Katarse

Em 2002 T. Greguol venceu um concurso para descobrir novos talentos e como prêmio lançou seu primeiro livro: Catarse. Junto à obra há um CD encartado com alguns poemas musicados e outros interpretados.

No ano seguinte T. Greguol lança seu segundo trabalho de poesias: Viver Mata, um livro / cd que conta com a participação de outros artistas. É exatamente aí que surge o embrião da banda Katarse, projeto musical iniciado por T. Greguol e Mario Amore. A inspiração musical começa a se tornar mais forte.

Após esta caminhada de muita aprendizagem e amadurecimento a Katarse lançou em 2006 o CD – A Prosaica Onipresença da Criatura. Em 2008 lançou o CD – A obtusa simplicidade do ser. A Katarse tem influências diversas, como Arnaldo Antunes, André Abujamra, Beatles, Eels, Nick Cave, Pearl Jam e Tom Waits. Mas a banda possui um estilo bastante original e peculiar. Prova disto é a união dos usuais: guitarra, baixo e bateria com instrumentos que vão do baixo acústico, derbaque, djembê, gaita, oboé, triângulo e viola caipira até apitos de festa infantil, instrumentos de sopro indígena, latas de sabonete e panetone, megafones, tábua de carne e “surdo peludo”. E o mais interessante é que todos soam em perfeita harmonia! E traz pras letras de música a profundidade da poesia.

Segue abaixo entrevista exclusiva com T. Greguol idealizador e líder da Katarse em 16/01/2011 para a :

1) Ritmo Melodia – Qual a data de nascimento e a cidade natal dos membros da banda?

Banda Katarse / Térsio Greguol – Tirando eu (T. Greguol), que nasci em 29/04/1978 (Vocalista, letrista e compositor). Todos os outros são da década de 1980. O Bibinho (baterista) nasceu em 02/06/1981 em Ubatuba-SP. Eu e os outros nascemos na capital paulista. Mario Amoré nasceu em 28/02/1984 (Guitarra). Miggy Boá nasceu em 19/10/1987 (Baixo).

2) RM – Como foi o primeiro contato com a música pelos membros da banda?

Banda Katarse / Térsio Greguol – Todos nós começamos a mostrar interesse desde pequenos. E todos começaram a estudar ainda antes da puberdade!

Bibinho: Iniciou na bateria aos sete anos de idade em Ubatuba tocando de tudo, mas principalmente rock nacional – isto entre 1988 e 1993. Em 2001 montou a banda Cáften tocando ‘classic-rock’ na noite de São Paulo. Atualmente é baterista da Katarse e meteorologista.

Mario Amore: Sua paixão pela música começou aos sete anos de idade, quando tocou pela primeira vez flauta soprano. Passou depois ao violino, flauta transversal, percussão, para finalmente decidir ser guitarrista. Participou de diversas bandas, de estilos variados, fez cursos de sax, gaita, piano, violão. É psicólogo.

Miggy Boá: Estudou violão clássico em conservatório, mas, como muitos garotos, começou tocando guitarra numa banda punk-rock. Na segunda banda aprendeu a lidar com outros estilos de música, tocando algo parecido com rock-samba-bossa-core. Assumiu o baixo na terceira e atual banda, a Katarse. Ampliando mais seu horizonte em termos de estilos variados. Estuda meteorologia.

T. Greguol: Já escreveu peças de teatro, contos, crônicas, roteiros de curta-metragem. Criou o logo, o nome da banda e o roteiro dos clipes. Além dos encartes e de mais um monte de coisas. É artista plástico e é formado por uma penca de células.

3) RM – Qual a formação musical e\ou acadêmica dentro ou fora música dos membros da banda?

Banda Katarse / Térsio Greguol – Todos nós estudamos por um tempo nossos instrumentos, mas temos formações acadêmicas diferentes. Bibinho e Miggy são meteorologistas. O Mário é psicólogo. E eu sou professor! Bibinho estudou bateria com um professor de bairro lá em Ubatuba. Nunca fez conservatório, mas não foi preciso, pois é muito criativo e tem um timing soberbo. Mário e Miggy fizeram Conservatório do Morumbi, a escola de música de Lauro Lellis, um super baterista aqui de São Paulo. Lá aprenderam muito do que sabe e se formaram, mas fizeram outros cursos de outros instrumentos e tal. T. Greguol: É filho de músico, sempre foi exposto a todo tipo de música. Fez quatro aulas de violão e mil aulas de flauta doce, mas a firma não ter aprendido nada por pura falta de interesse na época. T. Greguol, Mário e Miggy são alunos do colégio Waldorf Micael. Tipo de escola em que você é quase forçado a aprender um instrumento. Dois terços aprenderam, um terço venceu o sistema (risos).

4) RM – Quais suas influencias musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância dos membros da banda?

Banda Katarse / Térsio Greguol – Influência é igual antibiótico, você pensa que já não tem mais, mas continua no seu organismo! A Katarse tem influências diversas, como Arnaldo Antunes, André Abujamra, Beatles, Eels, Nick Cave, Pearl Jam e Tom Waits. No entanto a banda possui um estilo bastante original e peculiar. Prova disto é a união dos usuais guitarra, baixo e bateria com instrumentos que vão do baixo acústico, derbaque, djembê, gaita, oboé, triângulo e viola caipira até apitos de festa infantil, instrumentos de sopro indígena, latas de sabonete e panetone, megafones, tábua de carne e “surdo peludo”. E o mais interessante é que todos soam em perfeita harmonia.

5) RM – Quando, como e onde começou a banda? Explique a escolha do nome da banda?

Banda Katarse / Térsio Greguol – Em 2002 eu venci um concurso para descobrir novos talentos e como prêmio lancei seu primeiro livro, “Catarse”. Junto à obra há um CD encartado com alguns poemas musicados e outros interpretados. No ano seguinte lancei meu segundo trabalho de poesias, “Viver Mata”, um livro / cd que conta com a participação de outros artistas. É exatamente aí que surge o embrião da Katarse, projeto musical iniciado por mim e Mario Amore. A inspiração musical começa a se tornar mais forte.

6) RM – Quantos CDs lançados?

Banda Katarse / Térsio Greguol – CD – A Obtusa Simplicidade do Ser em 2008. CD – A Prosaica Onipresença da Criatura em 2005. CD – A monstruosa panacéia de bodisatva em 2004. CD – Viver Mata em 2003. E o CD – Catarse em 2002.

7) RM – Como você define o estilo musical da banda?

Banda Katarse / Térsio Greguol – Rock. Mas o grupo tem um estilo chamado por alguns de ‘estilo katarse’, ou simplesmente de música “dançantefilosóficafuriosatosca”.

8) RM – Como é seu processo de compor na banda?

Banda Katarse / Térsio Greguol – Eu faço as letras e alguém geralmente faz as músicas. E quando ninguém quer, eu mesmo faço.

9) RM – Quais são seus principais parceiros musicais da banda?

Banda Katarse / Térsio Greguol – Mário Amore.

10) RM – Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Banda Katarse / Térsio Greguol – Prós – fazemos o que bem entendermos, falamos sobre o que quisermos, e temos o nosso tempo de criação. Contra – não ganhamos um tostão! Temos que correr atrás mais do que conseguimos e sabemos (risos).

11) RM – Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Banda Katarse / Térsio Greguol – Não tenho idéia. E eu me esforço para não julgar. É confuso e o que a mídia fala nem sempre é verdade. Quando se lê uma reportagem sobre baixar música, dizem que o CD morreu. Mas depois você um gráfico sobre venda de CDs, DVDs e mp3 e a maior fatia é de CDs. Ou seja, não dá pra confiar. E como banda independente eu não vejo os CDs saindo tanto assim, mas também não tenho total controle sobre os mp3. O que eu sei é que a internet ainda está supervalorizada e tanto a divulgação é falha quando tudo o mais. O que eu sei é que os nossos shows são bons e quando vai mais gente é legal. E lá sim, após cada show, cresce o número de seguidores onde quer que seja. Não sou e nem quero ser muito sabido sobre o mercado. E não acho que cabe a mim me esforçar pra dá umas gotas de conscientização no meio. Meu trabalho musical-literal é o que a gente produz e nos atuais tempos ele vale o que dizem por aí. Pode ser que no futuro valha menos ou mais.

12) RM – Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Banda Katarse / Térsio Greguol – André Abujamra, Mauricio Pereira e Luiz Tatit.

13) RM – Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Banda Katarse / Térsio Greguol – Já tocamos em lugares que só foi uma pessoa e não é modo de falar. Já tocamos em lugares sem amplificadores e tivemos que nos guiar pela memória que tínhamos das músicas. Já nos jogaram laranjas. Já invadiram o palco e arrancaram o microfone da minha mão pra cantar junto, mas o cara tava bêbado. Se bem que um cara daquele é chato até sóbrio. Uma vez o palco abriu e o batera quase caiu na fenda. E no mesmo show o cara da mesa mandou a gente começar o show, mas não tinha microfone pra mim. Já marcaram nosso show pras 23:00h e mudaram em cima da hora pras 4 da manhã… Essas coisas…

14) RM – O que mais deixa feliz e triste na carreira musical os membros da banda?

Banda Katarse / Térsio Greguol – Os membros da banda são grandes amigos. Se não fossem não teria banda. E não teria como deixá-los ficarem lá. Arte e criatividade têm que ser relaxadamente agradável e amigável. O que me deixa mal humorado é falta de profissionalismo dos contratantes. Qualquer mané sabe que a partir do ponto que você quer fazer uma casa de shows, a banda tem que ser bem tratada. Não me refiro a mordomias e tal, só ao bom senso, educação e qualidade do que for possível. Os anos 70 passaram antes de eu nascer, mas continua tudo bem tosco e sem procedimento algum. Refiro-me só a maioria das casas. Não a todas. Se bem que melhorou um pouco, mas está longe de estar bom. Não é só de mocó que estou falando, tem casa grande dando picotada e falhando feio com as bandas. Por outro lado, tem banda que vende dez CDs, faz duas músicas e acha que é um artista consagrado. Que é o João Gilberto, a Maria Bethania, sei lá… Seria bom profissionalismo das casas e humildade dos músicos. Cada um sabendo seu valor e utilidade no conjunto das coisas todas.

15) RM – Nos apresente a cena musical de sua cidade?

Banda Katarse / Térsio Greguol – Somos de São Paulo… Pra apresenta nossa cena musical precisaríamos de um mês, um professor de ciências sociais e um professor de história. Tem de tudo aqui. TUDO. Pensa numa coisa… Tem aqui. O Brasil inteiro numa cidade. Daí como é de se esperar tudo fica dividido em panelinhas. Se você não tem uma panelinha fica meio por fora. Isso acaba sendo um agente modelador da sua arte infelizmente. Igual amigo que sai junto todo dia e usa a mesma gíria e vê os mesmos filmes e ouve as músicas. Daí um grupo desses tem um espaço e formata tudo. se tivesse acontecido comigo eu não sei o que faria, mas do lado de fora, eu acho isso chato e limitante. No momento não consigo pensar na “turma” dos Mamonas Assassinas ou do Raul Seixas… Ou seja, mesmo sem turminha ainda tem como acontecer. Ou tinha como acontecer. Minha avó me disse uma vez que a avó dela lhe disse quando era pequena: Seja você mesma e tudo vai dar certo. Eu sempre tendo a ouvir os mais velhos.

16) RM – Quais os músicos e bandas que você recomenda ouvir?

Banda Katarse / Térsio Greguol – André Abujamra, Mauricio Pereira, Luiz Tatit, Arnaldo Antunes, PLAP, Jorge Mautner, Antonio Nóbrega e mais uma porrada de gente que sem dúvida esqueci agora.

17) RM – Você acredita que as músicas de sua banda vão tocar nas rádios sem o jabá?

Banda Katarse / Térsio Greguol – Já tocaram. Mas só por ocasião dos lançamentos. Sem jabá, no dia a dia, não toca não.

18) RM – O que vocês dizem para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Banda Katarse / Térsio Greguol – Se vocês estiver atrás de dinheiro, procure outro ramo, se for por vocação ou vontade louca, siga em frente.

19) RM – Quais os projetos futuros?

Banda Katarse / Térsio Greguol – Fazer planos mata a criatividade. É contraproducente. Não temos nada em mente agora. Fizemos vários CDs e os últimos dois são profissionais. Então temos umas cem músicas a espera de um CD bem feito. Mas custa muito caro. E chega uma hora que precisamos cuidar da filha recém – nascida, da casa recém – comprada, da namorada que mora em outra cidade, dos estudos, da carreira que paga as contas e gastar grana e ensaiar coisa nova. Apesar de ser muito divertido, acaba ficando traumático. Então, pra não soar tão cansado e desesperado. Damos tempo ao tempo.

Ninguém aqui tem idéia de ser um super star e não temos o talento do Leonard Cohen que pode mudar de carreira aos 32 anos e ainda virar um herói nacional. Então a gente faz o que tem que fazer e espera à hora de fazer outras coisas. O único integrante que tem um projeto artístico paralelo (não que a vida de cada um não seja uma forma de arte, afinal… é tudo um palco nessa vida), mas no micro sentido dessa afirmação, é o vocalista T. Greguol. Que é artista plástico, pinta e faz esculturas. Todas seguindo a catarse dele.

Contatos: katarse@katarse.com.br / www.katarse.com.br

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