SavanteS

A banda SavanteS nasceu da paixão entre duas vontades: a de tocar e a de criar. Isso explica porque desde sempre a banda centrou a maior parte de sua força e verve nas próprias composições e não em cantar músicas de outras bandas.

Porém, as influências, que vão de Chico Buarque de Holanda a Dave Matthews Band, são bem presentes em quase todas as suas canções. São como as referências de um bom escritor, implícitas em sua obra, mas indiscutivelmente os pilares sobre os quais o novo se equilibra até virar estrutura sólida e, assim, alicerçar as gerações futuras. Tudo em prol da arte, que sempre almeja ser mais etérea.

Todo início é involuntário / Deus é o agente: O verso de Fernando Pessoa ilustra bem a concepção do grupo… Dizer que o SavanteS não queria ser uma banda é mentira, mas que surgiu de reuniões despretensiosas entre primos músicos não o é. Um baixo, um violão solo e um violão base. Um dia tocavam na sala da casa de um, outro dia na sala da casa de outro. Uma diversão gostosa que, com o tempo, mais do que agradar aos ouvidos de amigos e parentes, seduziu os primos a irem além. A bateria se fez necessária e logo veio afinar-se à alma da banda. Não havia dúvidas, o projeto ganhava tons mais graves e as salas não eram mais suficientes para acomodar o sonho SavanteS que, na época, nem nome tinha, embora já fosse sonho.

Em meio a essa natural construção, as letras rebentavam de outros primos, os poetas Wagner Hilário e César Magalhães Borges. As melodias, às vezes precedentes às letras, outras vezes concebidas sobre elas, vinham de Felipe Borges, o violão base, a voz da banda e o mentor de algumas líricas. Depois, caberia ao baixo, Renato Ernani, ressonar suas notas harmônicas, cadenciar as canções; ao violão solo, Luís Júnior (hoje não mais na banda), lhes dar cor, jogar, com suas cordas agudas, cristais no ar; e à bateria, Daniel César, fazê-las pulsar, como corações apaixonados e apaixonantes.

Quando escutei o som desta banda o que me chamou a atenção foi o amadurecimento musical. O primeiro CD com uma elaboração bem feita em letras, melodias e arranjos. Eles entraram de cabeça e alma no fazer um disco. E não foram movidos pela aventura, vaidade e deslumbramento de serem “artistas”. Um som cheirando a coisa nova com a maturidade de letras com profundidade e poesia livre de caverna hermética. Segue abaixo entrevista exclusiva da SavanteS para a  em 07/11/2008:

1-) Ritmo Melodia – Qual a data de nascimento dos integrantes da banda e a cidade de origem?

SavanteS:

Cantor e violonista – Felipe Borges – 14/07/1979 – Guarulhos – SP

Baterista – Daniel César – 02/09/1981 – Guarulhos – SP

Baixista – Renato Ernani – 14/11/1984 – Guarulhos – SP

2-) RM – Fale do primeiro contato com a música dos integrantes da banda?

SavanteS:

Felipe Borges – Meu pai sempre escutou muita música. Foi através dele que comecei a ouvir muita música.

Daniel César – Também foi influência familiar. Meu pai, irmão, primos, todos tocam. Foi daí que comecei. Toquei antes violão, baixo, até chegar à bateria.

Renato Ernani – Desde criança ouço lá em casa meus pais tocando violão. Minha família é muito musical, então desde cedo tenho contato com música e instrumentos.

3-) RM – Qual formação musical e\ou acadêmica (Teórica) dos integrantes da banda?

SavanteS:

Felipe Borges – Fiz aula na ULM (Hoje Centro Musical Tom Jobim) por seis meses, mas a maior parte da minha formação é autodidata.

Daniel César – Faço aula de bateria a seis anos. Hoje sou também professor de bateria.

Renato Ernani – Na música fiz quatro anos de aula de contrabaixo. Além disso, fiz seis meses de conservatório musical em violão e dois anos de aula de trompete. Fora da música, sou formado em jornalismo pela PUC-SP.

4-) RM – Quais suas influencias musicais no passado e no presente dos integrantes da banda. Quais deixaram de ter importância?

SavanteS – A banda tem muitas influências em comum: Dave Matthews Band, Beatles, Chico Buarque e várias outras. Essas três são as maiores influências coletivas da banda hoje. Mas individualmente cada integrante tem várias outras.

Dizer que alguma delas deixou de ter importância não é justo. De alguma forma, as bandas que gostamos sempre têm algum tipo de relevância no nosso trabalho.

5-) RM – Quando, como e onde  vocês formaram a SavanteS? E como se deu a escolha do nome da banda?

SavanteS – A banda surgiu em 2004, primeiro com o Felipe, o Renato e o Luís. Eram três primos que tinham a paixão pela música como algo em comum. A partir disso ensaiávamos um pouco na casa de um, depois na de outro e era só diversão. Com o tempo, começamos a procurar um baterista. Foi quando encontramos o Daniel e a banda realmente tomou forma.

O nome da banda surgiu quando o Felipe estava lendo uma revista ligada à medicina em inglês. Era uma matéria sobre a síndrome Savant. Síndrome que gera uma incapacidade motora e até de relacionamento em algumas pessoas, mas que gera alguma habilidade incrível no indivíduo relacionado à memória. Capacidades como desenhar imagens complexas perfeitas depois de um olhar rápido, decorar lista telefônica, fazer contas numa rapidez incrível ou tocar uma música após escutá-la pouquíssimas vezes. Coisas desse tipo. O Felipe gostou da idéia e levou o nome para discussão com a banda. Todos gostaram, aportuguesamos e ficou SavanteS.

6-) RM – Fale como foi o processo de gravação do primeiro CD da SavanteS? Qual o perfil musical do CD? E quais as músicas que estão entrando no gosto do público?

SavanteS – A gravação foi muito mais difícil que esperávamos. Além da dificuldade da execução musical, que tem de chegar perto da perfeição, tivemos que nos deparar com a parte técnica da gravação em si: cabos, conexões, microfones, distâncias exatas, não se mexer muito… rs…, computador, compressores e muito mais… Quando se vai gravar um CD entra-se em outro mundo, que muitas vezes nem mesmo se parece com música. É uma experiência única e fundamental para a maturidade de uma banda, de um músico.

O CD chama-se Elaboratório, nome proposto por Wagner Hilário poeta e criador de muitas letras desse primeiro trabalho, e é na verdade a junção de duas palavras: “elaborado” e “laboratório”. E não poderíamos tê-lo batizado melhor. Neste primeiro trabalho fizemos muitas experiências com as músicas que criamos e tentamos elaborá-las até que chegassem à proposta que cada integrante estava buscando.

Bom, com relação às músicas que estão no gosto do público, acho que podemos citar duas: “Desenlaço” que toda vez que temos shows o público canta junto com a gente e “Reflexo No Oceano”, que inclusive tocou na rádio Kiss e tivemos alguns bons retornos do pessoal que escutou. Podemos dizer que “Estiolamento” e “Sem Amarras” também tem espaço.

7-) RM – Como vocês definem estilo musical da SavanteS?

SavanteS – Essa é sempre uma pergunta complicada de responder. Isso porque é difícil apontar um estilo único de música da banda. Tivemos nossa formação musical em meio a um turbilhão de informações sonoras: música clássica, rock, MPB, canções gringas, etc. Enfim, a banda acabou por pegar um pouco de cada influência. O fato é que fazemos música com letras em português e usamos como base de instrumentos violão, baixo e bateria. Achamos justo generalizar um pouco e tratar o som como música brasileira, mas com muitas influências de todo mundo.

 😎 RM – Como é processo de compor dentro da banda?

SavanteS – Quem faz a parte de harmonia das músicas é o Felipe. Ele compõe no violão e passa toda a estrutura harmônica e melódica para o Renato e o Daniel. A partir disso, cada um faz sua parte. Criados os baixos e baterias nós começamos a ensaiar e a partir disso, sempre são feitas mudanças para arredondar a canção. As letras são diversificadas, não existe regra, às vezes são compostas antes da música, outras vezes depois e, de vez em quando, surgem juntas. Os compositores também são diferentes. A maioria das letras é feita pelo Felipe, mas temos muitas letras também do poeta Wagner Hilário, nosso parceiro musical.

9-) RM – Quais são os principais parceiros musicais?

SavanteS – Bom, no que diz respeito aos instrumentos, nosso grande parceiro é o Luís Júnior, ex-integrante da banda e que será sempre nosso grande parceiro. Além dele, temos um ótimo relacionamento musical com o produtor e guitarrista Armando Leite. Responsável pela gravação do nosso primeiro CD. Na parte de letras, Wagner Hilário (principalmente) e César Magalhães Borgessão dois grandes amigos da banda. Ambos com músicas escritas para o primeiro CD.

10-) RM – Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

SavanteS – O maior prol já está dito no nome: é a independência. Nunca tivemos intervenção de pessoas de fora da banda para fazer algo diferente do que queríamos. O meio da música é complicado, cheio de gente querendo passar a perna nos artistas. Ser independente é também uma forma de se defender disso.

O principal contra é a falta de visibilidade. Hoje, mesmo com a internet, é complicado para um artista conseguir angariar um público maior sem apoio. Falta apoio financeiro e técnico para conseguir levar o som das bandas independentes para fora desse nicho. Se para bandas com gravadora a divulgação já está complicada, você imagina como é para quem tem de se virar sozinho.

11-) RM – Qual ou quais os músicos ou bandas já conhecidos do público que vocês têm como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

SavanteS – No Brasil, Chico Buarque sempre foi nossa grande referência profissional e de qualidade artística. Mas quando diz respeito ao trabalho técnico de áudio e gravação as principais referências estão lá fora. Em países como Estados Unidos e Inglaterra, essa estrutura de áudio é mais profissional. As gravações gringas ainda são superiores as nacionais, é um campo em que precisamos evoluir. Lá fora, Dave Matthews é nossa principal referência.

12-) RM – Quais as situações mais inusitadas aconteceram nos shows de vocês(falta de condição técnica para, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber)?

SavanteS – Bom, já aconteceu de tudo um pouco com a gente. No nosso primeiro show, receberíamos R$500. O combinado era que o pagamento fosse feito uma semana após a apresentação, já que o valor seria arrecadado a partir da quantidade de público. Passou-se uma semana, duas, um mês, dois e nada. O Bar havia quebrado e os donos fugiam da nossa cobrança. Só depois de quase cinco meses de muita cobrança conseguimos ver nosso dinheiro.

Já aconteceu também de fazermos um show num dia de chuva em que os técnicos de som não conseguiram chegar ao local. A solução foi voltarmos para casa, pegarmos todo nosso equipamento próprio, correr para o teatro, armar todo o som e subir ao palco com uma hora e meia de atraso. Sorte que o show foi excelente.

13-) RM – O que lhe deixam vocês mais felizes e mais tristes na carreira musical?

SavanteS – O que nós faz mais felizes. É o processo de criação musical e sua conclusão. Terminar uma obra, uma música, e olhar para ela prontinha e do jeito que queríamos é uma grande alegria. Vemos nossas músicas como algo muito próximo, tem quase vida própria.

O que nos deixa mais triste é o que rola por trás da música. Muita gente ganha dinheiro nesse meio à custa de bons artistas, que procuram entrar na música por talento e paixão. É triste ver que hoje, para sobreviver da música, não basta só trabalho e talento. É preciso um algo a mais. E normalmente dinheiro e contatos.

14-) RM – Nos apresente a cena musical paulistana?

SavanteS – Difícil, hein? A cena musical paulistana não se restringe a artistas paulistas nem paulistanos, pelo contrário, está recheada de músicos de outros lugares que conseguem encontrar público por aqui. E se engana muito quem pensa que o cenário musical paulistano (e brasileiro, até) está restrito ao “mainstream” (os famosos). A cena musical paulistana é independente, é ansiosa por transformações. É multimusical.

15-) RM – Vocês acreditam que suas músicas vão tocar nas rádios sem o jabá?

SavanteS – Hoje em dia, isso é quase uma ilusão. Talvez, em pequenas rádios do interior, isso até aconteça, mas é algo raríssimo. Você chega a uma rádio, mostra seu trabalho, se o cara gostar ele pede jabá para tocar. Se ele não gostar, nem com jabá rola. O jabá está tão banalizado que os artistas, os empresários, já vão à rádio querendo saber “o que precisa” para tocar lá. O jabá é quase uma coisa institucionalizada.

Mas agora com a internet parecendo um meio de comunicação mais democrático e menos burocrático, e o melhor de tudo sem jabá, podemos talvez idealizar um futuro mais justo para os artistas que tem como objetivo divulgar seus trabalhos diretamente ao público, sem intermediários.

16-) RM – O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

SavanteS – Bom, aprendemos nessa empreitada que já leva mais de quatro anos, que é preciso algumas coisas para não desistir do sonho da música. A mais importante delas é a paixão. Sem ela, pode ter certeza que o sujeito não agüenta um ano. Fora isso, é preciso muita dedicação, quanto maior o conhecimento que se tem do instrumento e da música, melhor. Não dá para levar a música com aquela idéia de genialidade. Música não se faz somente com talento, se faz com muita dedicação e esforço também.

 17-) RM – Quais os projetos futuros?

SavanteS – Este ano sofremos uma grade mudança na banda com a saída do violonista solo e arranjos Luís Júnior. Até por isso, começamos a montar um novo trabalho, completamente diferente. Esse projeto agora é a menina dos olhos da banda. Estamos no processo de composição, com mais de quatro músicas já prontas. Para o ano que vem pretendemos terminar as músicas, gravar e lançar o próximo CD.

Contatos:

Shows (11) 8174 – 3087 / 8141 – 5425

www.savantes.com.br / savantes@savantes.com.br / www.myspace.com/savantes  

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