Marcelo Fagundes

O maestro, arranjador, compositor, pesquisador musical, escritor, professor, editor, palestrante, membro do Conselho da Ordem dos Músicos do Brasil (CRESP), Marcelo Fagundes, é o proprietário da Keyboard Editora Musical e Escola de Música e um dos idealizadores da revista Keyboard Brasil – primeira publicação digital do mercado das Teclas no Brasil.

Formado em Órgão Eletrônico e Piano pela UNESP e graduado em Composição e Regência pela Faculdade de Artes Alcântara Machado (FAAM-FMU) dedica-se, principalmente, à educação musical. No final dos anos oitenta, percebendo um interesse muito grande por instrumentos musicais eletrônicos, que até então eram bastante rudimentares e desinteressantes, e a procura de estudantes de música que gostariam de adquirir conhecimentos técnicos e práticos nesses instrumentos, começou a estudar técnicas de ensino para o Teclado eletrônico. Tais estudos culminaram na criação do Método Prático para Teclados volume 1, primeira edição, um “best seller” nas livrarias especializadas. Esse foi o primeiro livro editado no Brasil sobre o assunto. Outros livros já existiam, mas, na verdade, eram adaptações de métodos de órgão e piano.

O sucesso desse primeiro trabalho motivou-o a escrever novos títulos: o Método Prático para Teclados volumes 2, 3 e 4; o Piano Popular Método Prático volumes 1, 2, 3 e 4; o Guia do Músico, o Segredo das Cifras; o curso de canto popular em livro e CD-ROM Aprendendo a Cantar; o Método de Divisão Bona; o Teoria da Música volumes 1 e 2 e os métodos infantis para Teclado e Flauta doce. Seus métodos, utilizados na maioria das escolas de música do Brasil, o tornaram um dos músicos mais respeitados dentro do mundo acadêmico e, principalmente, pelos estudantes de música.

Com sua editora Keyboard, há 29 anos no mercado, dedica-se também à produção de livros de outros autores renomados para o mercado musical, dentre eles, os maestros Joel Barbosa, Beto Barros e Angelino Bozzini, o multiinstrumentista Raul de Souza, os professores Roberto Bueno, Darcy Marolla, Fábio Caiaffa, Zé Cláudio Lino e muitos outros competentes colegas.

Produziu os CDs New Age, de relaxamento, yoga, reiki e feng shui para as gravadoras canadenses Anne-Marie e Solitudes.

Foi conselheiro durante longos anos da ABEMÚSICA (Associação Brasileira de Música) onde, em meados dos anos 90 teve como pesquisador, um papel fundamental na elaboração do projeto da obrigatoriedade do ensino da Música nas escolas de todo o Brasil, juntamente com outros renomados maestros e professores de música.

Durante alguns anos, adquiriu enorme experiência trabalhando como gerente de marketing e de vendas para a Weril Instrumentos Musicais, alavancando as vendas e reerguendo a empresa para o mercado nacional.

Tem muitos artigos periodicamente publicados em revistas especializadas de música e afins.

Atualmente, escreve um livro sobre Oratória que pretende lançar no final de 2016.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Marcelo Fagundes para a em 08.08.2016:

01-) Ritmo Melodia – Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Marcelo Fagundes – Nasci dia 27 de dezembro de 1969, em Jundiaí – SP.

02-) RM – Fale do seu primeiro contato com a música?

Marcelo Fagundes – Minha família sempre foi muito religiosa, frequentávamos as missas todos os domingos e o que me encantava era o som do Órgão, este foi meu primeiro instrumento musical estudado.

03-) RM – Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Marcelo Fagundes – Me formei em órgão no Conservatório Musical de Jundiaí em 1987. Depois me formei em piano pela UNESP e em Composição e Regência pela FMU-FAAM.

Fora da área musical sou um pesquisador de novas formas de comunicação utilizando a Semiótica e a WEB como ferramentas de divulgação e mobilização social.

04-) RM – Quais as suas influências musicais no passado e no presente?

Marcelo Fagundes – Sempre ouvi muita música erudita e sacra. Hoje ouço de tudo ‘pero no mucho’ (risos). Era estudante em uma época em que o Brasil era muito fechado, militares no comando, não tínhamos muito acesso a equipamentos e métodos, mas avançados, o que conseguia comprar eram discos de Vinil e nesta época já tinha a influência das bandas de Rock Progressivo que usavam muito os teclados eletrônicos, algo impossível de se ter por aqui.

05-) RM – Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Marcelo Fagundes – Muito cedo, antes mesmo de me formar em Órgão, dava aulas para crianças no Conservatório Musical de Jundiaí, onde estudava. Foi um grande aprendizado lidar com crianças e jovens, devia ter nesta época uns 12 anos de idade.

06-) RM – Quantos CDs lançados, quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as musicas que entraram no gosto do seu público?

Marcelo Fagundes – Num total são oito CDs lançados de 1998 até 2002 pela gravadora Solitudes – Canadá, lançados no Brasil e no mundo todo. São CDs de uma linha pouco conhecida no Brasil. São Músicas Visionárias, aqueles sons que quando a pessoa ouve constroem imagens de lugares, pessoas, procurando o bem-estar, um pouco diferente da New Age, mas com a mesma pegada. Fazia as composições e gravações em meu estúdio, sempre utilizando equipamentos avançados para a época, e sempre de maneira individual. Algumas músicas são ainda utilizadas em programas de TV jornalísticos como fundo.

07-) RM – Como você define o seu estilo musical?

Marcelo Fagundes – Sou bem eclético gosto de todo tipo de música, de instrumental a rock, enfim.

08-) RM – Como é seu processo de compor?

Marcelo Fagundes – Sou um compositor reconhecido pelas trilhas e músicas para TV. Gosto de imaginar cenas para aquela música que estou compondo tentando levar o ouvinte a uma viajem de bem-estar.

09-) RM – Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Marcelo Fagundes – Os prós: você tem o domínio total da produção sem a interferência de terceiros.

Os contras: a distribuição deste tipo de material no Brasil, as distribuidoras de CDs, as poucas que existem ainda, não trabalham com a música instrumental, gostam mesmo é de vender a música do povão, que julgam se mais rentável.

10-) RM – Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco? 

Marcelo Fagundes – Para falar a verdade nenhum, vamos vivendo, compondo, conhecendo pessoas que alimentam a nossa criatividade.

11-) RM – Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver sua carreira?

Marcelo Fagundes – Mantenho um site com todos os produtos que faço além de divulgar outros artistas: www.keyboard.art.br

12-) RM – O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Marcelo Fagundes – Atualmente, ajuda muito! Não vejo a internet como um lugar de prejuízo, precisamos saber usá-la e estamos aprendendo a fazer isso a cada ano.

13-) RM – Quais as vantagens e desvantagens do fácil acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Marcelo Fagundes – Isso possibilitou que mais pessoas pudessem ter seus equipamentos, mas a criatividade acabou sendo prejudicada. Quando gravávamos em fitas e tínhamos que tocar mesmo sem poder retocar uma ou outra nota, o trabalho era artesanal, pessoal e muito mais gratificante. Hoje, os programas acabam fazendo todo o trabalho e muitos músicos nem tocam mais, apenas colocam notas numa pauta e o computador faz o resto, uma pena.

14-) RM – No passado, a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje, gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Marcelo Fagundes – Procuro desenvolver minhas músicas e métodos com qualidade, só isso é que vai fazer com que esta concorrência acabe.

15-) RM – Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Marcelo Fagundes – Temos muitos novos músicos despontando em meio ao caos que a indústria fonográfica insiste em lançar! São músicos que não estão sempre em evidência, mas que realizam um trabalho de grande valor para nossa cultura atual. Temos: Marcelo Jeneci, Thiago Iorc, Silva, Ellen Oléria, Roberta Sá, Tulipa Ruiz, Céu, Maria Gadú, Felipe Catto, Roberta Campos, Juliana Kehl, Mart’nália, Ana Larousse, Rubel, Phill Veras e tantos outros!

Luiza Possi, Maria Rita, Luciana Mello e a própria Sandy, cresceram musicalmente! Aqui não me lembro dos que regrediram.

16-) RM – Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

 Marcelo Fagundes – Já toquei na banda de alguns consagrados músicos, mas Caetano Veloso é um exemplo de profissionalismo. Zizi Possi entende muito de música e corrigia os músicos com muito elegância.

17-) RM – Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Marcelo Fagundes – Quando estudava em São Paulo na Unesp, bacharel em Piano, tive que tocar em muitos bares da noite ganhava em dólar e não precisava levar nada, tínhamos muitas casas com Pianos mas em geral estavam sempre desafinados, por isso levava no bolso um rolinho de durex amarelo para marcar as teclas ruins, assim tinha que transpor, mudar as músicas de tom, evitando usar aquelas teclas, era um trabalhão, mas me ajudou muito. Depois acabei fazendo um curso de afinador na Fritz Dobber comprei uma chave e fazia pequenos reparos nos pianos que eram muito desafinados e me virava para poder ficar trabalhando na noite.

18-) RM – O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Marcelo Fagundes – Acho que a possibilidade de tocar a alma de uma pessoa com a música é algo admirável, também tenho relatos de pessoas que aprenderam com meus métodos e hoje tem uma nova profissão, isso me deixa muito feliz, mas infelizmente ainda tenho que trabalhar muito pois os ganhos são pequenos, as pessoas amam a música, mas não querem pagar por ela.

19-) RM – Nos apresente a cena musical da sua cidade natal?

Marcelo Fagundes – Jundiaí tem poucos movimentos, estamos muito perto de Campinas e São Paulo e as pessoas que realmente gostam de boa música acaba saindo daqui para ouvir.

20-) RM – Você acredita que as suas músicas tocarão nas rádios sem pagar o jabá?

Marcelo Fagundes – Sim, tenho algumas músicas que tocam, mas não recebo nada por elas apenas divulgam meu trabalho, é uma escolha.

21-) RM – O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Marcelo Fagundes – Que vá em frente e que não desista, pois sem persistência na música, você não consegue nada.

22-) RM – Quais os Pianista e Tecladista que você admira?

Marcelo Fagundes – Nelson Freire, Cesar Camargo Mariano, Wagner Tiso, Hermeto Pascoal, Ivan Lins, Guilherme Arantes, e muitos internacionais, como Martha Argerich, o show man Lang Lang e os de jazz, Count Basie, Alice Coltrane, Chick Corea, Bill Evans, Keith Jarrett, Michel Petrucciani e muitos outros.

23-) RM – Quais os compositores eruditos que você admira?

 Marcelo Fagundes – Bach e Beethoven.

24-) RM – Quais os compositores populares que você admira?

Marcelo Fagundes – Chico Buarque, Caetano Veloso, Ivan Lins, Gonzaguinha, Djavan, Toquinho, Jorge Bem Jor, Tim Maia, João Bosco, Edu Lobo e Dorival Caymmi.

25-) RM – Quais os compositores da Bossa Nova você admira?

Marcelo Fagundes – Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Marcos Valle, João Gilberto, Baden Powell, Sérgio Mendes.

26-) RM – Nos apresente os seus métodos para Teclado?

Marcelo Fagundes – O meu Método Prático para Teclados foi o primeiro lançado no Brasil em 1987. A Editora Vitale não quis lançar e eu montei minha própria editora e fiz este lançamento. Era apenas 1 livro com uma fita K7. No ano seguinte, este livro era o mais vendido na livraria Vitale em São Paulo. Isso é um exemplo de perseverança, pois sem nenhuma motivação de editora, eu acreditei no meu estilo de ensinar. Virou Best Seller durante muito tempo e é um sucesso até hoje.

Depois escrevi o volume 2, mais tarde, a coleção com 4 volumes acompanhando um CD de áudio, sucesso até hoje que me fez criar também o Método de Piano Popular no mesmo formato.

27-) RM – Quais dos seus métodos que estão à venda

Marcelo Fagundes – Hoje temos muitos métodos, não só de teclas, mas também de Canto, Teoria da Música, e para Instrumentos de Sopro, cerca de 100 títulos diferentes, você pode conhecer no nosso site: www.keyboard.art.br

28-) RM – Quais as principais diferenças entre as técnicas de Piano e de Teclado?

Marcelo Fagundes – Meu método de Teclado explora exatamente essa diferença. No caso do Teclado eletrônico, desenvolvemos a habilidade da mão direita para a linha melódica e utilizamos os recursos de auto acompanhamento no Teclado tocando com a mão Esquerda os acordes (cifras). Isso nos anos 80, não era feito no Brasil.

Os professores de “Teclado” davam aulas com os métodos de piano sem utilizar esse recurso do auto acompanhamento. Já no Piano, adotamos as técnicas pianísticas consagradas fazendo o uso das duas claves (Sol e Fá) modificando apenas o repertório para a música popular.

29-) RM – Qual a importância dos conhecimentos tecnológicos para o Tecladista?

Marcelo Fagundes – Fundamental, devido a rapidez com que a tecnologia se transforma nos dias de hoje. O Teclado eletrônico que era espetacular há um ano hoje já se tornou obsoleto. O que faz do Tecladista um pesquisador de tecnologia.

30-) RM – Você é adepto ao uso de VST? Quais você indica para os Tecladista?

Marcelo Fagundes – Eu não utilizo essa tecnologia. Estou num processo criativo buscando uma sonoridade vintage.

31-) RM – Quais os Teclados versáteis que você indica atualmente?

Marcelo Fagundes – Como músico, não recebo ajuda de nenhuma marca. Logo, não faço divulgação gratuita de nenhum.

 32-) RM – Quais os principais vícios e erros que devem ser evitados no estudo de Piano e Teclado?

Marcelo Fagundes – Vícios: Eleger apenas um estilo musical e aprofundar-se nele. Esquecendo da grandiosidade musical existente no mundo.

Erros: Exigir demais de sua anatomia podendo comprometer a sua carreira musical com doenças, desgastes físicos, problemas de coluna, enfim.

33-) RM – Existe o DOM musical? Como você defini o Dom musical?

Marcelo Fagundes – Não acredito em Dom musical. A pessoa tem sim, o dom da perseverança. Qualquer pessoa com este dom pode se tornar um músico de excelência. Como professor de música, os alunos que possuíam mais facilidade, eram os que davam mais trabalho, pois não queriam estudar técnica e teoria e, hoje, não são músicos. Já aqueles que tinham de lutar pelo aprendizado, utilizando-se desse magnífico dom, que é a perseverança e persistência, atualmente são músicos excelentes!

34-) RM – Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Marcelo Fagundes – Eu nunca aconselhei ninguém a estudar improvisação sem que tenha provado para mim um alto conhecimento de harmonia musical. Muitos músicos de hoje não têm este conhecimento e vomitam notas sem saber o que fazem em frases improvisadas, cansativas e repetitivas.

35-) RM – Qual a definição de Improvisação para você? 

Marcelo Fagundes – Conhecer completamente a estrutura harmônica da música a ser improvisada e seus elementos e criar novas linhas melódicas para esta estrutura.

36-) RM – Existe improvisação de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Marcelo Fagundes – Existem músicos que realmente estudam antes e outros que tem um estilo próprio de improvisação o que torna o processo mais fácil. Eu mesmo fui colecionando exemplos dos grandes improvisadores o que me ajudou muito, pois tinha que ouvir e escrever o que tocavam, fiz isso durante uns 20 anos e este material está no livro Segredo das Cifras, no final tem um capitulo só com frases de grandes improvisadores.

37-) RM – Como chegar ao nível de leitura à primeira vista?

Marcelo Fagundes – Só treinando e lendo todo tempo.

38-) RM – Quais os métodos que você indica para o estudo de leitura à primeira vista?

Marcelo Fagundes – Os nossos de Teclado ajudam muito mas também temos uma edição do Bona com dois CDs de áudio o que facilita muito o estudo dele.

39-) RM – Quais os benefícios de ser inscrito na Ordem dos Músicos do Brasil?

Marcelo Fagundes – É nossa entidade, se não está funcionando bem é culpa de todos os músicos que nunca se uniram para pedir ordem na casa. Agora nestes últimos anos as coisas melhoraram muito com o Prof. Roberto Bueno, meu amigo pessoal, músico sério e que está tentando levantar a OMB, mas sem a ajuda de todos está difícil.

40-) RM – O que precisa ser melhorado nas ações práticas da Ordem dos Músicos do Brasil para que o músico se sinta bem representado?

Marcelo Fagundes – Acho que as coisas já estão mudando muito. Aquele conceito de PERSEGUIR os MÚSICOS não existe mais na OMB. Eles estão trabalhando muito por nós, em projetos que sequer sabemos. Um deles é a Volta dos Cassinos, uma oportunidade para todos poderem tocar.

41-) RM – Qual o processo eletivo para se tornar um membro da Diretoria da Ordem dos Músicos do Brasil?

Marcelo Fagundes – Tem que estar inscrito e sem nenhuma pendência nas contribuições e participar das assembleias. A OMB é de todos nós.

42-) RM – Quais os seus projetos futuros?

Marcelo Fagundes – Na área musical, continuar pesquisando e lançando métodos de ensino e talvez fazer um CD apenas de piano com arranjos inovadores de temas da nossa música popular brasileira.

43-) RM – Quais os seus contatos?

Marcelo Fagundes – Direto pelo da www.keyboard.art.br

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