMA 30 ANOS DE PARCERIA. FEVEREIRO DE 2011

 DVD “SER DO NORTE” GRAVADO EM JUNHO DE 2011 COM OS ARTISTAS PARAENSES MAHRCO MONTEIRO, LUCINNHA BASTOS E NILSON CHAVES DANDO SEQUENCIA AO PROJETO “A FORÇA QUE VEM DAS RUAS” : JUNHO DE 2012

  LANÇAMENTO CD

 CD AVENIDA MUSICAL NORTE/SUL” NILSON CHAVES E CARLOS DI JAGUARÃO (16º) MUSICAS EM PARCERIA COM O POETA DO RIO GRANDE SUL (JAGUARÃO) CARLOS DI JAGUARÃO. MAIO DE 2017

 07) RM: Como você define o seu estilo musical?

Nilson Chaves: Sou compositor que sempre esteve aberto as influências musicais dos grandes companheiros compositores. Meu estilo é livre mais sempre com referência Amazônica. Posso compor um baião, samba, um xote, um reggae entre outros, mas todos com o jeito amazônico musical. Sou muito atendo aos textos poéticos que considero fundamental pra compor.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Nilson Chaves: Não estudei técnica vocal. Mas fiz teatro e lá aprendi a emitir a voz e acredito que esse aprendizado me enriqueceu no canto.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Nilson Chaves : Hoje é importante e Fundamental. Tenho um acompanhamento de uma fonoaudióloga (Marcia Salomão, amiga querida) e faço os exercícios necessários para manter o equilíbrio da voz.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Nilson Chaves : Elis Regina, Zizi Possi, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Djavan, João Gilberto, Lucina, Ceumar, Patricia Bastos, Simone Almeida, Lucinnha Bastos, Mahrco Monteiro, Vital Lima, Clauber Martins, Paulinho Pedra Azul, Mariza Monte, Maria Bethânia, Gal Costa, Flavio Venturini, Zeca Baleiro, Lenine, Moska, Chico Cesar, entre outros. Gosto mais dos interpretes do que dos cantores propriamente dito.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Nilson Chaves: São vários e acredito que todos os compositores devem ter vários processos. Quando a letra é minha ela vai sendo construída na cabeça e quando pego o violão a melodia já sai quase completa. Em alguns casos sai realmente completa. Gosto de musicar (colocar melodia) letra que é o processo que mais faço. Às vezes crio melodias sem letra e os parceiros completam. Gosto de também botar letras em melodias. Não existe uma hora certa para compor e tudo muito impulsivo. Componho também em parceria criando juntos no mesmo momento, é uma experiência interessante.

12) RM : Quais são seus principais parceiros de composição? 

Nilson Chaves: Tenho muitos parceiros: JAMIL DAMOUS, VITAL LIMA, JOÃOZINHO GOMES, FLAVIO VENTURINI, CARLOS DI JAGUARÃO, MARCOS QUINAN, ELIAKIN RUFINO, ANIBAL BEÇA, CARLOS CORREIA, CELSO VIÃFORA, CRISTOVAN ARAUJO. ANA TERRA, ANA DE HOLANDA e tantos outros.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Nilson Chaves : Poucos artistas gravaram canções minhas. FAFÁ DE BELÉM, LECI BRANDÃO, LEILA PINHEIRO, VANESSA CAMARGO, LUCINNHA BASTOS, VITAL LIMA, CELSO VIÁFORA, FLAVIO VENTURINI, MAHRCO MONTEIRO, RUBINHO DO VALE, DERCIO MARQUEZ, NILSON LIMA, ELIANA PRINTES, PATRICIA BASTOS, GRUPO SENZALA, RAILIDIA, CAROL LADEIRA, CALYPSO, entre outros.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Nilson Chaves: O positivo que considero é: quando pensamos num novo disco não vamos ouvir o que está na mídia para fazê-lo igual. Somos livres para pensarmos de uma forma que considero fundamentalmente que é a música contribuindo para reflexão das pessoas. Claro que entre elas as músicas para dançar são também importantes, mas não podem ser as únicas.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Nilson Chaves: Peco muito nesse quesito (risos), não construí minha carreira dentro de um conceito estratégico de mídia. Sou de um tempo que as rádios tocavam sem precisar de pagamento do jabá e acabei tendo uma visibilidade interessante. Participei muitas vezes do programa de TV do querido Rolando Boldrin e também foi muito importante. Tudo isso de forma espontânea. Sabia claramente que o público que até hoje me acompanha e graças a Deus é bem expressivo não é o público que ouve as rádios populares. Mas isso não quer dizer que minha música não seja popular, canto para 3.000 pessoas e em alguns momentos para muito mais e também em público de Teatro e vejo todos cantando minhas músicas o que para mim significa popularidade. Acredito que 8% da população brasileira gosta da música que faço e isso significa aproximadamente 16 milhões de brasileiros.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Nilson Chaves: Como disse antes o meu planejamento é zero (risos), tenho ações simples, tipo cartazes, redes sociais, lançamento do disco em um show com noite de autografo e entrevista em veículos de comunicação possíveis.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Nilson Chaves: Acho que a internet abri uma possibilidade de divulgação que não tínhamos. Na internet, somos iguais a qualquer a artista da grande mídia no sentido de divulgação. Os espaços que eles têm, nós também temos. Entendo que é muito positivo.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Nilson Chaves: Entendo que só existem vantagens quando se tem um ótimo técnico. Minha experiência é de ouvido e os recursos de estúdio eu não tenho domínio, por isso um ótimo técnico vai me mostrando o caminho. Percebo sempre uma evolução no estúdio com periféricos que trazem resultados positivos pra gravação no geral.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Nilson Chaves : Como disse antes sou de um tempo que as rádios tocavam sem o pagamento do jabá e a competição de mercado era bem menor. Claro que com a facilidade de se gravar quase todos consegue fazer seus discos. Acho que a qualidade e o talento do artista podem fazer um diferencial. Tudo isso acompanhado de um planejamento de mídia pode acabar se destacando. Além disso, as redes sociais são a janela para que o público possa conhecer e fazer suas escolhas sem depender das Rádios e TVs particulares. Claro que isso da apenas a visibilidade para o artista dentro de um universo menor. No meu caso tenho muita coisa exposta no youtube e nenhuma delas fui eu quem postou. Surpreendo-me com a quantidade. Mas sei que essa atitude das pessoas que admiram a música que faço se torna um planejamento espontâneo.

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Nilson Chaves: Temos dois cenários musical brasileiro. O cenário espontâneo de um público que resiste e deseja sempre ouvir uma música mais consistente com conteúdo e nesse caso a internet é a grande porta e janela. Nesse cenário, sem dúvida, consagra o artista na história do seu povo e do mundo. Do outro lado temos uma música sem conteúdo, preocupada apenas em vender, com conceitos pequenos de qualidade e que é imposta aos ouvidos através das Rádios e TVs particulares sem preocupação de reflexão, mas sim de lucro. Percebo artistas de qualidade mostrando uma música pobre, apenas provocativa para que o corpo dance bastante e não se preocupe com a realidade do mundo. Sobre as revelações musicais ainda me detenho em poucos artistas: Lenine, Moska, Zeca Baleiro, Chico Cesar, Ivete Sangalo, Marisa Monte, Elba Ramalho, Ceumar, Caetano Veloso, Djavan, Jorge Vercilo, Flavio Venturini, Leila Pinheiro, Fafá de Belém, Zeca Pagodinho, Dudu Nobre, Leci Brandão, entre outros. Quanto as músicas sertanejas, aos samba de pagode e outros seguimentos como hip hop, funk não tenho referência, pois não escuto rádios e nem vejo TVs populares, ou seja sou alienado de um universo que não consigo achar que faz parte de mim (risos).

21) RM: Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Nilson Chaves: Antonio Adolfo, Fernando Merlino, Fernando Carvalho, Ney Conceição, Helvis Vilela, Mauro Senise, Marcelo Mariano, Pantico, Ivan Machado, Celso Mendes, Chico Julian, Beto Saroldi, Nonato, Adelbert Carneiro, Davi Amorin, Edvaldo Cavalcante, Marcos Amma, Wilson Meireles, Edgar Matos, Marcelo Lima, Trio Manari, Mapyu, Esdras de Souza, Roberto Stevenson, Chico Chagas, Toninho Ferraguti, Idris Boudrioa, Mauricio Einhorn, Sebastião Tapajós, Alan Gomes, Fabinho Marreco, Huan Moreira, Jefrei Redig, Neno Silva, entre outros.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Nilson Chaves: Tudo que foi citado já aconteceu na minha trajetória. Vou contar um deles: estar cantando uma canção minha e de repente esqueço a letra não dou bandeira e saio inventando tranquilamente (risos). Fazer um show no interior e ao final do show o contratante desaparece (risos). Tive o privilégio de ser cantado(risos).

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Nilson Chaves: o que mais me deixa feliz é o carinho das pessoas. É um tipo de carinho como se fosse parte da família. Recentemente tive um problema seria de saúde (infarto leve) e a comoção de todos foi algo especial e inesquecível. Mesmo com o mundo cinzento vejo muitas pessoas resistindo a tudo e tentando plantar, através de frases, de vídeos, reflexões que possa nos devolver o amor, a fraternidade e generosidade. Isso me deixa feliz e me faz acreditar na esperança.

O que me deixa mais triste nesse momento é perceber que o mercado mundial no geral pensa de forma egoísta sem se importa com o que estão plantando para o futuro de uma geração. Lastimo profundamente o que será o mundo num futuro bem próximo se tudo continuar da mesma forma. O planeta quase todo está em guerra, a violência urbana é uma realidade, o caráter se perdeu entre tantas coisas perigosas.

24) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Nilson Chaves: Belém pela tradição cultural é um berço de grandes artistas, não só na música, mas em vários seguimentos. Como estamos falando de música só de ritmos existem no Estado mais 40 ritmos. Músicos, compositores, cantores e cantoras são de uma grande quantidade. Do instrumental, passando por uma música mais sofisticada ao popular, nosso Estado e privilegiado. Hoje temos no canário nacional artista de seguimentos variados. Felipe e Manoel cordeiro, Gabi Amaranto, Lia Sophia, Aila Magalhães, Luê, Dona Onete, mestre das guitarradas, Joelma, Marco André, Ximbinha, entre outros sem esquecer os grandes que continuam sendo importantes e atuais como Leila Pinheiro, Fafá de Belém, Sebastião Tapajós, Vital Lima, Ney Conceição entre outros. Billy Blanco, Paulinho Tapajós (em memorian) possuem também importâncias e contribuição.

No cenário regional, mas com o pé no mundo, prontos pra seguir em frente, Mahrco Monteiro, Simone Almeida, Lucinnha Bastos, Juliana Sinimbu, Joelma Klaudia, Natalia Matos, Arraial do Pavulagem, Pedrinho Cavallero, Pedrinho Calado, Felix Robato, Arthur Espíndola, Sammilis, Jana Figarella, Maria Lídia, Nato Aguiar, Almirzinho Gabriel, entre tantos outros. Com certeza esqueci muitos nomes, mas isso é apenas uma citação simbólica…

25) RM: Você acredita que sem o pagamento do Jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Nilson Chaves: Como diz o caboco daqui “mas quando já” (risos) nem nas Rádios e TVs particulares será possível, quem sabe raras exceções. Nossos caminhos são as Rádios e TVs Estatais e as rádios comunitárias e logicamente a internet.

26) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Nilson Chaves: Paixão, disciplina, aprimoramento e acreditar sempre.

27) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Nilson Chaves: Os Festivais de Música ainda são um caminho para ter experiência de palco, exercício de criação, intercâmbio entre os compositores e esperança financeira (quando há premiação). De 1980 a 1987 participei de muitos Festivais e foi uma bela experiência e muitos companheiros e amigos nasceram dos Festivais como Celso Viáfora, Lenine, Chico Cesar, Jean Garfunkel, Genesio Tocantins, Eudes Fraga, Juraildes da Cruz, Zélia Ducan (Zélia Cristina nos tempos de Festivais), Leila Pinheiro, Dercio Marques, Beto Mi, Rubinho do Vale, entre outros.

28) RM: Na sua opinião, hoje os Festivais de Música ainda é relevante para revelar novos talentos?

Nilson Chaves: Não considero que Festival de Música revele novos talentos.

Para mim, Festival é uma opção de resistência entre outras. Hoje os Festivais tem a participação do mais novo ao mais experiente e esse encontro de gerações é especial e rico. Festival é uma ferramenta de divulgação e visibilidade para o compositor e interprete. Principalmente nesse momento em que o mercado musical está fechado.

29) RM: Como você analisa a cobertura feita pela mídia da cena musical brasileira?

Nilson Chaves: Tudo é música brasileira e temos, como disse antes, dois caminhos: fazer parte da história ou fazer parte da moda. Nesse raciocínio entendo que a mídia também estar dividida da seguinte forma: a grande mídia para música da moda e a mídia alternativa para música que faz história. Mídia da moda não tem preocupação com o futuro da música brasileira e sim estar interessada em saber quanto vai ganhar com o artista da moda. No meu caso um aspecto que acho positivo é que me mantenho vivo e atuante sem precisar dessa mídia modista considerando aqueles 8% da população brasileira que mencionei acima.

30) RM: Qual a sua opinião sobre a importância do espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Nilson Chaves: Considero outras opções positivas como os Festivais pra todos. Às vezes sinto um pouco fechado em alguns casos, mas no geral considero muito bom. Chamo atenção pras leis de incentivo fiscais. As leis Estaduais e Municipais são também um caminho alternativo para seguir em frente ao contrario da federal (lei Rouanet) que praticamente atende apenas os que já estão em evidência e os desconhecidos pouco conseguem captação. Falta muito o conhecimento do empresário sobre as leis e mais ainda o interesse em entender a sua importância em todos os sentindo a classe cultural do país.

31) RM: Quais os seus projetos futuros?

Nilson Chaves: Gravação de um DVD do mais recente CD em parceria com o poeta gaúcho Carlos di Jaguarão, gravação de um outro CD chamado “Planeta Vida”, como sempre temático, com músicas que provoquem reflexão sobre o momento do mundo na questão da violência sobre a natureza e na violência ideológica, religiosa e política. Encerro com uma frase que ouvi do meu e grande compositor Celso Viáfora: “Se um dia eu não tiver nada pra dizer pra humanidade, eu paro de compor e cantar”.

32) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Nilson Chaves: nilsonchaves2020@gmail.com | (91) 99989 – 5952 | 99147 – 7377

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