Élio Camalle

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Élio Camalle
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O cantor, , ator e violonista paulista Élio Camalle surge na cena de São Paulo no ano 2000 quando lançou CD – “Mágicas” e CD –“Cria”, álbuns lançados pela Dabliú-discos/Eldorado.

Sua Mestiça levou o critico musical Mauro Dias à chamá-lo de “BICHO DE PALCO”. Camalle fez parte do espetáculo Brasil, outros quinhentos musical de Millor Fernandes que foi ao ar pela TV CULTURA em 2000, é finalista do Festival da Nova Música Brasileira, também exibido e realizado pela TV CULTURA  em 2005.

Em 2009  depois de ter feito figuração no filme Linha de Passe de Walter Salles, foi convidado pelo diretor de cinema Alain Fresnot para atuar em um de seus filmes : Família Vende Tudo. No filme Camalle atua ao lado de Caco Ciocler, Lima Duarte, além de compor para a trilha.

Em 2012, se instala na França à convite da Dra. Valérie Ganem e lança seu projeto BRASILEURO, no qual interpreta canções que flertam com a língua e a poesia do continente europeu exibido em vários países da Europa , assim como no Caribe até 2015. A partir dai, Camalle finaliza o álbum KUMTUM de sonoridade afro-indígena brasileira ao mesmo tempo que grava o segundo filme de Alain Fresnot : Uma Noite Não é Nada no qual contracena com Paulo Beti e interpreta HORA ERRADA de sua autoria e Ne me quitte pas de Jacques Brel.

 Segue abaixo entrevista exclusiva com Élio Camalle para a www.ritmomelodia.mus.br  , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 05.06.2017:

 01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Élio Camalle : Nasci no dia 04.06.1966 em São Caetano do Sul – SP.

02) RM : Fale do seu primeiro contato com a música?

Élio Camalle : A música me foi trazida pelo meu irmão mais velho (Elno Ferreira da Costa) que adorava Violão. De tanto ouvi-lo, acabei me interessando. Mais tarde na escola entrei para o curso de canto-coral com o professor José Maria Simão.

03) RM : Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Élio Camalle : Eu sou Autodidata. Em 1987 fiz uma especialização com o violonista e professor Robson Miguel.

04) RM : Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Élio Camalle : Minha influência começou com meu irmão mais velho. Num segundo momento escutei igual á todo mundo, as músicas do movimento Tropicália. Hoje são tantos de minha predileção no mundo todo. Citaria Stromae que embora seja um artista Belga da música eletrônica, muito me inspira.

05) RM : Quando, como e onde você começou a sua carreira profissional?

Élio Camalle : Difícil dizer exatamente quando. O que sei é que desde que percebi que gostava de cantar e compor,eu nunca mais parei de exercitar-me no intuito de aprender cada vez mais com essa expressão artística. E sei que o profissionalismo é uma coisa que não tem fim em si, é preciso estar sempre se profissionalizando, né? Isso acontece desde que tinha uns dezesseis anos de idade.

06) RM : Quantos CDs lançados, quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que entraram no gosto do seu público?

Élio Camalle : Possuo aproximadamente uns dez discos. O meu primeiro disco “Mágicas”em 1998 lançado pelo selo Dabliú-Discos de São Paulo e conta com a produção de Dino Barioni e músicos como François Lima, Alê Damasceno entre outros grandes profissionais.

Depois seguem os outros lançamentos como “Cria” em 2000;“Antes e depois do fim do mundo” em 2002;“Bicho Preto” em 2005;“A Felicidade” em 2009;“Receita” em 2012. Depois vieram os discos distribuídos em plataformas virtuais “Mosquito” e “Kum-Tum”em 2015.

07) RM : Como você define o seu estilo musical?

Élio Camalle : Faço música brasileira.

08) RM : Você estudou técnica vocal?

Élio Camalle : Não.

09) RM : Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Élio Camalle : Eu acredito que seja muito importante, né? Mas eu sou muito displicente com a questão. Bebo e fumo, mas é bom se cuidar.

10) RM : Quais as cantoras(es) que você admira?

Élio Camalle : Cauby Peixoto, Elza Soares, Arrigo Barnabé, Luiz Melodia, entre outros.

11) RM : Como é o seu processo de compor?

Élio Camalle : Gosto de pensar em um tema, depois escrevo umas linhas de rascunho e vou ao instrumento, escolho um ritmo e começo a trabalhar.

12) RM : Quais são seus principais parceiros de composição?

Élio Camalle : Esta é uma prática a qual exercito muito pouco. Neste momento tenho feito umas coisas com o compositor Gabriel de Almeida Prado.

13) RM : Quem já gravou as suas músicas?

Élio Camalle : Fabio Jr. Kléber Albuquerque e recentemente Duda Brack, Filipe Catto.

14) RM : Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Élio Camalle : Acho muito difícil falar de independência quando, no Brasil, somos tão dependentes de tudo. Daí os contras são vários. Agora desde que você produza um material artístico com intenção de expor esse trabalho, é preciso ser um bom produtor e distribuidor. Sendo assim, é preciso aprender com as formulas do , antes de tentar criar seu próprio negócio.

15) RM : Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Élio Camalle : Hoje em dia o que tenho feito, é gravar e disponibilizar nas redes. Nem disco físico tem feito. Ofereço o produto (músicas) e se há uma aceitação, daí penso no CD físico.

16) RM : Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Élio Camalle : Neste momento estou envolvido com o cinema nacional em que tenho algumas obras e focado na distribuição dos concertos em festivais na Europa.

17) RM : O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Élio Camalle : É uma ferramenta fantástica, mas como dizia à pouco, se não cria condições mínimas de infraestrutura junto ao designer, vídeo maker e fotógrafo, fica difícil tirar um bom resultado.

18) RM : Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Élio Camalle : É aquela coisa de sempre, se vai gravar em casa é preciso estar atualizado com a estética do que o mercado está produzindo, a vantagem, é que pode assumir um perfil estético sem grandes custos.

19) RM : No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Élio Camalle : Todos precisam estar cientes de seu tamanho. Se falarmos de indústria é preciso jogar com as armas da indústria que é midiática. O que quer dizer que age no momento para o momento. Ao contrário disso, hoje em dia, se trabalhar seriamente junto ao seu público, não venderá milhões de cópias, mas terá um público fiel que te permitirá trabalhar. O que é o mais importante para cada cidadão, não é?

20) RM : Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Élio Camalle : Confesso que não tenho acompanhado muito, mas há aquele grupo musical “Cinco à Seco”, os meninos estão aí no mercado e parece que estão bem, né? Depois no Brasil é difícil falar de coisas que não estejam na ponte Rio- São Paulo, o que é uma pena, pois os outros Estados são grandes produtores de música que nem sempre chegam ao sudeste.

21) RM : Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Élio Camalle : Dani Black.

22) RM : Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Élio Camalle : Acontece de tudo que foi citado, né? É um universo muito rico das relações humanas e é natural que haja de tudo um pouco.

23) RM : O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Élio Camalle : Sou feliz de poder fazer o que eu tenho talento para ser feito. O mundo em si, vive na contramão daquilo que lhe faz feliz. As tristezas nada pode ter a ver com o fato de se fazer música.

24) RM : Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Élio Camalle : Como disse, não tenho estado muito à par de tudo o que se passa por estar morando em outro País. Mas hoje em São Paulo, temos músicos jovens formados pelo Auditório Ibirapuera, por exemplo: Liw Ferreira, Lucas Coimbra, Victor Coimbra, Beatriz Pacheco, temos o compositor Gabriel de Almeida Prado com seu lindo disco de estreia, enfim.

25) RM : Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

 Élio Camalle : Sim, pode acontecer, mas não é uma coisa que dependa da qualidade das músicas e sim da qualidade da política cultural.

26) RM : O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Élio Camalle : Que procure fazer a coisa certa, que na arte não há glamour como propagandeia as mídias, há, sim, muito trabalho.

27) RM : Quais os prós e contras do Festival de Música?

Élio Camalle : Minha realidade hoje em dia está ligada aos Festivais de Música na Europa, que são Festivais de mostra de Música e não de competição entre músicas de ritmos e estéticas, um modelo o qual eu sempre fui contra no Brasil.

29) RM : Na sua opinião, hoje os Festivais de Música ainda é relevante para revelar novos talentos?

Élio Camalle : Todo espaço é válido.

30) RM : Como você analisa a cobertura feita pela mídia da cena musical brasileira?

 Élio Camalle : Péssima, eu penso que há um problema, pois o país é enorme e os veículos são carreiristas e não dão a importância ao montante da produção no intuito de reportar o que está acontecendo.

31) RM : Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical em São Paulo?

ÉlioCamalle :São maravilhosos esses espaços, o problema é que alimentam uma relação paternal com os artistas. Quer dizer que os artistas que não figuram nesses espaços são vistos como artistas menores, mas isso se dá também em relação àRede Globo e outros poucos veículos.

32) RM : O circuito de Bar nos Bairros Vila Madalena, Vila Mariana, Pinheiros, Perdizes e adjacência ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Élio Camalle : Sempre estive no intuito de escapar das casas noturnas, os ditos Barzinho. É um universo contraditório em que o empresário não sabe o que é música e o músico não gosta do comportamento do público. E o público frequenta somente para repetir refrãos de sucessos (músicas) sucateados das rádios. Tenho notado que este cenário vem mudando, se aprimorando, mas é lento e peca na segregação.

33) RM : Quais os prós e contras de fazer uma turnê na Europa?

Élio Camalle : O profissionalismo que há na Europa é sem dúvida um oásis no deserto da falta de qualificação brasileira. A saudade do país de origem pode ser um inconveniente.

34) RM : Quais os seus projetos futuros?

Élio Camalle : Este ano estou no Filme UMA NOITE NÃO É NADA do cineasta Alain Fresnot com a minha canção “HORA ERRADA”. Um trabalho bem bonito do cinema nacional. Vale assistirquando estiver em cartaz.Estou editando um audiovisual de um concerto de sambas que viajará toda Europa

35) RM : Quais seus contatos para show e para os fãs?

Élio Camalle : [email protected] | https://www.facebook.com/elio.camalle.3

| https://www.youtube.com/user/Camalle100

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.