Hilton Barcelos

O compositor, poeta, intérprete gaúcho Hilton Barcelos se revela um músico e arranjador instigante e moderno.

Ele enfoca as questões sociais, espirituais e das paixões humanas através de suas canções, poemas e da estética musical que utiliza. A intuição conduz sua obra. Suas influências vão da Soul Music ao Rock Progressivo, passando pelos ritmos orientais, Bossa Nova, Jazz, World Music e a Música Popular Brasileira. Versátil, trabalha com a integração das artes, sem modismos. Apesar de não rotular sua música, ele transita pelas influências regionais, nacionais e universais. Eclético no modo decompor e a fusão de várias tendências transforma sua obra em uma música sem fronteiras.

Iniciou a sua carreira participando de Festivais de música em 1976; fez diversos cursos como direção de espetáculos, estética e composição, regência e prática de orquestra entre outros. Nos anos seguintes realizou vários shows solo e com seus parceiros.Lança o primeiro disco “Confissões de um Retrato Falado” em 1982. Fez cursos com Hans-Joachim Koellreutter. Participou do “Projeto Pixinguinha” em 1985/86 com shows no Riode Janeiro e Nordeste do Brasil, ao lado de Luiz Melodia, Carlos Lyra, Sandra de Sá, Andréa Daltro, Rosa Maria e Tambores Urbanos. Em 1988, sua composição “Uma sombra passou por aqui” é executada pela Orquestra Sinfônica do Paraná e Coral.

Em 1990, lança o LP – “Arquétipos” mostrando uma sonoridade moderna e atemporal. Em 1997, produz o livro “Nas Águas do Verbo”, contendo poesias visuais, letras e monólogos. O CD – “Olhos de Luz” é o lançamento de 1998 com a participação de grandes instrumentistas. Em 1999, faz a direção artística e produção do livro de poemas “Palavras de Fogo”, de LyraBarcelos.

Em 2000 sua parceria “Ginga sem Fronteira” com Airto Moreira é gravada no disco “Homeless”, de Airto Moreira. Em 2002, faz uma releitura do disco “Arquétipos”, adicionando músicas inéditas e a participação de músicos de renome internacional. Em 2003, idealiza e produz os programas “Arquétipos – Hilton Barcelos” e “Airto Moreira especial”, para uma emissora pública de TV do estado do Paraná, sul do Brasil. Em 2006, idealiza e produz o songbook “Música Feita no Paraná”, contendo 100 partituras, letras e biografias de mais de 60 compositores. Em 2007, faz a concepção, roteiro e direção do show “Música Feita no Paraná”com a participação de diversos músicos; neste mesmo ano, lançou o songbook “Além das Pérolas”, com partituras, letras de músicas, poemas e parte do seu material artístico. Em 2008 participou do documentário “Música Subterrânea” e do “Projeto Olho Vivo”; neste ano ainda permanece alguns meses na Europa (Espanha e Portugal) divulgando seu trabalho. E de volta ao Brasil, lança o songbook “Nas Trilhas do Tempo” em 2009, contendo partituras, poemas e letras próprias. E voltou à Europa (Madrid, Barcelona e Amsterdam) para mais uma temporada de divulgação do seu trabalho e início de novos projetos.

Em 2010 lança a coletânea “In the Paths of Time” pelo selo alemão Bloodsugar Records e fez mais uma temporada na Europa (Madrid) para divulgação e promoção de seu trabalho. Em 2011, seu tema “Vivendo Aprendi” em parceria com Romano Nunes Cabelo foi lançado no CD – “Minhas Influências”, de Romano Nunes Cabelo. E suas músicas “Hombreniño”, “Piraquara” e “Soplo de amor” em parceria com Carlitos Ayala (Doc Ayala) são gravadas e apresentadas em shows pelo Paraguai e outros países da América Latina.

Em 2014, a música “Vivendo Aprendi” é gravada no CD – João & Maria, de Romano Nunes Cabelo e Eliane Bastos. Em 2015/2016 prepara alguns temas para gravação e trabalha em composições ainda inéditas.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Hilton Barcelos para a  , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01.03.2017:

1) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Hilton Barcelos : Nasci no dia 26/10/1952 em Porto Alegre – RS.

2) RM : Fale do seu primeiro contato com a música?

Hilton Barcelos : Na infância minhas raízes (avó, tocava piano e tio acordeão).

Depois mudamos pro Uruguai terra de meu pai e de lá para Sampa (São Paulo) onde convivi com a eclosão da Jovem Guarda, Festivais de Música e tive como referência o ator, músico, compositor do grupo “Os iguais”, Mário Lúcio de Freitas (Fominha). Eu estava entrando na adolescência e ele era tio (Fominha), convivi com ele e a sua arte naquele momento. É claro que os grandes Festivais de Música estavam em evidência nos anos 60 e os artistas que participavam me fizeram a cabeça: Tom Jobim, Edu Lobo, Chico Buarque, Gilberto Gil, Airto Moreira, Elis Regina, etc.

3) RM : Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Hilton Barcelos : Comecei como autodidata, depois fiz muitos cursos dentre eles: Violão, Arranjo,Ritmos, Vocal, Direção de espetáculos, etc.Fora da música só não fiz curso superior.

4) RM : Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Hilton Barcelos : Minhas influências são ecléticas e muitas. Todos os grandes músicos do Brasil e do mundo e compositores de vários estilos: Airto Moreira, Flora Purim, Elis Regina,Tom Jobim, Gilberto Gil, Chico Buarque, Ary Barroso, Caetano Veloso, Beatles, Antonio Adolfo, Tibério Gaspar, Ivan Lins, JardsMacalé, Sergio Sampaio, Hermeto Pascoal. Egberto Gismonti, César Camargo Mariano, Milton Nascimento e a turma do “Clube da Esquina”, Maurício Tapajós, Edu Lobo, Roberto Carlos, Abílio Manoel, Cartola, Paulinho da Viola, Noel Rosa,Tania Maria,Luiz Gonzaga, Carlos Lyra, Vinícius de Moraes, Pixinguinha, Taiguara, Ana Mazzotti, AstorPiazzolla, Ray Charles, Jim Hall, Joe Pass, Pat Metheny, Pat Martino, Baden, Garoto, Radamés, Larry Coryell, Paulinho Nogueira, Lupicínio Rodrigues, Caymmi, Marcos Valle, João Gilberto, Ralph Towner, Michael Hedges, Michael Jackon, Jan Akkerman, Billy Paul, Wilson Simonal, Paul Mcartney, Joe Cocker, Sting, José Feliciano, Paco de Lucia, Jamiroquai, João Bosco, George Benson, Peter Gabriel, Phil Collins, Laurie Anderson, FrakZappa, Villa Lobos, Hubert Laws, Bob James, Earl Klugh, Robert Fripp, ClausOgermann,Vince Mendoza, Hans Joachim Koellreutter.

Grupos: Sambalanço Trio, Quarteto Novo, Banda Black Rio,Tamba trio, Zimbo Trio, A Barca do Sol, Grupo Pau Brasil, Emerson Lake Palmer, BloodSweatTears, Yes, Genesis, Towof Power, Pink Floyd, Grupo Oregon, Banda Caldera, Jethro Tull, Chicago, Passport,  Azymuth, King Crimson, Focus.

Todos tiveram importância e continuam tendo, pois formaram meu cabedal musical e até poético.

5) RM : Quando, como e onde você começou a sua carreira profissional?

Hilton Barcelos : Minhas primeiras composições eram tentativas apenas e eu estava viajando com minha mãe que era atriz e se apresentava em várias cidades do Brasil, mas com sede em Sampa. Meus primeiros shows foram em Curitiba – PR, minhas primeiras parcerias também e dali pro mundo.

6) RM : Quantos CDs lançados, quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que entraram no gosto do seu público?

Hilton Barcelos : Meu primeiro disco foi um compacto em 1982. Lançamento nacional pelo selo Lambrequim de AramisMillarch – in memorian, um dos maiores conhecedores de música brasileira, cinema e jazz. Direção Geral: Hilton Barcelos. Projeto Gráfico: Luiz Montalvão.

Lado A: “Confissões de um Retrato Falado”

Hilton Barcelos: melodia, violão, voz, arranjos com a banda.Fernando Montalvão: letra; Carlos Freitas: Bateria, percussão, gravação e mixagem; SyBarretto: Baixo; Roberto Bürgel: Piano e Teclado; Heney de Souza Junior: Guitarra

Lado B: “Beijo na Boca”. Hilton Barcelos: melodia, violão voz, arranjo; Fernando Montalvão: letra; Celso Alberti: Bateria; Gerson Kornin: Baixo;

Hélio Brandão: Sax; Roberto Bürgel: Piano. Disco com linguagem moderna. Público se afinou com “Beijo na Boca”.

CD – “Olhos de Luz”em 1998. Direção geral: Hilton Barcelos. Gravado no estúdio SOLO – Curitiba – PR. Victor França: gravação,masterização e mixagem;Projeto Gráfico Área de Risco, direção de arte: Divaldo Maciel

Fotos: Genésio Siqueira, Rodrigo Ferreira de Sousa, Vania Silveira, Vania Krekniski, Fernando Montalvão, Divaldo Maciel, Luiz Crampeher, Gilberto Narciso, Luiz Stinghen. Compositores: Hilton Barcelos exceto em “Canoa Furada”, melodia de Celso Loche letra de Hilton Barcelos.“Olhos de Luz” melodia de Reinaldo Godinhoe letra de Hilton Barcelos. Letristas: Hilton Barcelos, Ney Teixeira, Rodrigo de Sousa Ferreira. CD com linguagem moderna e várias influências: Samba bossa, frevo, maxixe com jazz e choro, toada, pop, canção romântica etc. Quanto ao público nunca sei o que mais gostou.

Hilton Barcelos: arranjos, composição, violão, voz, produção e direção; Victor França: gravação,masterização e mixagem; Waltel Branco: três arranjos de sopros; EndrigoBettega: bateria e percussão; Jonas Cella: Baixo; ErvinFast: Teclado; Beto Dias: Guitarra; Reginaldo Saturno: Sax; Giseli Oliveira: Vocal; Tenison Ramos: Baixo (in memorian);Saul Trumpete: Trumpete; Ari Nulardon: Sax (in memorian); Paulo Cesar: Sopro, Marcos Crudi: Sopro, Fernando Montanari: Arranjo, Teclado; João Romano: Viola (in memorian); Alexandre Nero: Vocal; Luiz Sieciechowicz: Flauta (in memorian); Doriane Rossi: Vocal; Mariane Torres: Vocal;Ariadne Oliveira: Vocal, Reinaldo Godinho: Viola e vocal; Cáca Mariano: Tabla; Nelson Damiani: Sax, Dennis Julian: Percussão; Mara Fontoura: Vocal; Glauco Sölter: Baixo; Beto Blues: Guitarra; Jeff Sabbag: Teclado; Mário Conde: Guitarra; Paulo Branco: Sax, JorginhoTrumpet: Trumpete; Carlos Malta: Sax. Disco com linguagem moderna, várias influências e grandes instrumentistas.Quanto ao público não sei o que mais gostou.

CD – “Arquétipo”em 2002. Direção geral: Hilton Barcelos; Gravado no estúdio SOLO – Curitiba – PR; Victor França: gravação,masterização e mixagem; Técnicos de gravação: Alessandro Laroca, Afonso Celso; Projeto Gráfico: Núcleo Estúdio Gráfico; Ilustrações: Antonio Eder, Luciano Lagares, José Aguiar;

História em quadrinho: Antonio Eder, Jairo Rodrigues, José Aguiar; Desenho na ficha técnica de Demian Barcellos; Revisão: Alessandra Ângelo; Produção executiva: Cléo Bolach; Texto de apresentação: Aramis Millarch (in memorian) jornalista, foi presidente da Associação dos Pesquisadores da MPB, conhecedor de cinema, jazz, teatro e literatura universal.

Hilton Barcelos: arranjos, composição, violão, voz, produção e direção; Victor França: gravação, masterização e mixagem; Celso Albeti: Bateria; EndrigoBettega: Bateria e percussão; Jonas Cella: Baixo; Beto Dias: Guitarra; Fernando Montanari– Arranjo, Teclado, Glauco Sölter: Baixo; Jeff Sabbag: Teclado; Mário Conde: Guitarra; Andrá Cris: Vocais; Ana Cascardo: Voz;Zica: Baixo, Don Senthé: Percussão; Coelho: Cuíca; RogêriaHoltz: Voz; Ricardo Ô Rosinha: Percussão; Giseli Oliveira: Vocal; Cristiane Macedo: Castanhola; Dironil: Sax; Hélio Brandão: Sax; Terciano Albuquerque: Teclado; Mara Fontoura: Vocal; Ângela Melo: Vocal; Gilceley dos Santos: Vocal; Rosa Lídia: Vocal; Carmem Bakker: Vocal; Mirian Lau: Vocal(in memorian); Ronald: Harmônicas(in memorian);Luiz Carlos: Harmônica; Paiva: Harmônica, Ederson Marcondes: Harmônica; Partika: Harmônica(in memorian); Orlando Born: Harmônica;Fernando Scremin: Harmônica; Sigmar: Harmônica; Dino Cardoso: Guitarra; SabastiãoInterlandi: Flauta; Fernandinho Thá: Oboé; José Dias Moraes: Clarinete; KukoConterno: Baixo(in memorian); Gilberto Zanelatto: Violino; Hélio Sant Ana: Bateria e percussão;José Boldrini: Baixo; Fernando Pereira: Flauta(in memorian); JamurFressato: Sax; Sérgio Albach: Clarinete; Orlando Baumel: Sax; Flávio Stein: Flauta; Norberto Pavelec: Viola da gama; Andréa Tigges: Flauta; João M. Soares: Flauta; Alex Castilho: Voz(in memorian); Plínio Souza: Krummhorn; Saltério: Flauta; Rosy Greca: Vocal; Beto Collaço: Vocal; Rogério Krieger: Violino; Walter Hoerner: Violino; Péricles Gomes: Violoncello; Aldo Villani: Viola, Madson Andrade: Berimbau; Mariana Godinho: Voz e palmas; Lais Mann: Voz e palmas; Raymundo Rolim: Voz e palmas; Celso Loch: Voz e palmas; Marco Levy Rolim: Voz e palmas; Eliane Bastos: Voz e palmas; Gerson Bientinez: Voz e palmas; Marina Bastos: Voz e palmas; Reinaldo Godinho: Voz e palmas; Daniel Kelvin: Voz e palmas; Alessandro Kramer: Acordeon;Realcino Lima Filho(Nenê batera); Roberto Bürgel: três arranjos, Piano, Teclados; Vittor Santos: Trombone; Airto Moreira: percussão.Todas as melodias são de Hilton Barcellos. Letras: Hilton Barcelos, Sandra Benato: Letra de “Desejo”; Reinoldo Atem: letra de “Por Ai” e “Assim Como-ti”; Rodrigo de Sousa Ferreira: letra de “Cidade dos Sisos”Pepito Ferreira: letra de “Tive um Pesadelo Deve Ter Sido as Lagostas” e “Vingança do 007”. CD com linguagem moderna, várias influências do regional, universal e contemporâneo além da participação de grandes instrumentistas. Quanto ao público não sei o que mais gostou.

CD – Digital produzido na Alemanha pela Bloodsugar Records. À venda somente no site da Bloodsugar: IN THE PATHS OF TIME –http://www.hiltonbarcelos.com.br/p/cds.html

7) RM : Como você define seu estilo musical?

Hilton Barcelos :Eclético do regional ao universal.

8) RM : Você estudou técnica vocal?

Hilton Barcelos : Sim. Nos anos de 1980.

9) RM : Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

 Hilton Barcelos : É bom conhecer para descobrir o potencial e a natureza do timbre além de desenvolver a técnica.

10) RM : Quais as cantoras(es) que você admira?

Hilton Barcelos :Elis Regina, Maria João Monteiro Crancha, Emilio Santiago, Carlito Ayala, Nana Caymmi, Ray Charles, Taiguara, Leny de Andrade, Billy Paul, Joe  Cocker, David Clayton Thomas, AllJarreau, Tania Maria, João Gilberto, Michael Jackon, Mercedes Sosa, Camarón de laisla, Airto Moreira, Concha Buika, George Benson, Jo Anderson, Billie Holiday, Paul Mcartney, Gretchen Parlato, EsparanzaSpalding,Tim Maia, Luiz Melodia, Sting, David Gilmour, Mike Hucknall,Gilberto Gil.

11) RM : Como é o seu processo de compor?

Hilton Barcelos :Muita variado. Faço letra e melodia; somente músicas instrumentais; somente letras para outros musicarem; coloco letra em melodia(esse é o mais trabalhoso para mim).

12) RM : Quais são seus principais parceiros de composição?

Hilton Barcelos : Tenho muitos parceiros: Carlito Ayala, Reinoldo Atem, Celso Loch , Paulo Leminski, Sandra Benato, Fernando Montalvão, Beto Collaço, Domingos Pellegrini, Luiz de Miranda,  Pepito, Rodrigo, Ney Teixeira, Luiz Fernando Amaral Avi Ivã Avi, José Oliva, Romano Nunes(Cabelo),Reinaldo Godinho, Gerson Bientinez, Fernando Montanari, Raymundo Rolim, Maclein, Alecir de Antonina, Walter Martins, Roberto Bürgel, Airto Moreira.

13) RM : Quem já gravou as suas músicas?

Hilton Barcelos :Meus parceiros gravaram nossas parcerias: Airto Moreira, Gerson Bientinez Reinaldo Godinho, Celso Loch, Fernando Montanari.

14) RM : Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Hilton Barcelos :Buscar recursos e patrocínio quando não se tem mídia é trabalhoso. Você é dono de seu nariz e não faz concessões quanto a repertório.

15) RM : Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Hilton Barcelos :Temos que estar sempre atentos e não perder a fé buscando contatos e oportunidades. E abrindo caminhos e novos mercados com a tecnologia que dispomos. No palco buscar estar preparado para novos públicos.

16) RM : Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Hilton Barcelos :Contatos, editais de lei de incentivo a cultura e produtores fora do Brasil.

17) RM : O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Hilton Barcelos :Ajuda a ampliar novos mercados, conhecer pessoas que possam alavancar, porém tem a turma que quer tudo de graça; digo sem pagar pelo trabalho que teve uma produção em que todos receberam para trabalhar. Mas, sabendo direcionar você encontra caminhos.

18) RM : Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Hilton Barcelos : Depende de cada artista. Quem mexe bem com as máquinas tecnológicas pode se dar bem se tiver equipamento adequado. O lance é que acabamos tendo que aprender a fazer muitas coisas. E ocupamos nosso tempo nisso e deixamos de lado nossa maior vocação e a criatividade para resolver outras questões. É importante ter aliados que sejam específicos com esse conhecimento que está sempre mudando e evoluindo.

19) RM : No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Hilton Barcelos :Fazer um trabalho de nível exige grana, pessoas competentes e qualificadas. Eu nesse momento continuo investindo na qualidade do trabalho e no mercado mundial. Não caio em modas nem no pessimismo. Acredito em dias melhores sempre.

20) RM : Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Hilton Barcelos : “Emburrecemos” sim. Confesso que não tenho muita ligação com essas duas décadas. Os bons se mantêm apesar da despencada de público. E quem regrediu foi a mídia, a crítica, as rádios e os produtores que pagam para tocar essas “coisinhas”. Meu olhar ainda esta na boa música mundial de outros tempos e de quem faz bom som agora que considero uma minoria. Quem foi rei sempre será majestade.

21) RM : Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Hilton Barcelos : Hermeto, Egberto, Maria João, Mário Laginha, Arismar Espirito Santo, Tomatito, Vicente Amigo, Nelson Ayres, Carlos Malta, David Ganc, Airto Moreira, Cesar Camargo, Wagner Tiso, Jaques Morelenbaum, Badi Assad, Celso Alberti, Antônio Nóbrega, Edson Alves, Mauro Senise, Kiiko Freitas, Polaco Oliva, Bebê Kramer, Nenê Batera, Téo Lima, Carlos Bala, Paulo Braga, Jorge Helder, Dudu Trentin, Raul de Souza, Mário Conde, Alegre Corrêa, Jorginho Trumpete, Marcos Valle, Jane Duboc, Ney Matogrosso, Joyce, Ricardo Silveira, Toninho Horta, Robertinho Siva, Flora Purim, Arthur Maia, Victor Biglione, Jovino Santos.

22) RM : Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Hilton Barcelos : Foi na Bahia em 1986 no teatro Castro Alves lotado no Projeto Pixinguinhacom Sandra de Sá. Eu sempre era acompanhado pela banda ai me falaram hoje você vai abrir o show no formato Violão e Voz. Fui e foi maravilha aquele público receptivo e caloroso.

Em 1981 no Norte do Paraná em um Festival de amostra musical no Castelo Eldorado, sem infra, chovendo e uma zona. E público sem respeito e produtores dando o cano nos artistas. Fui um dos poucos que recebeu a grana (Cachê), mas o som foi ruim. Foi um desrespeito geral.

23) RM : O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Hilton Barcelos : Feliz que amo o dom que recebi do universo e as pessoas legais que encontrei e encontro na estrada.

Triste muitas vezes por não ter a valorização nem o respeito merecido. Precisamos ter o retorno emocional e financeiro para seguir. Muita gente se alimenta de nossa energia quando começa a carreira. E ao fazer sucesso ou ter o reconhecido perde a memória e dá uma de “Estrela”. Admiro os respeitosos. Um incesto coração que não reconhece a estrada não merece minha amizade.

24) RM : Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Hilton Barcelos : Tenho estado mais virtual e meio download. Um pássaro sem ninho na cidade que me encontro de corpo. Minha alma pede outros mares e portos.Vejo o Brasil sem o aquele brilho sem a luz artística que enternece nossos corações. Minha seta é para Europa e pro mundão. Nesse momento que estou vivendo, faz um tempo que nada me seduz nessas cidades. Gosto de estar na Espanha e tenho raízes lá. Portugal é a matriz que nos recebe com olhos feito mãe e no Paraguay encontro um calor com respeito e afeto.

Brasil país continental que transpira e pulsa sem confiar que somos merecedores de algo melhor. Quem bons ventos e a luz do plano astral voltem a brilhar na nação tupiniquim. Nós queremos e merecemos o melhor pra fazer jus a essa grandeza e fartura que nos brindaram os deuses.Faço dessa linda letra abaixo feita pelo mestre Aldir Blanc minhas palavras e coma grande melodia do talentoso Maurício Tapajós.

QUERELA DO BRASIL – Maurício Tapajós e Aldir Blanc

O Brazil não conhece o Brasil

O Brasil nunca foi ao Brazil

Tapir, jabuti, liana, alamandra, alialaúde

Piau, ururau, aqui, ataúde

Piá, carioca, porecramecrã

Jobim akarore Jobim-açu

Oh, oh, oh

Pererê, câmara, tororó, olererê

Piriri, ratatá, karatê, olará

O Brazil não merece o Brasil

O Brazilta matando o Brasil

Jereba, saci, caandrades

Cunhãs, ariranha, aranha

Sertões, Guimarães, bachianas, águas

E Marionaíma, ariraribóia,

Na aura das mãos de Jobim-açu

Oh, oh, oh

Jererê, sarará, cururu, olerê

Blablablá, bafafá, sururu, olará

Do Brasil, SoS ao Brasil

Do Brasil, SoS ao Brasil

Do Brasil, SoS ao Brasil

Tinhorão, urutu, sucuri

O Jobim, sabiá, bem-te-vi

Cabuçu, Cordovil, Cachambi, olerê

Madureira, Olaria e Bangu, Olará

Cascadura, Água Santa, Acari, Olerê

Ipanema e Nova Iguaçu, Olará

Do Brasil, SoS ao Brasil

Do Brasil, SoS ao Brasil

25) RM : Quais os músicos, bandas da cidade que você mora, que você indica como uma boa opção?

Hilton Barcelos : Risos. Na cidade que muito tempo morei. Fora “as panelas”! EndrigoBettega, Mário Conde, Glauco Sölter, Murilo da Rós, Fernando Montanari, Hélio Brandão e sua família, Jaime MirtenbaumZenamon, Jeff Sabbag, Norton Morozowicz, Sérgio Albach, Beto Blue, Celso Loch

26) RM : Você acredita que as suas músicas tocarão nas rádios sem o pagamento do jabá?

Hilton Barcelos : Em alguns lugares sem dúvida, mas na grande maioria mafiosa não.

27) RM : O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Hilton Barcelos : Ter dom é preciso, confiar, estudar, estudar, e estudar, vivenciar, ter humildade, ser um eterno aprendiz, viajar para conhecer outras culturas, tocar, tocar, e tocar. Ouvir, ouvir e ouvir e se mostrar pro mundo.

28) RM : Quais os prós e contras do Festival de Música?

Hilton Barcelos : Festivais de Música são ótimos para revelar pessoas novas. Música não é competição, mas no passado os Festivais revelaram muitos grandes compositores etc. Graças a um Festival que ganhei três prêmios acabei seguindo essa estrada. “Não importa qual seja o destino felicidade é questão de tino” (Hilton Barcelos) do livro “Nas Águas do Verbo”.

29) RM : Na sua opinião, hoje os Festivais de Música ainda é relevante para revelar novos talentos?

Hilton Barcelos : Creio que bem feito e estruturado pode dar oportunidade aos sonhadores desse universo.

30) RM : Como você analisa a cobertura feita pela mídia da cena musical brasileira?

Hilton Barcelos : Risos. Sinceramente estamos sem noção e valores nesse momento. Mídia manipulada e manipuladora. Cena musical anda mancando no que tange a evolução. Um país que não reconhece seu passado e vai perdendo a memória.

31) RM : Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical em São Paulo?

Hilton Barcelos : Não tenho opinião, pois estou fora desse circuito. Nunca aprovaram nada meu nem me prestigiaram em qualquer projeto realizado por essas instituições. Essa porta nunca se abriu pra meu trabalho.Se você está fora do eixo é como peixe fora da água. O Brasil é um país com muitas caras e tem uma coisa chamada “Panela” do eixo Rio – São Paulo. Deveria mudar.

32) RM : Quantos livros você lançou e quais os perfis dos livros?

Hilton Barcelos : “Nas  Aguas do Verbo”em 1998, poemas gráficos

http://www.hiltonbarcelos.com.br/p/poetry-books.html

“Música Feita no Paraná”100 partituras musicais, letras, fotos, com mini – biografias de compositores que fizeram história no Paraná.

“Além das Pérolas” livro com 38 partituras, parcerias, poemas, letras, fotos, com passagens de minha vida.

“Nas Trilhas do Tempo”Livro com 119 partituras, parcerias, letras, poemas fotos, cartazes. (http://www.hiltonbarcelos.com.br/p/songbooks.html)

33) RM : Qual a sua relação pessoal e profissional com Hans-Joachim Koellreutter?

Hilton Barcelos : Koellreutter foi uma luz pra música nova no Brasil. Eu tive contato com ele num curso de “Estética e Composição Coletiva”durante 15 dias e foi maravilhoso, minha mente se abriu. Gratidão profunda a esse pensador, professor, compositor, instrumentista e alma nobre.

34) RM : Quais os seus projetos futuros?

Hilton Barcelos : Gravar, fazer shows, continuar compondo, poetando, aprendendo, ensinando e trocando com quem tem sede de realizar e evoluir.

35) RM : Quais seus contatos para show e para os fãs?

Hilton Barcelos : Busco sempre gente que faça, acredite e sonhe alto. A vida é um sopro e breve. Fãs sempre são bem recebidos. hiltonbarcelos@gmail.com | Skype: hiltonbarcelos | www.hiltonbarcelos.com.br |

www.primaveraproducoes.blogspot.com | www.myspace.com/hiltonbarcelos |

www.youtube.com/primaveraproducoes |  https://www.facebook.com/primaveraproducoes

http://www.hiltonbarcelos.com.br/2017/02/lancamento-do-e-book-nas-trilhas-do.html | http://www.hiltonbarcelos.com.br/p/musicas.html |

http://www.hiltonbarcelos.com.br/p/cds.html | http://www.hiltonbarcelos.com.br/p/songbooks.html |

http://www.hiltonbarcelos.com.br/p/poetry-books.html |

http://hiltonbarcelos.bandcamp.com | https://www.youtube.com/channel/UCijVCos50eujrdCrCWsXywg |

https://youtu.be/iBR_wHsb9zc | https://youtu.be/oCScBlCcDQ0 |

https://youtu.be/JbqjUXS3-qI | http://www.hiltonbarcelos.com.br/p/radio_25.html

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