Rodrigo Chenta

O compositor, instrumentista, educador musical paulista Rodrigo Chenta. Entrou para o mundo da música no final de 1994 através de amigos da igreja que frequentava (Primeira Igreja Batista em São João Clímaco) e outros do bairro onde morava. Começou tocando violão e depois guitarra, como autodidata de 01/1995 a 06/1999.

Aos dezenove anos de idade, começou a trabalhar profissionalmente com música, seja gravando e se apresentando com diversos grupos e formações instrumentais em cidades de São Paulo e lecionando em escolas de música e estúdios.

Em julho de 1999, Rodrigo Chenta inicia seus estudos regulares no curso “Composição e Guitarra” com Olmir Stocker (Alemão) na Universidade Livre de Música (U.L.M. Tom Jobim) com duração até junho de 2003. No primeiro período concluiu o curso “Elementos Fundamentais para a Composição e Improvisação”. Chenta durante e após seus estudos com o grande músico, compositor, guitarrista Olmir Stocker, passa a escrever músicas para diversas formações e gêneros musicais como Fusion, Baião, Jazz, Samba, Funk, Balada, Gospel, etc.

De 02/2002 a 11/2003, concluiu, na Fundação das Artes de São Caetano do SulF.A.S.C.S., o curso de “Formação Musical” com habilitação em guitarra sendo orientado por Marcelo Gomes e Marcelo Francisco José, estudando um ano com cada um. Em 2003, participa do V Festival de música de São Caetano do Sul cursando “Rítmica Indiana” com o baterista/percussionista José Eduardo Nazário, “Textura” com o maestro/arranjador Rycardo Lobo e “Improvisação” com o contrabaixista alemão Frank Herzberg.

De 02/2004 a 11/2005, se forma como “Técnico em música” com habilitação em guitarra na F.A.S.C.S. sendo orientado por Marcelo Francisco José por mais dois anos. Em 2004, participa do VI Festival de música de São Caetano do Sul cursando “Improvisação” com o guitarrista Paulo Tiné. Em maio de 2004, participa do curso de “Música Popular” com o maestro Antonio Carlos Neves Pinto na F.A.S.C.S.

Em 2005, participa do V Festival de música de Ourinhos cursando “Big Band” com o maestro/saxofonista Victor Gorni e “Guitarra” com o grande músico Djama Lima. No mesmo ano, participa do VII Festival de música de São Caetano do Sul cursando “Prática de Música Popular” com o produtor e pianista Ogair Junior, com quem teve durante certo tempo, a oportunidade de aprender muito em todos os aspectos de sua vida musical.

Em 2006, participa do VI Festival de música de Ourinhos cursando “Prática de Jazz Performance” com o guitarrista Lupa Santiago. No segundo semestre do mesmo ano concluiu o curso “A História da Música Vivida em Sons” com o renomado professor de história da música Arnaldo José Senise no Centro de Estudos Musicais (C.E.M. Tom Jobim).

Durante seus estudos de improvisação e composição, participou de diversos grupos instrumentais como: “Duo Violão-Sax”, “Trio Dois e Meio”, “Duo Violão de 7 cordas-Cavaco”, “Trio 100 Vergonha”, “Fratrio”, etc.

Já acompanhou diversas cantoras executando composições próprias, arranjos, e interpretações de obras de Tom Jobim, Djavan, Ivan Lins, Standards de jazz, etc.

Ele participou de diversas master classes e workshops com os seguintes músicos do cenário internacional: Jeff Gardner (Pianista-E.U.A), John Stain (Professor de guitarra da Berklee College of music-Boston-E.U.A), Donald Harrison (Saxofonista-E.U.A), Vincent Gardner (Trombonista-E.U.A), Mika (contrabaixista/compositor-E.U.A), etc.

No ano de 2008, realizando uma fusão entre música e tecnologia conclui o curso de bacharel em Sistemas de Informação na Universidade Bandeirante de São Paulo. É conhecedor das seguintes linguagens: HTML, XHTML, CSS, JavaScript, PHP, JSP, Java, C, SQL e UML.

Possui aproximadamente 100 composições próprias entre obras instrumentais, vocais e edita o portal www.informacaomusical.com .

Lecionou em escolas de música como Oficina do Som, Dó Maior, Estúdio Som, Projeto Música nas Igrejas, Projeto Aprenda Música, etc. Hoje em dia leciona nas escolas Harmony, Real Som e Centro Musical Venegas.

Em 2012, foi aluno especial no programa de pós-graduação da USP – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas no curso de Narrativa Histórica e Linguagem Musical: a Interdisciplinaridade como Abordagem para Construção de Análises e Interpretações, onde teve como professor, Cacá Machado.

Em 2012, foi aluno especial no programa de pós-graduação no Instituto de Artes da UNESP tendo cursado as disciplinas de Seminário de Pesquisa em Música com Alberto T. Ikeda e também na disciplina de Metodologia da Pesquisa em Música com a Dorotéa Kerr.

Em 2013, no programa de pós-graduação no Instituto de Artes da UNESP cursou com Marisa Trench de Oliveira Fonterrada o curso de Educação Musical: questões da contemporaneidade, ecologia acústica, pensamento sistêmico e criatividade. Neste mesmo ano, forma juntamente com Ivan Barasnevícius um Duo de guitarras em que trabalham composições próprias com muitas partes improvisadas.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Rodrigo Chenta para a em 01.04.2015: 

01-) Ritmo Melodia – Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Rodrigo Chenta – Eu nasci em 22/11/1980, à noite, em São Caetano do Sul – SP. 

02-) RM – Fale do seu primeiro contato com a música? 

Rodrigo Chenta – Lembro-me das músicas cantadas na época da escola especificamente no Ensino Infantil e Fundamental I. O momento após o recreio era propício para as cantigas, pois nos organizávamos em filas para voltar para as salas de aula.

Em casa, meu pai ouvia músicas italianas, boleros, canções, rock dos anos 70, etc. Quando completei 12 anos, ele me apresentou e presenteou com alguns discos de vinil de bandas de rock como Black Sabbath, Led Zeppelin, Nazareth, Slade e Deep Purple.

O contato inicial com um instrumento musical aconteceu aos 14 anos de idade com amigos do bairro que morava e na Primeira Igreja Batista em São João Clímaco. Ganhei um violão da minha mãe no Natal e após um ano comprei uma guitarra. 

03-) RM – Qual a sua formação musical e acadêmica? 

Rodrigo Chenta – Fui autodidata durante os quatro anos e meio iniciais. Estudei quatro anos na antiga ULM (Universidade Livre de Música) com o grande Olmir Stocker, mais conhecido como “Alemão”, em que basicamente estudava composição, harmonia e improvisação de forma bastante livre.

Posteriormente me formei na FASCS (Fundação das Artes de São Caetano do Sul) no curso de “Formação Musical” com orientação de Marcelo Gomes e Marcelo Francisco José. Emendei no curso de “Técnico em Música” com orientação de Marcelo Francisco José na mesma instituição. Estes dois últimos cursos foram com habilitação em guitarra.

Paralelamente a isso participei de várias edições dos festivais em Ourinhos e São Caetano do Sul onde tive o privilégio de absorver os ensinamentos de ilustres como Paulo Tiné, Djalma Lima, Antônio Carlos Neves Pinto, Lupa Santiago, Frank Hezberg, Ogair Júnior, José Eduardo Nazário e Rycardo Lobo.

Realizei uma fusão entre música e T.I ao concluir o bacharelado em “Sistemas de Informação” na Universidade Bandeirante de São Paulo.

Na academia, participei como aluno especial dos programas de pós-graduação na USP-FFLCH com Cacá Machado e na UNESP-IA com Dorotea Machado Kerr, Marisa Trench de Oliveira Fonterrada e Alberto T. Ikeda. 

04-) RM – Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância? 

Rodrigo Chenta – Em minha adolescência ouvia basicamente bandas de rock como Cannibal Corpse, Napalm Death, Schaliach, RDP, Slayer, Kreator, Sepultura e Metallica antigos, Iron Maiden, etc. No entanto o meu interesse sempre foi o musical, pois algumas bandas tinham letras que me desagradavam bastante. Atualmente e com o advento da internet escuto muito mais metal extremo que antigamente.

Em relação à música instrumental, ouvia guitarristas como Joe Satriani, Steve Vai e Greg Howe. Quando passei a estudar na ULM e na FASCS, tive contato com músicos que me influenciaram bastante como Mike Ster, Scott Henderson, Hermeto Pascoal, Pat Metheny, John Scofield, Tom Jobim, John Coltrane, Allan Holdsworth e George Benson. Nenhum dos artistas citados anteriormente deixou de me influenciar.

A cada dia que passa e ao conhecer coisas novas vou me influenciando por aquilo que me identifico bastante. Artistas que me agradam e de certa forma me influenciam no presente são Ole Borud, Snarky Puppy e Dirty Loops. 

05-) RM – Quando, como e onde você começou sua carreira profissional? 

Rodrigo Chenta – Foi em 1999, quando passei a atuar como sideman tocando em bares e afins com grupos musicais diversos tanto na formação como nos gêneros abordados. Na mesma época fiz alguns trabalhos pequenos em estúdios de gravação e me fascinei com a ideia de ensinar. Procurei estudar rigorosamente muitos métodos relacionados com o violão e a guitarra. A partir daí, me especializei nas escolas já citadas e estou neste contínuo processo de aprendizagem eterna. 

06-) RM – Cite os CDs que já participou, quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? 

Rodrigo Chenta – Gravei juntamente com Ivan Barasnevicius um CD com o título de “Novos Caminhos” contendo onze músicas e será lançado no início de 2015. No total das obras musicais, cinco são de minha autoria e mais cinco do Ivan. A décima primeira é uma versão alternativa de uma composição minha. Neste trabalho procuramos gravar obras muito distintas umas das outras. É muito difícil tocar em Duo e procuramos soluções de arranjos que se moldassem melhor às próprias composições e maneira que tocamos.

O perfil deste trabalho foi o resultado de um ano de experimentos em que se realizou uma fotografia do momento musical de cada um dos dois músicos. Procuramos trabalhar com interações, peculiaridades timbrísticas, situações inesperadas através de diversos momentos de improvisação. Algumas composições foram criadas especificamente para este projeto de Duo e outras ainda não conseguimos enquadrar em algum gênero musical específico. 

07-) RM – Como você se define como guitarrista? 

Rodrigo Chenta – É sempre difícil falar de si próprio, no entanto me considero um guitarrista exigente comigo mesmo, sou determinado e rigoroso quanto aos métodos de estudo. Gosto muito de fusões de gêneros e estilos desde que bem dosados.

Regulo eu mesmo as minhas guitarras e violões deixando-os exatamente do jeito que me agrada no momento de tocar. Isso é de grande importância para mim, pois somente eu sei, com precisão, as características que almejo e o que quero tirar do meu instrumento. 

08-) RM – Em uma banda quem é mais vaidoso o cantor ou o guitarrista? 

Rodrigo Chenta – Em qualquer formação instrumental pode ocorrer este tipo de comportamento em um músico. O importante é saber lidar com isso e verificar até que ponto esta característica compromete ou não de forma negativa o desenvolvimento musical. Lidar com pessoas é muito difícil e complexo e me parece que a cada dia elas estão se tornando piores. 

09-) RM – Quais as principais técnicas que o guitarrista tem que conhecer para estar pronto para tocar em qualquer estilo musical? 

Rodrigo Chenta – Em relação ao estilo musical é de suma importância conhecer a linguagem que se propõe a utilizar no momento da execução de um gênero musical. Como disse Heraldo do Monte em uma vídeo-aula “é preciso conhecer os sotaques daquilo que tocamos”. Obviamente que também são necessários conhecimentos como boa fluência, execução harmônica e melódica limpas, saber como administrar o silêncio, etc. 

10-) RM – Quais os guitarristas você admira? 

Rodrigo Chenta – São vários e listarei alguns: Ole Borud, Allan Holdsworth, Fernando Correa, Scott Henderson, Fábio Leal, Barney Kessel, Derek Bailey, Olmir Stocker “Alemão”, Greg Howe, Eric Krasno, Pat Metheny, Frank Gambale, Lee Ritenour, Mike Stern, John Scofield, George Benson, Birele Lagrene, etc. 

11-) RM – Você compõe? Como é o seu processo criativo? 

Rodrigo Chenta – Componho e improviso desde que comecei a tocar violão. Para cada música o processo criativo é diferente. Atuo com obras instrumentais em sua maioria e vocais bem menos frequentemente. Tem vez que inicio pelos acordes e depois coloco uma melodia podendo este método ser ao contrário. Às vezes escrevo tudo junto.

Existem momentos que escrevo a música do início ao fim sem interrupção e vezes que escrevo aos poucos conforme a inspiração. Apesar de já utilizar a abordagem de criação por inspiração, aprendi muito com o Alemão “Olmir Stocker” a compor desta forma e não por elaboração. As ideias musicais aparecem do nada e costumo escrevê-las imediatamente para não as esquecer. É claro que com a prática isso facilita a composição por elaboração. Este processo vai completamente contra ao que é defendido por Arnold Schoenberg em todos os livros que escreveu tanto os de harmonia como de contraponto, composição e arranjo.

No entanto, cada um deve compor da forma que entenda mais tranquila e que facilite toda a construção da música. 

12-) RM – Quais são seus principais parceiros de composição? 

Rodrigo Chenta – Apenas uma vez compus uma obra vocal com um parceiro chamado Antônio Eurismar. Tirando esta experiência, sempre componho tudo sozinho e no momento da execução aceito, quando contribuem, as sugestões de quem toca comigo. Isso deixa a obra mais orgânica e enriquece a performance.   

13-) RM – Quais os prós e contras de se desenvolver uma carreira musical de forma independente? 

Rodrigo Chenta – Os prós é que sozinho é possível vivenciar cada detalhe das etapas e assim, adquirir muito conhecimento deste processo. Isso contribui para no futuro não cometer os mesmos erros. Sozinho é possível adquirir qualidades relacionadas à administração.

Os contras são que as coisas demoram a acontecerem. É necessário um grande investimento financeiro e de tempo. De forma independente o músico tem que cuidar de tudo pessoalmente e se ele não tiver habilidades de gestão, isso pode causar alguns conflitos que prejudicam tanto a carreira musical como a familiar.

A falta de apoio pode causar grandes problemas. Quando se tem um bom empresário, as coisas ficam muito mais fáceis e diversas etapas podem ser suprimidas. 

14-) RM – Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?  

Rodrigo Chenta – Dentro e fora do palco é necessário além de sempre dar o melhor de si, proporcionar algum diferencial.

Procuro ao planejar um concerto, escolher os músicos que tem a ver com a proposta do som de cada evento, para assim proporcionar mais coesão e interação musical. Não vejo como uma boa estratégia de planejamento escolher um músico especialista em tocar choro para fazer uma noitada de jazz, por exemplo. Prefiro não cometer o grande erro que o Pixinguinha fez nos E.U.A. no início do século passado.

Uma questão importante e que muitas vezes é deixada de lado e que prezo bastante é a da logística para se chegar ao local de apresentação.

Fora do palco planejo com bastante antecedência como acontecerá a divulgação não só dos concertos, mas das demais coisas relacionadas como workshops, palestras, aulas, gravações, etc. 

15-) RM – Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira? 

Rodrigo Chenta – Procuro sempre usar equipamentos com excelente qualidade referente às guitarras e violões, amplificador, processadores de efeito, cabos, cases e demais acessórios. Invisto em formação para sempre aumentar o conhecimento e aplicá-lo de forma benéfica em minha carreira. Os contatos profissionais também são de grande importância e devem sempre aumentar a cada dia. 

16-) RM – O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira? 

Rodrigo Chenta – A internet ajuda de forma muito considerável. Através de meu site pessoal é fácil me contatar para fechar alguma parceria ou negócio. Com ele é possível obter muita informação sobre um músico. Ainda não fui prejudicado com o uso das ferramentas que a internet possibilita.

Atuo também no desenvolvimento de websites e já tive o prazer de trabalhar com músicos muito bons que podem ser verificados em meu portfólio. Hoje em dia é comum encontrar sites péssimos com ausência de informação, visual cansativo, erros de programação, erros de português, problemas estruturais, somente para citar alguns equívocos. Isso acaba com a imagem de um artista e pode prejudicar o músico. Acredito que se ele não tem o mínimo de cuidado com a própria imagem em um site, que é uma grande vitrine para expor as qualidades, imagino como ele será nas demais áreas relacionadas com a música.

As redes sociais também auxiliam neste processo e conforme elas evoluem é necessário analisá-las e planejar qual delas podem proporcionar bons resultados para a carreira musical. 

17-) RM – Quais as vantagens e desvantagens do fácil acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?  

Rodrigo Chenta – Poder gravar em casa com tempo e sem o grande custo de um estúdio profissional é algo maravilhoso e muito vantajoso desde que não se queira fazer uma produção extremamente profissional e longa. O home estúdio facilita muito em um processo de composição e criação de arranjos por exemplo. É muito bom se ouvir após uma gravação para refletir sobre assuntos como execução, timbre, criação, etc.

A desvantagem é o fato de alguém pensar que o estúdio caseiro pode substituir um estúdio profissional que pode proporcionar salas preparadas, mais opções de equipamentos e captação do áudio, sem esquecer do conhecimento de um bom técnico de áudio que trabalha com isso o dia todo e pode ajudar bastante com a vasta experiência. 

18-) RM – No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente uma carreira musical. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo, mas a concorrência se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Rodrigo Chenta – Procuro ao máximo propor trabalhos que possibilitem formas distintas de tocar em relação a arranjos e assuntos relacionados. É muito difícil produzir algo novo, no entanto isso é uma condição primordial em minha carreira musical. Na maioria das vezes proponho a execução de trabalhos autorais como consequência da estratégia de diferenciação. 

19-) RM – Como você analisa o cenário musical brasileiro? 

Rodrigo Chenta – Sou pessimista quanto ao mercado musical brasileiro. Acredito que a coisa só vai piorar, no entanto eu componho e toco meus instrumentos antes de atuar neste mercado e isso eu nunca irei parar de fazer.

Incentivo Estatal é uma raridade e quando acontece quase sempre tudo já está arranjado para as panelas de sempre. 

20-) RM – Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc.)? 

Rodrigo Chenta – Certa vez em 2005, toquei em um local de São Paulo e onde estava escrito tomada 110 volts era 220 volts. Logo no começo da música Chromazone do Mike Stern e que eu fazia a melodia juntamente com o saxofone, começou a sair fumaça do visor da pedaleira. Fiquei desesperado e desliguei o equipamento que teve a fonte de alimentação queimada.

Também já aconteceu de não repassarem o valor correto do couvert artístico em São Paulo. Decidi não tocar mais no local. 

21-) RM – O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical? 

Rodrigo Chenta – A felicidade vem em conhecer novas pessoas, interagir musicalmente nas improvisações com diversos músicos, canjas, concertos e afins. Gosto de gravar e dos horários mais soltos e incomuns.

O que me entristece é quando o músico é tratado pior que um animal. Existem estabelecimentos que cobram até a água que o músico bebe. 

22-) RM – Nos apresente a cena musical da cidade que você mora? 

Rodrigo Chenta – São Paulo oferece diariamente centenas de opções musicais nos demais gêneros e estilos. Acontece que a cada dia parece que o público diminui. Não sei se é a falta de segurança da cidade, diminuição da renda das pessoas, ou qualquer outro motivo. Quando se fala em música instrumental a coisa é pior ainda.

Se não bastassem os problemas já citados, tem a questão de como lidar com alguns donos de estabelecimentos que oferecem música ao vivo. Como muitos proprietários não querem se comprometer e pagar um cachê digno aos músicos existe o formato de couvert artístico/entrada cobrado em vários lugares. Acontece que em muitos locais o valor não é repassado com exatidão e os músicos que acabam sendo lesados nesta questão.

Tem também a questão da não valorização do artista por muitos locais que promovem música ao vivo. Eles já estipulam um valor de entrada extremamente baixo. Ou seja, não importa quem seja o músico, a entrada no concerto é fixa. E alguns donos de bares ainda reclamam que a banda ou grupo musical não trouxe público para consumir. Isso é um absurdo. 

23-) RM – Quais os vícios técnicos o guitarrista deve evitar? 

Rodrigo Chenta – O músico deve evitar sempre que possível tocar as mesmas ideias. Isso o torna previsível e pode fazer alguém perder o interesse facilmente. Uma boa dica é sempre se ouvir através de gravações.

O volume sonoro é um grande ponto a ser gerido. Existem guitarristas que tocam com os amplificadores quase que sempre no máximo volume. Isso é péssimo, pois reflete que ele não ouve os demais músicos e não interage com eles musicalmente.

É importante administrar bem os processadores de efeitos para tirar os recursos necessários para contribuir para a o timbre. Tem guitarrista com um monte de pedais e pedaleiras e não sabe o que fazer com tudo aquilo. Às vezes prejudica a sonoridade por não saber manusear corretamente o equipamento. Muitas vezes menos é mais.

24-) RM – Quais os erros no ensino de guitarra devem ser evitados? 

Rodrigo Chenta – Algumas pessoas acreditam que é necessário começar com o violão e depois ir para a guitarra. Isso é um grande equívoco. O aluno deve estudar o instrumento que mais gosta de ouvir. Se for a guitarra, que comece com ela então.

Vejo por parte de algumas pessoas, a falta de formação e preparo para ensinar alguma coisa. Tocar bem não é habilitação para ensinar bem e o que mais existem são exemplos que provam isso.

Defendo a importância de estudar diversas formas de abordagem do mesmo assunto. Pode levar algum tempo para descobrir, mas existem alunos que são mais visuais; outros mais auditivos; outros mais físico/mecânicos. É vantajoso proporcionar no aluno a experiência de escutar, ver, fazer na prática o assunto abordado na aula e posteriormente refletir sobre o ensinamento aprendido. 

25-) RM – Quando tocar muitas notas por compasso ajuda e prejudica a musicalidade do guitarrista? 

Rodrigo Chenta – Não vejo a quantidade de notas em um compasso relacionada com a musicalidade. É possível ser musical com poucas notas como Bill Frisell ou João Donato e com muitas notas como Birele Lagrene ou Yngwie Malmsteen.

Acredito que cada estilo deve ser respeitado. Não adianta tocar um bebop com andamento rápido com poucas notas e nem uma balada com muitas. De qualquer forma cada caso é um caso. E a meu ver, tudo feito com moderação, é mais bem construído.

A musicalidade tem outros parâmetros como fraseados, fluência, respiração, silêncio, timbre, escolha de estruturas, etc. 

26-) RM – O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical? 

Rodrigo Chenta – É necessário investir em formação musical. Adquirir bons conhecimentos no instrumento escolhido e tocar com o maior número de pessoas possível. Investir muito tempo na apreciação musical. Por mais estranho que parece, tem músico que não ouve música. A escuta direcionada é primordial para a formação de um bom músico. Acredito que o estilo musical e pessoal de cada um vem daquilo que mais gostamos em nossas influências. 

27-) RM – Quais os seus projetos futuros? 

Rodrigo Chenta – Tenho projetos para formações instrumentais bastante distintas. Pretendo continuar com as composições e arranjos para gravar as minhas obras musicais nas formações pensadas para cada uma delas. 

28-) RM – Quais seus contatos para show e para os fãs? 

Rodrigo Chenta – 

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