Antes de pensar no sucesso ame a Música

Por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa

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Nestes 14 anos editando a Ritmo Melodia fiz contato com vários músicos; os que entrevistei ou não. Percebo que muitos músicos amam mais o sucesso que a música; os que já chegaram ao sucesso ou aqueles que ainda nem começaram subir a montanha.

Muitos não dão importância à arte musical. Não se preocupam em ter uma formação musical, seja teórica, histórica, estética ou filosófica. Acreditam que nasceram com o DOM musical e isso já basta. Estudar para que? Isso é coisa para os músicos eruditos; que vivem nas cavernas e labirintos dos sons complexos e que não sonham com a fama nem que as suas músicas toquem nas FMs nem querem aparecer nos programas de TV. Para alguns que fazem música popular o importante é ser ídolo. Querer ter êxito na profissão é legítimo e ganhar o sustento e ser reconhecido pelos frutos do próprio trabalho é digno. Desejar o sucesso não é o problema. Principalmente quando trabalhamos no que nos dá prazer. Mas a dedicação exclusiva pelo sucesso a qualquer custo já deu exemplos desastrosos na história da música; tragédias, problemas com a polícia e a justiça e tratamento psiquiátrico. O deslumbramento quando vem antes de uma obra musical consistente; é o grande “Calcanhar de Aquiles” do músico.

Na história da música erudita também existiram e existem os egocêntricos, megalomaníacos e pescadores da fama. Mas estes músicos de alguma forma amam a arte musical, seja por vocação ou por dedicação exaustivas aos estudos. Da mesma forma que existem músicos populares que se dedicam aos estudos da música e do seu instrumento musical. Mas a maioria que não ler biografias de músicos ou livros sobre a história da música; repetem os erros do passado, ao invés de corrigir-los. Quem não conhece o passado não evolui no futuro.

O sucesso midiático espontâneo é uma ilusão e para atingir este sucesso a qualidade da obra musical é o que menos importa. No passado o músico recebia cachê para se apresentar em programa de auditório na Rádio e na TV. Hoje quem quiser ter a sua música na mídia (Rádio e TV) paga um jabá bem caro. Alguns músicos ingênuos sonham com a sorte de ouvirem as suas músicas tocarem de graça nas rádios. Alguns músicos vão pagar “mico” em programas dominicais para mostrarem a sua arte.

Na internet ainda existem espaços que não cobram ao músico para divulgar a sua obra, por enquanto. Em breve adotarão a metodologia mercadológica das Rádios e TVs. Quem não faz música como arte, mas só como entretenimento ama mais o sucesso que a arte musical. O músico que ama a música e faz música como uma expressão artística já atingiu o sucesso por deixar a sua obra musical para os contemporâneos e para futuras gerações. O êxito profissional do músico é conquistado degrau por degrau como em qualquer profissão. Ter uma obra importante e atemporal é o grande desafio.

O músico é um profissional liberal, autônomo e empreendedor. Responsável pelo planejamento da gravação das suas músicas, a prensagem do seu disco (CD), a distribuição online e física do seu CD. E principalmente por manter o contato direto com seus ouvintes. Recebe elogios, críticas por e-mail, redes sociais e outros aplicativos de bate papo em tempo real.  É preciso descer do trono intocável de ser “O Artista”. O músico que no passado fazia sucesso por sua áurea misteriosa e divina já não tem mais espaço no mundo cibernético. Seja Músico sem deixar de ser Humano. Seja simples e não simplório. Seja mais músico do que artista.

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