Ricardo Siri

Ricardo Siri, percussionista carioca formado pela Los Angeles Music Academy e pela Sangeet Music School (EUA). Siri lança seu primeiro disco solo em turnê brasileira.

Começou sua carreira profissional como músico da banda carioca de blues Big Allanbik, com a qual realizou uma turnê pelos EUA, e tocou, entre outras casas, no mítico Blue Note. Nesta turnê, gravaram o CD “Batuque & Blues”, considerado pela crítica especializada o melhor trabalho de blues feito por um grupo não americano. De volta ao Brasil, teve o talento convocado por Sivuca e MPB-4. Na seqüência, voltou aos EUA, onde se formou baterista, ministrou aulas de “batucada” e gravou a trilha do filme “Beethoven 3”, da Universal. Voltou para integrar o time do Bossa Cuca Nova, de Roberto Menescal, com quem carimbou o passaporte quatro vezes para a Europa, uma para o Japão, Estados Unidos e África, além de ter sido indicado neste trabalho aoGrammy Latino, com o CD “Brasilidade”. Tudo o que vivenciou nesse período está em seu CD de estréia, que leva seu apelido, “Siri”.

No palco o CD se transforma em belíssimo espetáculo multimídia. Uma viagem de efeitos, luz e imagens com sonoridade própria, riqueza de timbres e melodias. Siri leva a platéia a uma experiência sonora quase hipnótica. Sessenta minutos em que mal se consegue piscar os olhos. Abrindo o show, “No Tranco”, tem o motor de um fusca gravado em sua garagem como base para a viagem que mistura trombones e peças da lataria do automóvel. Esta música foi incluída na compilação “Nu Brasil 2” – da gravadora inglesa Union Square – que apresenta também artistas como Nação Zumbi, Fernanda Porto, Carlinhos Brown e  Moska, entre outros. “N’Água” foi gravada em uma banheira, onde sons de líquidos se unem a panelas, travessas e garrafas.

Siri faz música contemporânea misturando arranjos de cordas e trombones entre outras texturas, sem preocupação com rótulos ou qualquer outro título. O show de lançamento no Rio foi um sucesso, casa lotada, platéia repleta de artistas e músicos como Léo Galdelman, Pedro Luís e outros, vibrando com a estética inovadora do espetáculo. Segue abaixo entrevista exclusiva de Ricardo Siri para revista musical on-line   em 05\05\2005:

1-) Ritmo Melodia – Fale do seu primeiro contato com a música? Cidade de origem e data de nascimento?

Ricardo Siri – Nasci e fui criado no Rio de Janeiro em 22 de Março de 1974. Desde criança, meu sonho era ter uma bateria e batucava por todos os lugares. Guardava as latas de leite, sorvete, batucava na mesa. Como uma bateria era muito grande para uma criança de 5 anos. Fiquei com essas latinhas por muito tempo. Quando adolescente procurei as batucadas de ruas. Essas me influenciaram muito. Então decidi optar por um instrumento menor que a bateria. Comecei a comprar alguns instrumentos de percussão como: bongô, pandeiros, chucalhos. Instrumentos menores.

2-) RM – Quais foram suas principais influencias musicais? E quais as influencias que permanecem presentes no seu trabalho?

RS – Procuro escutar de tudo um pouco, gosto principalmente de escutar sons que amigos me apresentam. As novidades. Durante minha carreira escutei desde Heavy-metal na adolescência à MPB, bossa – nova. Escutei muita música cubana e indiana, mas por incrível que pareça, minhas últimas influências tem sido trilhas sonoras, arte contemporânea e fotografia. Acho que todas as artes estão muito ligadas. Vou a uma exposição e volto com idéias Com vontade de fazer música.

3-) RM – Qual sua formação musical ? E quando inicio sua atuação profissionalmente?

RS – Quando decidi ser músico, fui fundo ao assunto. Estudei música: cubana durante anos, indiana e música brasileira em geral. Escutava e estudava muito. Tocava numa banda que já estava no circuito alternativo do Rio. Foi aí que conheci o pessoal da banda Big Allanbik. Viram-me tocar e logo me convidaram para trabalhar fazendo uma turnê e gravando um CD em Nova York. Tranquei a faculdade de engenharia e embarquei nessa. Não acreditava que ia tocar no legendário Blue Note. Há 15 dias havia estado no mesmo lugar vendo shows de ídolos como Tito Puente. Esse era o ano de 1996. Depois não faltaram mais convites. Toquei com grandes artistas da música brasileira e internacional. Morei em 99/2000 em Los Angeles onde fui realizar um sonho antigo. Formei-me em bateria pela Los Angeles Music Academy e estudei no mesmo período música africana e indiana na Sangeet Music School.

4-) RM – Quantos discos lançados? Em que anos e títulos? Defina cada obra?

RS – Gravei diversos CDS em diversos estilos musicais no Rio, São Paulo, México e Los Angeles. Algumas trilhas sonoras como Beethovem III. Esse CD “SIRI” é o primeiro de carreira solo. Estava sentindo uma grande necessidade de expor minhas idéias.

5-) RM – Comente sobre o seu show?

RS – Após a gravação do CD que durou aproximadamente 3 anos, todos me perguntavam. Como você vai fazer e montar o formato do show, já que no Cd tem muitas percussões, cordas, trombones, vibrafones além de um fusca e uma banheira cheia de água. E respondia. Ensaiando e levando tudo para o palco achavam que estava brincando. Eu mesmo não sabia como. Mas não podemos desistir nem olhar para trás. Fiz o show de lançamento no Rio (Sérgio Porto), estava lotado. Fusca trombones, muitos músicos, cenário, projeção. Acho que rolou uma grande expectativa. A partir disso muitos convites foram feitos. Fizemos também lançamento em São Paulo (sala Funarte).

6-) RM – Como analisa a produção musical que está sendo feita a partir da década de 90?

RS – A partir da década de 90  com a tecnologia, mas acessível, houve uma liberdade de criação extraordinária, Com uma idéia, e um mouse na mão já se poderia fazer música, jingles e até produção musical. os Djs voltaram à cena e deram uma contribuição muito positiva não só na pesquisa de músicas, mas como na forma de composição (edição).

7-) RM – Quais os prós e contras de fazer um trabalho na cena independente?

RS – Só vejo coisa positiva. Sei das dificuldades, mas onde não tem, sempre vai ter. E isso é importante. São degraus que subimos e temos que subir devagar, aproveitar a jornada, observar, aprender. Quando se lança um trabalho independente. Você é que carrega o piano, descobre caminhos que jamais imaginaria. E não pode encostar o piano, pois ninguém carrega para você. O mais interessante é que se for perguntar aos “independentes”, Quais os caminhos da cena independente? Cada um vai ter o seu. Isso é o melhor, sair do sistema viciado que a indústria fonográfica se meteu.

😎 RM – Fale da cena cultura do Rio de Janeiro?

RS – O Rio sempre teve uma ótima cena cultural, aqui realmente se faz arte. Essa proximidade das classes, mistura de raças, a natureza, te inspiram a todo o tempo é uma fonte inesgotável. Mas existem muitos problemas principalmente para artistas considerados médios. Existem poucos lugares para se mostrar o trabalho. Aqui no Rio tem uma cultura de nome na porta, convidados vips que destoa com a realidade. Isso é decorrente da economia e da violência. O que falta no rio é uma cena política, não cultural.

9-) RM – Como você analisa atuação cultural e musical dos seus contemporâneos?

RS – Acho que só  podemos fazer essa análise quando tivermos uma geração acima. Outras gerações não falaram vamos fazer a tropicália, bossa-nova e outros movimentos. Fizeram  e pronto. Gostaria muito de no futuro, olhar para trás e dizer que minha geração fez a coisa certa.

10 -) RM – Fale de suas divergências e convergências com a prática do mercado fonográfico atual?

RS – Acho que eles esqueceram do principal, música é arte. Não se pode ficar restringindo com determinados gêneros e formulas para vender. Vender poucos artistas e em grande quantidade estimula  a pirataria.

11-) RM – Quem são seus principais parceiros musicais?

RS – Conheci uma pessoa muito especial, Fernando Morello que produziu meu disco e fez algumas parcerias comigo. Uma pessoa muito talentosa e paciente. Espero fazer muitas parcerias com muitas pessoas.

12-) RM – Como está sendo a aceitação do publico para com um trabalho de percussão, em um pais de cultura das canções com letras?

RS – Apesar dessa cultura que também é minha  fonte de inspiração. Temos sorte de ser um país com uma cultura percussiva muito forte também. Acredito que as pessoas estão cada vez mais buscando coisas  simples, voltando às origens e isso nos remete a ritmo. Se não tiver ritmo, seu corpo, seu coração e sua mente não funcionam bem. Não adianta. Nos shows a reação do público é incrível. No lançamento  do CD não. Teve uma pessoa bem próxima do palco que chorava o tempo todo. Não pude olhar muito para não perder a concentração. Outras assistiam ao show com os olhos fechados, outros dançavam. Ao final do espetáculo, a pessoa que chorava veio em minha direção com a cara toda inchada. Fiquei assustado e perguntei o que houve. Ela disse que estava emocionada. Acho que agradou.

13-) RM – Quais as diferenças e convergências do seu trabalho com o feito por outros percussionistas que tem CDs autorais?

RS – Diferentemente de outros instrumentos, a percussão nos proporciona infinitas possibilidades. É difícil ver um percussionista pensando igual ao outro, os instrumentos são outros, o  set-up é sempre diferente. Isso nos torna diferentes entre si. Sempre é muito interessante ver um outro percussionista tocar, independente da técnica. Isso se resume para CDS autorais. Uma coisa que fiz no meu CD que talvez seja diferente de qualquer outro instrumentista foi dar ênfase à composição, timbre e não na virtuose.

14-) RM – Fale dos projetos para 2005?

RS – Recebi vários convites para realização de shows no Rio e São Paulo. Passei para o projeto do Itaú Rumos Cultural e estamos distribuindo o CD naEuropa  e Japão. A música “No Tranco” está sendo executada nas rádios da Europa e já saiu em algumas  compilações na Inglaterra. Em Julho vamos gravar um DVD para ser lançado no fim do ano. Estou indo agora (maio) para Europa divulgar o CD e dar alguns workshops de música brasileira e uns pockets-show e fazer alguns contatos para viabilizar o show completo. Fusca e tudo mais. Agosto a agenda está cheia shows em São Paulo e Rio. Gostaria muito de viajar com essa formação completa para Europa. Acho que iriam curtir muito.

Contatos: www.siri.etc.br  siri@siri.etc.br

21 – 2555-9458\ 9226 – 8722

O que achou? Comente aqui!