Carlos Navas

DVD ensaio CarlosNavas 2013

O cantor paulistano Carlos Navas chegou à de maneira bastante inusitada. Começou como divulgador em 1986 e, posteriormente, agente e produtor de artistas como Tetê Espíndola e Alaíde Costa, ficando conhecido no meio artístico.

Em 1992, fez backing vocal para Alzira Espíndola em uma apresentação onde a cantora estava praticamente afônica. A partir daí, desenvolveu trabalhos em jingles e coros, além de participações esparsas em shows de Tetê, Alzira e Luli & Lucina em várias cidades.

Em 1996, monta o espetáculo “Canções e Momentos” que apresenta em diversos espaços paulistanos, chamando a atenção do público e da imprensa que o saúda como uma revelação. Tenor, com um timbre vocal bastante singular e extensão incomum, foi convidado pelo selo Dabliú para registrar em disco o êxito que vinha acumulando nos palcos.

Seu primeiro CD – Pouco pra Mim (Dabliú), chegou ao mercado em 1997. Produzido por Mario Manga e batizado pela canção inédita que recebeu de Lucina e Zélia Duncan, o álbum contou com as participações especiais de Tetê Espíndola, Alaíde Costa e Lady Zu e trouxe o melhor do repertório dos shows realizados até então, destacando temas inéditos de Hilton Raw, Arnaldo Black, Luli & Lucina, Alzira Espíndola, Alice Ruiz e releituras personalíssimas, como: “Me Leve” (Djavan) e “Beatriz” (Edu Lobo/Chico Buarque).

Lançado em 2000, seu segundo álbum solo também tem produção de Mário Manga e se chama “Sua Pessoa” (Dabliú), título de uma canção inédita de Péri. É uma homenagem a autores contemporâneos, alguns deles já interpretados em seu CD de estreia, como Alzira e Jerry Espíndola e Itamar Assumpção.

No início de 2000, Carlos monta ao lado da consagrada atriz Clarisse Abujamra, o espetáculo “Por um Triz”, que mescla poesia e música. Eles estreiam em janeiro, lotando o Sesc Vila Mariana (SP) e ainda excursionam com grande sucesso. Em 25 de janeiro deste mesmo ano, em um evento oficial de aniversário da cidade ele é um dos solistas da “Sinfonia Paulistana”, ao lado de Claudya, Zé Luiz Mazziotti, Célia e da Banda Sinfônica São Paulo.

Nos primeiros meses de 2001, estreia o show “Cantando Elas”, no qual sua voz reverencia algumas das mais importantes compositoras brasileiras, com o qual viaja pelo Brasil. Entre os shows expressivos que fez em 2002, destaque para a participação no Projeto “Intimidade é Fato”, ao lado de Sandra de Sá, no Teatro Sesc Pompéia (SP).

Em 2003, lança seu terceiro álbum, “Tanto Silêncio”, pela gravadora Movieplay e começa a ministrar workshops e oficinas de percepção e consciência vocal que vêm despertando muito interesse. No ano seguinte, estreia o show “Clássicos e Canções”, ao lado de Alaíde Costa.

Em junho de 2004, leva aos palcos “Na Arca de Noé”, seu primeiro espetáculo infantil, onde relê as canções que Vinícius de Moraes fez para as crianças, registradas em dois discos e especiais de TV dos anos 80, com orientação de Clarisse Abujamra. O sucesso deste projeto resulta no CD e Show “Algumas Canções da Arca…” (Movieplay/2004), seu quarto álbum e primeiro voltado ao público infantil.

Em 2006, é o intérprete do CD “Pássaro Passará – A Lira em Tom Maior”, com poemas de Sueli Batista musicados por Lucina e Alzira Espíndola, que conta com as participações de Tetê Espíndola e Clarisse Abujamra.

É convidado pelo jornalista Thiago Marques Luiz, participa do álbum “Maysa – Esta Chama que Não vai Passar” (Biscoito Fino), que chega ao mercado quando se completaram 30 anos de partida desta inesquecível diva. Ele interpreta justamente “Resposta”, composição da artista que contém a frase de onde foi tirado o título do CD, chamando, mais uma vez, a atenção da crítica.

Em Maio de 2006, lança seu sexto disco, “Quando o Samba Acabou” – Dedicado a Mario Reis, (Lua Music/2007), onde reverencia este grande ícone da canção brasileira, que influenciou gerações, recebendo elogios unânimes da imprensa especializada. O repertório, lançado por Mario Reis, traz pérolas de Sinhô, Lamartine Babo e Noel Rosa, entre outros, além da participação de Tetê Espíndola em “Joujoux e Balangandans”.

Em 2007 lança seu sétimo álbum e o segundo de temática infantil, “Canções de Faz de Conta”, pela Lua Music. A obra de Chico Buarque para crianças está aqui realçada através de leitura de “História de Uma Gata”, “Hollywood”, “Rebichada” e “Passaredo” e outras faixas, que têm aqui ressaltadas seu aspecto lúdico, como “João e Maria” e “A Banda”. O disco tem as luxuosas participações de Vânia Bastos e Bibi Ferreira.

Carlos participa do CD “Dolores” (Lua Music/2007), em homenagem à genial artista Dolores Duran, com 21 artistas. Ele interpreta “Ideias Erradas”, dela e Ribamar. Em 2008 e 2009, divide o palco com Vânia Bastos no espetáculo “Certas Coisas”.

Seu oitavo CD – Tecido é lançado em 2010 pela Lua Music, com as participações especiais de Lady Zu e Clarisse Abujamra e temas de Edu Krieger, Itamar Assumpção, Mario Gil, Paulo Cesar Pinheiro, Paulo Padilha, Fred Martins e Alzira Espíndola, entre outros. Em setembro do mesmo ano, estreia o espetáculo “Junte tudo o que é seu…” – Canções de Custódio Mesquita em Voz e Piano, que se torna seu nono disco, lançado em janeiro de 2011.

Em 2012, divide o palco com o ator Ando Camargo no espetáculo teatral/musical “Wilde Meets Porter”, sob orientação de Cassio Scapin.

Em 2013, chega ao mercado o DVD “ENSAIO”, que registra sua participação no programa homônimo, levado ao ar pela TV Cultura, criado e dirigido por Fernando Faro. É um licenciamento direto da Cultura Marcas ao artista, com distribuição da Tratore.

Segue abaixo entrevista exclusiva de Carlos Navas para a em 16 de dezembro de 2014:

01-) Ritmo Melodia – Qual sua data de nascimento e sua cidade natal?

Carlos Navas Eu nasci em 28 dezembro de 1968 em São Paulo.

02-) RM – Conte como foi o seu primeiro contato com a música?

Carlos Navas Minha avó materna Dona Lourdes Mendes, que partiu para outro plano há alguns meses. Eu Passei os primeiros anos de vida em casa dela, aqui em São Paulo. Era cuiabana, muito alegre, adorava música. Lembro-me dela tocando tango no acordeom. Esta é a minha primeira lembrança musical. Meu contato com a música foi como público e como divulgador, pré-assessoria de imprensa da grande cantora Claudya, em 1986, aos 17 anos de idade. Posteriormente, passei a produzir shows e me tornei agente de grandes artistas, como Tetê e Alzira Espíndola, Alaíde Costa e Luli & Lucina.

03-) RM – Qual a sua formação musical e acadêmica fora música?

Carlos Navas Eu me formei em Comunicação Social, habilitação jornalismo e tive uma atuação pequena em jornais e programas de TV.

Estudei percepção vocal com Alzira Espíndola e canto lírico com Claudia Mocchi. Também fiz sessões de fonoaudiologia por um ano, quando já tinha gravado meu primeiro CD em 1997. Sempre observei muito. Sou basicamente intuitivo, mas considero o suporte técnico essencial. Há alguns anos, ministro uma oficina e workshop chamado “A voz e o autoconhecimento sob o estímulo Musical” por várias partes do Brasil, onde partilho esta vivência.

04-) RM – Quais as suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Carlos Navas Nenhuma influência deixa de ser importante. Tem a ver com o que você percebe e descobre, mas, sobretudo, naquilo que te leva de encontro à sua própria personalidade. Ouvi muita musica pop, disco, no final dos anos 70 e inicio dos anos 80. Percebo que Alaíde Costa e Tetê Espíndola me influenciaram muito. Alaíde pela forma como divide, Tetê pelo inusitado e pela extensão. Cauby Peixoto me ajudou a explorar meus graves e Zé Renato sempre foi um ídolo vocal. George Michael é um artista pop por quem sou apaixonado. Longinquamente, me percebi um modesto discípulo de Mario Reis, a quem reverenciei no CD – Quando o Samba Acabou em 2007. São muitas ….

05-) RM – Quando, como e onde  você começou sua carreira profissional?

Carlos Navas Ainda na faculdade, atuei com divulgação e produção/agenciamento de cantoras. Em 1992, começaram canjas eventuais em shows de Alzira, Tetê e Luli & Lucina. Elas perceberam que eu seria um artista. Em1995 resolvi que faria um show, que estreou em 1996. No ano seguinte, lancei meu primeiro CD – Pouco pra Mim (Dabliú Discos).

06-) RM – Quantos discos lançados e quais os anos de lançamento(quais os músicos que participaram das gravações)? Qual o perfil musical de cada álbum? E quais as músicas que você acha que caíram no gosto do seu público?

Carlos Navas São nove Álbuns e um DVD, além de participações especiais. Os três primeiros dedicados á interpretação de autores contemporâneos, objetivo retomado no CD – Tecido em 2010. Há dois infantis e dois temáticos, além de um projeto especial, mais dedicado ao mercado mato-grossense. Tive o prazer de gravar com músicos maravilhosos. Todos os que tocam nos CDs são maravilhosos. Não vou citar nomes, pois todos são amigos e especiais, independente de serem mais ou menos conhecidos. E também os duetos com Lady Zu, Alaíde Costa, Tetê Espíndola, Alzira Espíndola, Vânia Bastos e Bibi Ferreira.

DISCOGRAFIA:

Pouco pra Mim (Dabliú/1997)

Sua Pessoa (Dabliú/ 2000)

Tanto Silêncio (Movieplay/2003)

Algumas Canções da Arca…. (Movieplay/2004)

Pássaro Passará (Independente/2006)

Quando o Samba Acabou – Dedicado a Mario Reis (Lua Music/2007)

Canções de Faz de Conta  (Lua Music/2007)

Tecido (Lua Music/2010)

Junte tudo que é Seu… – Canções de Custódio Mesquita em Voz e Piano (Independente/Tratore/2011)

DVD Ensaio (Independente/Tratore/2013)

08-) RM – Como você define o seu estilo musical?

Carlos Navas Sou um intérprete e meu trabalho tem estas três vertentes: os autores contemporâneos, as canções infantis e aquilo que veio antes.

09-) RM – Como você se define como cantor / intérprete?

Carlos Navas Felizmente, consegui ser eu mesmo e venho batalhando há 18 anos para que esta digital atinja um público cada vez maior. Tenho orgulho do que conquistei e não me frustro pelo que não aconteceu ainda. Vivo da música que faço, sou um artista do palco e canto o que quero e sinto.

10 -) RM – Quais os cantores e cantoras que você admira?

Carlos Navas Uma lista imensa. Já citei as minhas influências. Mas direi que Kim Carnes é minha cantora pop preferida e que tenho verdadeira paixão por Elizeth Cardoso.

11-) RM – Você compõem?

Carlos Navas Não componho.

12-) RM – Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Carlos Navas O mercado musical é outro hoje em dia e se transforma sempre. Não priorizo estratégias de mercado. Batalho para realizar aquilo em que acredito. Os prós e contras já são bastante conhecidos. Vivemos em um país de dimensões continentais e somos eternamente pedintes, mas ter personalidade própria é algo que dinheiro nenhum compra.

13-) RM – Como você analisa o cenário musical brasileiro? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Carlos Navas Seria extremamente arrogante dizer que algum colega meu regrediu. Quem sou eu para julgar o trabalho de alguém que acredita no que faz?

Vou citar alguns cantores, masculinos, que gosto, por vivermos em um país de cantoras, mas é importante lembrar que em cada canto do Brasil, há gente cantando bem. Adoro Bruno Morais, Rubi, Paulo Neto, Filipe Catto, João Pinheiro, Rubens Kurin, Renato Braz, Marcos Sacramento, Mateus Sartori e outros que já estavam aqui bem antes de mim.

14-) RM – Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Carlos Navas Todos com quem eu desenvolvi trabalhos e parcerias são exemplares.

15-) RM – Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Carlos Navas Tudo isso e mais um pouco. Eu me produzo, divulgo, vendo, dirijo e articulo. Portanto, até a hora de entrar no palco, estou fazendo um pouco de tudo. Ser artista é saber lidar com o improviso e, acima de tudo, acreditar na força do recado que você tem pra passar.

16-) RM – O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Carlos Navas Triste: A manipulação do que chega ao grande público através da mídia popular é criminoso, o jabá, as máfias e esquemas, os espaços comprados. E a resistência que produtores e parte deste público têm de ouvir o que não conhecem, é lamentável, mas prefiro prestar atenção em quem tem curiosidade, sensibilidade e ousadia.  Estes são nossos grandes aliados.

17-) RM – Nos apresente a cena musical na cidade que você mora?

Carlos Navas São Paulo tem de um tudo. Basta sair de sua zona de conforto. Sugiro, por exemplo, sintonizarem os 93,7 da Radio USP FM. Vão ouvir muita coisa boa! E meu agradecimento a todas as rádios universitárias e educativas do Brasil afora, que nos abrem espaço e não se guiam pelo estabelecido.

18-) RM – Quais os músicos ou/e bandas que você recomenda ouvir?

Carlos Navas Recomendo ouvir o que não conhece, pois você pode se surpreender.

19-) RM – Você já defendeu músicas em Festivais?

Carlos Navas Uma vez fiz isso, defendendo uma canção de uma querida amiga e grande compositora, mas não fomos selecionados. Foi no Festival da TV Cultura, há uns bons anos atrás.

20-) RM – O que acha da importância do Festival de Música para lançar novos talentos para um grande público?

Carlos Navas Festival de Música continua acontecendo Brasil afora e já fui jurado em vários. Festival não são apenas aqueles promovidos pelas emissoras de TV, aliás, andam escassos. Festival é importantíssimo. Quantos milhões de brasileiros puderam, por exemplo, conhecer a voz raríssima da Tetê Espíndola, quando ela venceu o “Festival dos Festivais”? Tudo que tem verdade é importante. O triste são as armações.

21-) RM – Você acredita que as suas músicas tocarão nas rádios sem pagar o jabá?

Carlos Navas A minha música toca em diversas rádios pelo Brasil afora e no exterior. Basta verificar que viajo por várias partes do país, apoiado por esta divulgação. Tocar no rádio não é apenas estar na parada de sucessos das emissoras populares. Isso já era. Chamasse “segmentação de mercado”. Tudo mudou e este tipo de referência não procede mais. Vá ver um show de Monica Salmaso, Fabiana Cozza, Renato Braz. Lotados. E eles tocam nas rádios popularescas?

22-) RM – O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Carlos Navas Só siga se for o mais importante em sua vida. Não é fácil, mas é lindo ter alguém te ouvindo por que você lhe toca a alma e coração.

23-) RM – Quais os seus projetos futuros?

Carlos Navas Inúmeros. Farei outro CD infantil, um disco de carreira com repertório inédito e continuo viajando com todos os meus espetáculos, na medida em que consigo. Acabo de estrear um show dedicado a Chico Buarque que foi um super sucesso.

24-) RM – Quais os seus contatos para show e para os fãs?

Carlos Navas Contato: (11) 3865 9078 | [email protected] | www.carlosnavas.com.br

Carlos Navas - cateogry

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Criada e editada desde 2001 pelo jornalista, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa. A revista divulga a música (popular, regional, instrumental e erudita) e os músicos brasileiros. Sejam bem-vindos!