Ricardo Parronchi

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O cantor, baixista e compositor paulistano Ricardo Parronchi, começou a ter aulas particulares de contrabaixo aos 16 anos idade. Aos 18 anos já tocava em bandas de bailes em São Paulo, especialmente no bairro do Bexiga (Bela Vista).

Em 1992/93 cursou contrabaixo na ULM (Universidade Livre de Musica), estudou com a professora Ge Cortez (baixista no programa Altas Horas). E também teve aulas de teoria e canto coral.  Além de tocar em algumas bandas de baile, começou a acompanhar vários artistas do meio gospel, como Túlio Régis (ex-Oficina G3) e Soraya Moraes. Nessa mesma época, aos 23 anos de idade, começou a lecionar contrabaixo em várias escolas e conservatórios de São Paulo, e paralelamente teve aulas de violão e piano, além de harmonia e improvisação.

Em 1996, teve seu primeiro contato com a gaita diatônica, e como lecionava em várias escolas, acabou pegando alguns preciosos toques iniciais com alguns dos colegas professores, depois, de forma autodidata começaria a pesquisar e se aprofundar no instrumento, o que resultou em um livro sobre gaita blues, lançado com sucesso pela editora Irmãos Vitale.

Em 1997 forma a banda Destra, uma de rock progressivo com influencias de jazz rock, blues e ritmos brasileiros. Com a banda produziu e lançou dois CDs, que tiveram uma ótima repercussão pela mídia especializada no Brasil e no exterior, fazendo shows por todo o Brasil.

Em 2002, gravou um CD de Chorinho, tendo como instrumento melódico e harmônico o baixo, além de percussão e bateria, para isso o músico incorporou vários outros ritmos ao choro como o rock, o baião, o funk e o jazz, entre outros. Por conta desse trabalho, realizou workshops e apresentações em escolas e conservatórios mais respeitados de São Paulo, como EM&T e o conservatório Souza Lima, além de um show com o guitarrista Pepeu Gomes na feira da de 2002. Como fruto desse projeto formou o trio Choro Plugado. Com releituras de clássicos do Chorinho, o trio participou de vários shows e festivais, inclusive no sul e nordeste do Brasil.

Ele trabalhou por quase dois anos em um projeto de world music com o percussionista Dinho Gonçalves, em que tocava contrabaixo, gaita e resgataria ai uma antiga paixão, o canto. Nessa época começou a se dedicar mais ao canto e no segundo disco da banda Destra, além de compor, produzir e tocar contrabaixo, ele dividiu os vocais com o vocalista na épocaRodrigo Grecco. Também gravou o CD – Reset, o terceiro CD da banda Shining Star, banda que já teve como vocalista Nando Fernandes e o americano Lance King.

Em 2009, é convidado a acompanhar o guitarrista da banda RPM, Fernando Deluqui, tendo por conta disso a oportunidade de dividir o palco com vários artistas de renome, comoHumberto Gessinger (engenheiros do Hawai), Paulo Ricardo, Kiko Zambianqui, a banda Olodum, Roger (Ultraje a Rigor) e Kid Vinil. Nessa época, começou a compor musicas que misturam rock, soul music e blues, estilos musicais que o músico adora, e que resultou no CD – Finding my way, lançado no fim de 2011, em que mostra toda a sua versatilidade, compondo, produzindo, tocando e cantando. Nessa mesma época, lançou juntamente com o amigo Everton Onofre, o site “cantor moderno”, voltado para o aprendizado do canto em geral. Atualmente, além de ainda estar em trabalho de divulgação do seu CD, toca com a banda de rock dos anos 80, River Raid e leciona em várias escolas.

Segue abaixo entrevista exclusiva de Ricardo Parronchi para a  em 01/02/2013:

 

1-) Ritmo Melodia – Qual sua data de nascimento e sua cidade natal?

Ricardo parronchi  Eu nasci em 28/01/1973 em São Paulo.

2-) RM – Conte como foi o seu primeiro contato com a música?

Ricardo Parronchi  Foi relativamente tarde para quem pretende viver de música, tive meu primeiro contato com o contrabaixo (meu instrumento principal), aos 16 anos de idade. Na época trabalhava e estudava, então fazia aulas particulares aos domingos e por uma intervenção divina, creio eu, ganhei um sorteio de fim de ano na firma em que eu trabalhava e consegui comprar meu instrumento, na época, 1988 os instrumentos musicais eram caríssimos.

3-) RM – Qual sua formação e acadêmica fora música?

Ricardo Parronchi  Estudei na Universidade Livre de música (ULM), hoje Universidade Tom Jobim, contrabaixo, teoria e canto coral.

4-) RM – Quais suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Ricardo Parronchi  A primeira banda que me fascinou foi o Kiss, quando eles vieram para o Brasil em 1982, fiquei fanático, tinha os discos, imitava-os na escola com meu irmão, oEduardo que hoje é guitarrista. Depois o hardrock e rock progressivo, adorava bandas como Queen, Rush e Deep Purple. Hoje não deixei de gostar de rock, mas estou muito mais eclético, adoro chorinho e samba de raiz. E, inclusive até gravei um CD tocando clássicos do Choro no contrabaixo. E depois me apaixonei pela Soul Music, principalmente as coisas antigas, adoro Aretha Franklin, Stevie Wonder, Marvin Gaye, isso sem contar o blues e a MPB como Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Belchior, enfim, costumo dizer que existem dois tipos de música, a boa e a ruim.

5-) RM – Quando, como e onde você começou sua carreira profissional?

Ricardo Parronchi  Aos 18 anos de idade, eu entrei em uma banda covert e comecei a tocar em barzinhos no bairro do Bexiga (Bela Vista), depois bandas de baile e também comecei a dar aulas particulares, esse foi meu início na carreira musical.

6-) RM – Quantos CDs lançados (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que se destacaram em cada CD?

Ricardo Parronchi  Tenho cinco CDs lançados e um livro que eu ensino gaita blues lançado pela editora Irmãos Vitale. Lancei dois CDs com a banda de Rock progressivo Destra, um CD solo instrumental de chorinho, um CD com a banda de heavy metal Shinning Star e meu mais recente trabalho, meu primeiro CD solo cantando, chamado Finding my way, em que misturo rock, soul e blues.

Destra:

CD – Sea of doubt 2000 (Destroyer records)

Douglas Vanuchi – vocais, Euardo Parronchi – guitarra, Ricardo Parronchi – baixo, Fabio Fernandes – bateria e Marco Iahn (músico convidado) – teclados

CD – Joe´s Rhapsody 2004 (Avantage/Hellion)

Rodrigo Grecco – vocais, Ricardo Parronchi – vocais, baixo, Eduardo Parronchi – guitarra, Fabio Fernandes – bateria, Maxsuel Rodrigo– teclados.

Shinning Star:

 CD – Reset 2008 (Silent music)

Ricardo Parronchi– vocais, Fabio Rocha – guitarra, Rodrigo Colombo – baixo, Juliano Colombo – bateria

Ricardo Parronchi

CD – O choro 2003 (independente)

Ricardo Parronchi – baixo, André PravadelliFabio Fernandes, João marcos, Luis Maskara, Nilson Mano – bateria (Infelizmente não tenho mais o CD e não me lembro de todos os bateristas).

CD – Finding my way 2011 (independente)

Ricardo Parronchi – Vocais, baixo e Rodrigo Rodrigues, Eduardo Parronchi, Valter Gomes, Fernando Deluqui, Marcio Sanches, Celso Ricardi, Theo Marcelo – guitarra, Marcos Iahn, Binho Ortega e Milo Andreo – teclado, Lienio Medeiros, JP Lima, Nilson Mano – batera, Fabio Viana – Sax, Camila Boer – backing vocais

7-)RM – Qual o motivo de todas as músicas do seu CD – Finding My Wat todas as letras são em inglês?

Ricardo Parronchi  Na verdade uma música é em português e se chama “Medo de errar”, o resto realmente é em inglês. Optei fazer as letras em inglês pelo estilo musical proposto no disco, Rock, blues e soul que é um estilo que soa bem melhor nessa língua.

😎 RM – Como você define seu estilo musical?

Ricardo Parronchi  O Finding my way é predominantemente Rock, mas tem muita coisa de fusion, soul , funk e blues, ou seja rock com pitadas de black music.

 

9-) RM – Como você se define como cantor/intérprete?

Ricardo Parronchi  Não gosto de rótulos, sou muito eclético, e como professor mais ainda. Estudo e canto rock, samba, jazz, bossa e black music, toda a boa música me fascina.

10-) RM – Você estudou técnica vocal?

Ricardo Parronchi  Sim, tive três professores sem contar as aulas de coral na ULM, mas sempre fui autodidata, fora o contrabaixo, toco violão, teclado, gaita. E com o técnica vocal é a mesma coisa, tenho comprado muitos métodos importados que tem me ajudado muito, quando se trata de canto popular, os americanos realmente estão muito na frente.

11 -) RM – Quais os cantores e cantoras que você admira?

Ricardo Parronchi  Glenn Hughes, David Coverdale, Paul Rogers, Freddie Mercury, Etta James, Stevie Wonder, Marvin Gaye, Aretta Franklin,Tim Maia, Cris Cornel, Marisa Monte, Ed Motta, etc…

12-) RM – Você compõe? Quem são seus parceiros musicais?

Ricardo Parronchi  Sim, a maioria das músicas do Destra, eu quem compus e no meu CD eu fiz todas as músicas tirando três letras do Marcos Ruiz.

13-) RM – Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Ricardo Parronchi  Os contras é que você tem que fazer tudo, então você se esgota. No “Finding my way”, eu produzi, cantei, toquei, estou trabalhando na divulgação e distribuição, enfim, você se sente meio desamparado. E o prol é a liberdade artística, fazer o que você acha que tem que fazer como criador.

14-) RM – Como você analisa o cenário musical brasileiro? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Ricardo Parronchi  Muitos artistas apareceram, mas pouquíssimos continuaram, no rock, por exemplo, o Dr. Sin, começaram nos anos 80 e nos anos 90 já acabaram ou não conseguiram um grande êxito. Na MPB, Maria Rita, Seu Jorge e LenineAna Carolina começou muito bem, mas ficou chata, na música instrumental não dá para citar nem uma banda, a falta de apoio é tão grande que não dá para durar fazendo esse tipo de música. E olha que temos músicos fantásticos, e alguns artistas solo como o guitarrista Michel Leme, mas é complicado.

15-) RM – Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Ricardo Parronchi – Michael Jackson, Bruce Dickinson (Iron maiden), Tom Jobim, Hermeto pascoal, Stevie Wonder, Steve Vai, Wander Taffo, Glenn Hughes, Ney Matogrosso e muitos outros.

16-) RM – Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Ricardo Parronchi – Foram muitas situações. No começo você acaba tocando por quase nada e as vezes nem recebe. Lembro que uma vez eu estava começado a tocar, fui tocar com uma banda de Axé music com nove percussionistas, a casa estava perfeita, cheia de coqueiros, toda colorida, lotada, só não tinha som, as percussões cobriram voz, instrumentos, e como não tínhamos ensaiado muito ficou pior ainda. A cantora saiu chorando do palco, nos vaiaram, isso sem contar que para o show do outro dia dormimos em colchonetes na cozinha do hotel (risos). Enfim, acho que todo músico passa por coisas assim ou piores, em uma hora ou outra da carreira.

17-) RM – O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Ricardo Parronchi – Feliz é fazer a minha música, gravar, fazer shows. E o que me deixa triste é não poder fazer isso e tocar algumas coisas só por dinheiro, não ter mais espaço para musica nova, está difícil, aliás quase impossível fazer um trabalho autoral de qualidade no Brasil. Infelizmente você tem apoio ZERO se não faz o que está na moda.

18-) RM – Nos apresente a cena musical na cidade que você mora?

Ricardo Parronchi – São Paulo é rica em cenas musicais, mas ao mesmo tempo muito fechada. Infelizmente não há abertura se você não estiver tocando sertanejo, pagode ou banda covert. Música instrumental, por exemplo, são raríssimos os lugares que acolhem esse tipo de musica, jazz , blues , mpb , está cada vez mais difícil mostrar o trabalho por aqui, infelizmente é só música fast food.

19-) RM – Quais os músicos ou/e bandas que você recomenda ouvir?

Ricardo Parronchi – Eu não vou dizer artistas, mas sim estilos diferentes, estar faltando às pessoas escutarem coisas diferentes, música de qualidade, pesquisar coisas novas e principalmente coisas antigas, rock, soul music, jazz, chorinho, baião, e não só o que a TV e a rádio impõem para ouvir.

20-) RM – Você acredita que sua música tocará nas rádios sem o jabá?

Ricardo Parronchi – Não. Infelizmente aqui é, foi e acho que sempre será tudo na base do jabá.

21-) RM – O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Ricardo Parronchi – Se você está na música por QUALQUER outro motivo que não seja a música, pare hoje mesmo e vá fazer outra coisa da vida, porque não é fácil, mas se é a música que te basta, então qualquer coisa vai valer a pena.

22-) RM – Quais os seus projetos futuros?

Ricardo Parronchi – Tentar continuar a fazer música, gravar outro CD, fazer shows, tentar ajudar a mudar esse cenário atual, e poder viver do meu trabalho musical. Continuar com minhas aulas, enfim, melhorar cada vez mais como músico e ser humano.

23-) RM – Quais os seus contatos para show?

Ricardo Parronchi – [email protected] , site: www.ricardoparronchi.com.br

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Criada e editada desde 2001 pelo jornalista, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa. A revista divulga a música (popular, regional, instrumental e erudita) e os músicos brasileiros. Sejam bem-vindos!